Eternamente dentro dos nossos corações
Todos sempre ouvem, uns com orgulho e outros com desdém, que o Corinthians tem uma das torcidas mais apaixonadas do mundo. E sempre surge aquela história de que o corinthiano é mais vezes apaixonado do que os outros torcedores. Fato que nós, os corinthianos, temos certeza. Se os outros torcedores concordam ou não é outra história.
De qualquer forma, é de conhecimento público que eu sou um tanto quanto descrente em superstições e afins. Aliás, eu não sou lá de crer em alguma coisa. A não ser, é claro, no Batman, porque ele existe. De verdade.
Mas o Corinthians me tira desse centro.
Exemplo disso foi a final do Mundial de Clubes da Fifa, de 2000. Ao torcedor de outros times que vier falar que não é Mundial, já respondo: sofri como tal, então para mim é. Chupem essa manga.
Eu tenho uma mania – eu sei, é superstição, mas vou chamar de mania – de não assistir jogos na minha casa com o manto sagrado. Acho que dá azar todo mundo passar pela sala, me ver com a camisa do Timão e não estar no clima. No estádio é diferente, todo mundo está no meio de campo, nas laterais, defesa, ataque. Em casa minha mãe está na cozinha e, palmeirense que é, seca.
E nesse jogo estava eu no quarto, com uma camiseta qualquer. Final do segundo tempo, final da prorrogação, jogo tenso. O Vasco tinha Romário e Edmundo, nós tínhamos um dos melhores Corinthians de todos os tempos. Mas o jogo estava truncado, até meio feio, e foi para os penâltis.
Eu achei que ia morrer. Afinal de contas, penâlti mata mais que o cigarro e o queijo cheddar. E lá estava eu, ajoelhado em frente a TV, clamando para todo e qualquer santo. Até que o Vasco errou uma das cobranças e a bola estava na mão do Marcelinho Carioca.
Apesar da lembrança do penâlti defendido pelo Marcos – logo, não foi Marcelinho quem errou, mas o Marcos quem defendeu – sabia que uma cobrança da marca da cal para o meio-campista corinthiano era certeza de gol. Afinal de contas Marcelinho era capaz de comandar a bola telepaticamente de distâncias a partir da intermediária. Como diabos ele ia errar um tiro de tão de perto?
Ciente disso, corri para a gaveta. Lá no Maraca, Marcelinho partia para a bola e, no mesmo instante em que eu enconstava meu dedo no símbolo do Corinthians, o Luciano do Valle gritou:
- HEEEEEEEEEEEEELTON!
O filho da puta do goleiro do Vasco defendeu! Eu, o maldito, tinha encostado na camisa do Timão e rompido com anos e anos de tradição. Por conta da minha soberba, o Corinthians não mais seria campeão do mundo! Súbito chutei a gaveta e exclamei, em pânico:
- FODEU, CARALEO! PERDEMOS O JOGO POR MINHA CAUSA!
E então cai em frente a TV, com um colapso nevoso a caminho. Edmundo corria para a bola enquanto eu a imaginava parando nas mãos do Dida e o Corinthians campeão do mundo. Ela subiu, como todos sabem. Mas para mim foi Dida quem me salvou do linchamento alvinegro.
E lá fui eu com a camisa do Timão festejar. Cético como sempre. Mas apaixonado como nunca.
Texto em homenagem aos 98 anos do clube que sempre enche o coração deste de alegria. Até quando perde, já que ser corinthiano é sofrer em dobro.
Setembro 2, 2008 às 1:37 am
Nossa, que lixo esse post. Deus vai te castigar por colocar o nome de São Marcos em vão dessa forma.
Setembro 2, 2008 às 1:42 am
Acredite, o corinthians não ser campeão do mundo não é culpa sua :-P
Setembro 2, 2008 às 1:46 am
Eu só uso minha camisa pra ir ao estádio. Ou seja, faz um tempinho que a verdinha tá guardada =S
Pôxa, uma mãe tão inteligente e vc vai pro lado alvinegro? =P
E a camisa marca-texto serve pra evitar atropelamentos… Hahahahaha
Setembro 2, 2008 às 2:54 pm
O Timão caiu ano passado por culpa minha… em dezembro de 2006 eu ganhei uma camisa do timão do meu ex-namorado que não gosta de futebol (é, eu sei, eu devia ter visto que ia dar merda AI). Acontece que no meio de 2007 o namoro foi pro vinagre eu descobri que o cara é um tremendo feladaputa. Não satisfeita, continuei usando a camisa em todos os jogos… e o timão caiu.
Foi culpa minha, eu sei.
Mas, de qquer forma, esse fato não diminui em nada minha paixão pelo curíntia.
bjones
Ps.: a camisa foi devidamente substituida.
Setembro 2, 2008 às 4:39 pm
Como bom botafoguense entendo a superstição, mas não posso deixar de ver um furo na sua teoria sobre a diferença de ver em casa e no estádio. Da mesma forma que em casa nem todos estão no mesmo espírito e alguém vai estar secando, no estádio também costumam vender ingressos para a torcida adversária, ou seja, nem todos estão no mesmo espírito e sempre vai ter gente secando, concorda?
Eu sou chato pracarái, hahahahhaa.
Setembro 2, 2008 às 7:16 pm
Caro Imperador,
O Corinthians é, sem dúvidas, a maior prova que a JUSTIÇA tarda mas não falha!!!
O título sonegado, arrancado, surrupiado, forçosamente roubado do meu INTERNACIONAL em 2005 foi pago em uma moeda muito menos valorizada o ano passado, quando o clube do Parque São Jorge foi destinado a fazer um estágio não remunerado nas cocheiras da segundona, classicamente chamada de série B, no ano corrente.
Sei que não tens culpa por isso, mas imagine a minha gana do Kia e cia, naquela gestão escabrosa do Timão?? E daquele árbitro cujo nome prefiro não mais proferir durante a minha existência???
Contudo, rendo-me à diplomacia e desejo parabéns ao alvi negro mais carismático do mundo em seu nonagésimo oitavo ciclo terráqueo.
Mesmo sabendo desta tua mancha (e não é verde) continuarei sendo assíduo ao seu blog que é um dos melhores que tem por aí.
Abraços!
Setembro 3, 2008 às 11:21 am
só um pequeno reparo: o penalti que o marcelinho perdeu para o marcos foi na libertadores de 2000. em 99, o vampeta e o dinei perderam os penaltis para o parmerinha..
desta forma, primeiro o marcelinho perdeu para o helton. depois, tratou de tirar a gente da melhor final de libertadores de todos os tempos, contra o boca.