Eu sou um cara de poucos vícios. Ela é um deles, além do fato de fumar igual a uma chaminé e beber até perder a linha. Não completamente, mas vai meio carretel embora junto com a pipa da sanidade. Também jogo videogame de vez em quando e compro livros como se não houvesse amanhã. Ah, e gosto de camisetas engraçadas. Mas são pouco vícios e grande parte deles arrecadam impostos.
Agora o único vício filho da puta que eu tenho é a maldita da Raspadinha. Não falo de filmes pornôs, seus putões. Sabe aquela raspadinha que vende na casa lotérica. Então, eu sou viciado naquilo.
Porque aquela desgraça é que o que me deixa mais próximo de ganhar R$ 200 mil assim, numa boa. É só chegar, raspar e torcer. Não tem essa de esperar dois dias pelo sorteio, a tensão das bolas caindo (porra, loteria é mais putanhão que sinuca?), essa merda toda. É você, uma moeda e a fé em deus, DJ!
Daí que sempre que vou tentar a sorte na Mega Sena – afinal não podemos ignorar R$ 30 milhões – compro uma raspadinha para sonhar. Duzentão agora seria de grande valia para uma ida a Camden Town e o sonhado X Box. Sem contar que eu ia comprar milhares de coisas retardadas e inúteis na Forbidden Planet. Dinheiro melhor gasto eu nunca vi. E hoje, durante o almoço, quase que eu cheguei lá. Quase mesmo. Confiram comigo no replay, com explicações táticas do Casagrande.

PUTAQUEMEPARIUCOMRODASDELIGALEVE!
Pois é, por um número a mais DUAS VEZES eu não ganhei essa porra. Pior do que perder de longe, o que sempre acontece comigo na Mega Sena, é chegar tão perto assim duas vezes e ver que eu falhei miseravelmente.
Deveria ter gastado esse dinheiro em pinga, puta merda.
Se o Johnny keep walking, você keep trying.