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VEM GENTE!

Vem gente ou não vem gente – eis a questão.
Se ficar vai ter bolo, será maneiro o climão?
Ou combater até o fim, todos morre.
Só isso, o sono eterno, todos dorme.
Corrão a contar as mil mazelas naturais.
Comofas para não soçobrar, não correr o perigo.
Sai daí cê vai morrer, é uma cilada, Bino.
Saudade do pai e da mãe, mas não do tio [dino]
Que trollou todo o Reino, matando o rei, pai do sobrinho.
Vai ser maneiro, disse, é pelo lulz.
É poca zueira, não vá para luz.
Cê tê zê que reino não haveralo, que o pai o filho vai vingalo.
E de vê dê dê irá cantando, like a boss a trovar:
Sou foda, na Dinarmarca eu esculacho, servo ou vassalo, cavaleiro ou cavalo.
Porque sou foda, dig dim dig dim dig dim.

Fosse vivo hoje Shakespeare, além de velho para cacete, adotaria o bom e novo meme. Não demora muito e teremos livros de história nos quais Dom Pedro diz ao povo que fica porque vai ter bolo. Generais russos marchando para Berlim dizendo que são fodas e que a Alemanha eles esculacham. César atravessando o Rubicão e soltando um “Vim, vi e venci, vê dê dê”. É a evolução da língua, assim como os nomes dos rappers americanos evoluíram Grandmaster Flash para P. Diddy, podendo chegar até aquele símbolo do Prince.

Se isso é bom, se é ruim, não há cê tê zê. Imagina que, sei lá, em 2023 os jornais podem ter manchetes com memes, do tipo “Cientista recria geneticamente o Nirvana e TODOS DORME”, “O presidente dos EUA, David After Dentist, disse invadir o Iraque talvez, mas sem beijo na boca” ou então “Aliens são vistos em Ibitipoca, PODE VC ACREDITALO”. Talvez tenhamos grupos musicais com nomes como CLIMÃO MANERO and the Spiders from Mars. E imagina jogar Call of Duty e, no meio de uma missão, um dos soldados gritar “TODOS CORRE”?

Não há como correr disso. Se eu fosse manézão, diria que é a revolução silenciosa da língua. Tarde demais. A pergunta que fica, porém, é importante porra: VEM GENTE?

Um libelo desesperado em defesa do saudosismo – com comentários

Autor de onze livros, Carlos Cardoso é um desses escritores que surgem a cada alvorada de século, espécie de Maquiavel dois ponto zero. É quando a humanidade perde toda a esperança e alguém, caçando livros sobre Linux em uma biblioteca que é só destroços pós desastre nuclear exclama “IRMÃOS, EIS A LUZ!”. E aí está, eu como imperador que não sou, vou dar uma de Napoleão e comentar esse que é O Príncipe dos escritos na web. O esquema é o de sempre: Cardosão em negrito, eu na brancura.

Existe toda uma classe de pessoas que vive no passado. São versões reais do Vovô Simpson, sempre criticando o presente e temendo o futuro, sempre dizendo o quanto o passado que muitos sequer viveram era bem melhor.

Logo na aberura Cardoso destaca um tema importante. Na Alemanha, por exemplo, é comum o fenômeno da Ostalgie, onde a juventude alemã é piradona em produtos do tempo em que o Muro de Berlim não estava nas entranhas do Humberto Gessinger. É gente que não viveu as agruras do comunismo e agora está toda pimpona pavoneando que o comunismo era legal, uh-terêrê. Cardoso reclama de ser da Família Dinossauro da saudade, e nem é pelo sobre-peso, seus maldosos.

Eu gostaria de ser como eles, gostaria mesmo. Queria poder dizer que meu CP-200 com 16KB de memória era melhor do que meu Mac ou meu PC, ambos com 4GB.

Aqui Cardoso mostra parte da sua declaração do Imposto de Renda 2011. Um Mac e um PC. Check!

Queria ter a cara de pau desse pessoal, a visão seletiva de mundo que considera aquelas máquinas feitas de barro fofo e pedra lascada melhores pois “não travavam”- o que é mentira, aliás.

Cardoso – escritor de onze livros – esqueceu uma vírgula depois de “mundo”. Relevemos.

Queria ser saudosista e dizer que monstros com zíper eram melhores que os monstros atuais, ou que as cenas de combate da série clássica eram melhores que a magnífica batalha final contra o Dominion em Star Trek: Deep Space Nine, com milhares de naves na tela, em um conflito épico.

Espera, me confundi: existe um Deep Space Nine clássico. Ou falamos de uma mesma franquia, porém com outros personagens? Esse trecho é o Ulisses desse autor de onze livros.

Queria ser do grupo que defende cegamente a série original de Galactica (que amo profundamente) nem que para isso tenham que elogiar um garoto chato e um cachorro-robô, e fingir que o Comandante Adama de Edward James Olmos não é um líder que qualquer um seguiria até o Inferno.

Não curto Battlestar Galactica, mas quem sou eu senão o cara que nunca escreveu um livro.

Queria poder dizer que comprar revistas de péssima qualidade no jornaleiro conivente e sintonizar o TV Link do vizinho era uma forma mais conveniente de acessar pornografia do que a Internet, mas não consigo, até porque digitar com uma só mão é complicado.

BEHOLD que Maquiavel escreveu esse texto se masturbando, esse Cardoso é o rei da ironia.

Queria poder dizer que o mundo era mais pacífico, mas crescer à beira de uma Guerra Total Termonuclear me faz ver conflitos no Oriente Médio como no máximo briguinhas.

Isso está parecendo aquela música do Titãs, Epitáfio. Não está?

Queria poder dizer que a música de antigamente era melhor, mas boa parte da música boa de minha juventude já era velha. Ela se manteve, o que surgiu de bom continua e o descartável foi esquecido. Como sempre aconteceu.

Queria ter, arriscado mais, ter chorado mais, ter visto o sol se por.

Queria poder dizer que ouvir música era melhor, mas meus LPs vivam arranhando, minhas fitas K7 só me permitiam ouvir música na sequência e compartilhar música significava emprestar um LP, que geralmente não voltava.

Como conseguimos viver assim, como animais, não é mesmo?

Queria poder dizer que meu videocassete era superior ao DVD (sim, ouvi esse argumento) pois gravava, mas meu LP também não permitia gravação e nem por isso eu comprava meus álbuns em fita K7.

Tem um filme ótimo do Stalin, feito pela HBO e com o Robert Duvall no papel do bigode que eu nunca vi em DVD. E agora?

A primeira vez que liguei um DVD e comparei a imagem com uma fita de vídeo passei por uma experiência religiosa. Uma imagem FullHD dá a mesma sensação. Queria poder dizer que isso não importa.

São Videolar está morto, abençoado seja São Fox Film.

Queria poder dizer que a fotografia digital banalizou a arte, mas eu lembro como era caro comprar filme, tirar fotos de momentos únicos sem saber se saiu ou não, esperar dias pela revelação e só então descobrir se a única lembrança do momento existiria apenas em nossas memórias.

Nessa concordo com o Cardoso, fotografia é algo muito do futuro. Parece até que rouba nossa alma, pelo menos foi o que o pajé me disse dia desses, no intervalo da dança da chuva.

Queria dizer que a Internet afasta as pessoas, as isola e as torna superficiais. Gostaria mesmo de repetir esse discurso fácil, mas minhas maiores amizades e meus maiores amores chegaram até mim por um fio na parede. Só quem fala essas coisas da Internet é gente que não entende que há gente de verdade do outro lado daquele fio.

“É gente que não entende que há gente” da gente, que vive a pegar no batente, com sol, com chuva doente, e sabe que tem que trabalhar. CARDOSO, Carlos. DE PAULA, Netinho. In Negritude Contraditória e Zumbis. Volume Único.

Queria dizer que era melhor pesquisar em enciclopédias “de verdade”, e que hoje as crianças fazem copy/paste, mas tenho a DECÊNCIA de lembrar que naquele tempo o principal objetivo era encontrar uma imagem recortável para ilustrar o trabalho, e o copy/paste era feito manualmente, copiávamos de forma autômata o conteúdo. NUNCA aprendi nada em trabalhos de colégio, que aliás nunca foram sequer discutidos em sala de aula.

Na minha época de escola, tinhamos a DECÊNCIA de copiar o trabalho em uma folha de almaço e, pelo pouco que sei do cérebro humano, se ele não curte o assunto tem a DECÊNCIA de pelo menos guardar aquilo para algum momento de inutilidade como “Cite dois afluentes do Amazonas e ganhe R$ 2 mil mariolas!”.

Uma vez eu tirei 7, SETE em um trabalho para Teoria da Percepção, na UFF. Meu trabalho? Uma foto da Luciana Vendramini em um cenário futurista, com esferas de computação gráfica ao fundo. Impresso em uma matricial Elgin Lady Nojenta, de um amigo.

Cardoso, a educação continua uma merda, estamos salvos. Quer dizer, graças aos seus onze livros, podemos ter ainda alguma fé na humanidade.

ISSO é o passado onde se aprendia com os trabalhos escolares?

Aprendemos mais agora no Youtube.

Eu queria também ser daqueles que odeiam o passado, mas adoro o meu. Aprendi muito com ele, aprendi que nossas maiores tragédias um dia se tornam História, que NADA é insuperável. É tudo uma questão de perspectiva. Um braço perdido 20 anos atrás ainda incomodará, mas você não passa 20 anos gritando de dor. Achar sua paz e viver com um braço só não diminui a dor da perda, não é essa a intenção. O tempo me ensinou que aceitar e viver com o que passou não é trivializar. É apenas a alternativa a enfiar uma bala no coco, atitude em geral nada recomendável.

A impressora era nojenta, a pornografia era uma merda, o VHS é um lixo, mas mesmo assim você ama o passado, Cardoso? Que bonito da sua parte.

Eu queria muito ser um repórter das antigas. Sério, queria mesmo. Clarke Kent pode inspirar mais que o Super Homem, se você gosta mais de escrever do que tentar ser mais forte que uma locomotiva. Queria, mas não posso. Hoje não existe mais “parem as máquinas”, hoje não existe mais a separação Imprensa / Mortais.

Repórter das antigas = cara que a qualquer hora pode sair voando da redação para apurar uma matéria. Literalmente.

Hoje eu não sou o Último Filho de Krypton (ou ao menos digo que não sou) mas minha voz tem alcance muito maior. Não dependo de Perry White ou Lex Luthor para determinar o que falo ou deixo de falar. Sou meu próprio Roberto Marinho, meu próprio Chatô, embora o Guilherme Fontes não tenha pedido dinheiro em meu nome (acho).

Filho de Krypton, taí um bloco que Caetano, Gal, Gil, Ivete, a nova e a velha geração poderia bolar para combater Ghandi, esse inescrupuloso.

Eu queria ter a certeza dos adolescentes e dos trolls da Internet, de que se algo dá errado na vida é culpa de todos menos de mim mesmo. Queria poder justificar com os pais, os professores e orientadoras. Queria poder dizer “fulano me persegue”, e fazer disso justificativa suficiente para não atingir meus objetivos.

Se algo acontece com os adolescente e os trolls é culpa sua, Cardoso? Onze livros, meu nobre. Onze livros.

Eu gostaria de querer isso tudo, mas sendo sincero eu só quero uma coisa, que inviabiliza todos esses quereres:

Vamos lá, agora é a melhor parte:

Quero ver o que vem adiante e o quê o Destino me reserva, e se não gostar, mudar, afinal de contas, “Destino Não Existe”, me ensinou Sarah Connor, no Exterminador do Futuro, no distante passado de 1991.

Carlos Cardoso, onze livros, não sabe que o acento circunflexo é usado no “que” somente quando acompanhado do ponto de interrogação, exclamação, etc e tal.

O prefeito de Borá tem um Bora

Borá. Seis longinquas horas de São Paulo. Passando Assis, passando Ronaldinho Gaúcho, passando as piadas ruins. Ostenta o recorde de menor população do Brasil, com 805 habitantes. Deve ter mais gente resolvendo um cubo mágico de ponta cabeça enquanto uma corda enforca o pescoço neste exato instante do que boraenses no mundo.

Na entrada da cidade você é recepcionado pelo Cristo em pessoa. Ou melhor, em gesso. Mas está lá o homem de Nazaré, acompanhando da escultura em pedra com o nome da cidade. E com acento, dando um grande salve para os países de língua portuguesa, se é que a regra é clara nesse caso, Arnaldo?

Os populares, conhecidos como boraenses, são pessoas simples de fino trato. Aparecem no Centro Recreativo, ao lado da rodoviária com duas plataformas de ônibus e da delegacia, um pouco maior que o Tolloco da Augusta. Carlos, por exemplo, poderia se passar por um lorde inglês mas prefere gastar as tardes de sábado enchendo a cara de Cynar/Fogo Paulista/bebida escura derivada do fumo e jogando truco ou bocha. É o sal da terra, diria aquele cronista mala que usa o termo em horas inoportunas.

Borá tem balneário, tem cachoeira, tem cerveja. Tem também dois sóis para cada habitante, espécie de Tatooine do interior. Põe mais essa na conta: 1610 sóis em Borá, um recorde no mundo já que no Saara é um sol para nenhum habitante.

Tem também a dona Maria do Socorro, que vende sorvete e bermudas. Espécie de McGyver do empreendedorismo, diferente da galera que cria conteúdo aqui e alhures. O “Socorro” no nome deve ser jogada de marketing: sorvete em Borá é o São Bernardo nas montanhas ajudando aquele ser ignóbil que resolve desafiar os desígnios da natureza.

E teve uma cambada de paulistanos, gaúchos, candangos e até um alto caldense estragando a paisagem, bebendo a cerveja e curtindo seus dois sóis de direito pois, a partir de agora, Borá é a cidade com maior percentual de habitantes cadastrados no Facebook. Se eu fosse o Zuckerberg, dava um pulo lá para aprender com a Dona Maria como vender sorvete sem ser processada por gêmeos regateiros/regatistas/gente que navega em mares antes navegados.

Os números de 2010

Eu não sei vocês, mas achei genial esse email do wordpress contando como foi o 2010 do meu blog. O mais legal: a saúde do meu blog está “UAU”, enquanto eu não me sinto bem [/woddyallen].

Ah, vale agradecer o Felipe Neto e Deus e seus 34 ovos no porta-malas pela graça alcançada.

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Uau.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Cerca de 3 milhões de pessoas visitam o Taj Mahal todos os anos. Este blog foi visitado cerca de 56,000 vezes em 2010. Se este blog fosse o Taj Mahal, eram precisos 7 dias para que essas pessoas o visitassem.

 

Em 2010, escreveu 56 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 321 artigos. Fez upload de 16 imagens, ocupando um total de 2mb. Isso equivale a cerca de uma imagem por mês.

The busiest day of the year was 9 de agosto with 908 views. The most popular post that day was #trollagemdobem.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram bobagento.com, twitter.com, bjomeliga.wordpress.com, google.com.br e search.conduit.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por tiradentes, stephen hawking, felipe neto, morro do alemão e morro do alemao

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

#trollagemdobem agosto, 2010
11 comentários

2

Deus no porta malas com 34 ovos setembro, 2009
164 comentários

3

Com a corda no pescoço abril, 2008
5 comentários

4

Liga da Justiça Informal da Internet janeiro, 2010
32 comentários

5

A história do Morro do Alemão junho, 2008
11 comentários

Rush lá para ganhar ingresso do corre!

Daí que eu ganhei ingresso para o show Rush na sexta que vem e vou lá ver o Geddy Lee e o Alex Lifeson. O Neil Peart nem a própria mãe o vê por causa do tamanho da bateria e tal. Ganhei o ingresso fazendo enigmas e me senti o Roberto Justus no Um contra cem.

E sei que você está aí, do outro lado da tela, soltando um “cagado!”, “sortudo!”, “João Alves!” e tal, mas espere: você também pode ir ao Morumbi na faixa para ver o Rush.

- AEAEAEAEAEAEAEAEAE COMOFAS? – pergunta o leitor desse blog.

Moleza moleque. É só você dar aquele add manero do @subzerorocks e ficar esperto nas dicas que os caras soltam lá. Cada dica equivale a um número de um celular. Se você conseguir acertar os oito números, parabéns, você acaba de ganhar um ingresso para o show.

- Pô, mas só o ingresso, meh.

Opa, tem mais. Quando atenderem o celular  não diga alô, diga ORRA MEU VOU CONHECER OS CARAS DO RUSH E SER UMA DAS TRÊS PESSOAS QUE JÁ VIRAM O NEIL PEART FORA DAQUELE PLANETA QUE ELE VIVE CHAMADO BATERIA? Porque sim, amigão, além do ingresso na faixa, no vasco, na gratuidade, você ainda vai conhecer os caras do Rush, trocar ideia, autógrafo, a parada toda!

- CARA, LEGAL DEMAIS! Mas eu queria um celular bacana para poder tuitar, colocar fotos no meu twitpic e depois ligar para a galera falando DAE SEUS LOKI ABRACEI O GEDDY LEE FOI LINDO! tem como?

Quer um celular, bacana? Eu responderia “COMPRA UM”, mas os caras da Antarctica resolveram quebrar seu galho: se você acertar os números, além do ingresso, além do abraço, além da imaginação, você também ganha o Xperia TM X10 da Sony.

O celular está esperando tua ligação aqui. Melhor que isso, só se você subisse no palco, mas ninguém mandou não nascer no Canadá nem tocar a beça, lide com isso.

O assassinato do Google Wave pelo covarde twitteiro

Noite de garoa. O vento estapeia o rosto com barba rala, acelerando a queima do cigarro. Aperta o paletó junto ao corpo, na vã esperança de diminuir o frio que sobe a espinha. Alguém assassinara uma ferramenta. Sem buzz. Sem nota no Mashable.

Sete pessoas se muito comentaram. Três lamentaram. Na mídia social é assim: vale a lei do maior pagerank. Quem não tem, se vira com um ou outro retweet. É uma cidade suja, fria, escura, chuvosa. Sem dono, sem lei. A justiça fica no processo, pulando de indignação em indignação como se fosse um macaco rejeitado pelo Stallone. No fim das contas, tudo acaba em nada.

Lembrou do gole de uísque dentro do bolso. Ganhara em uma ação entre outras tantas. Bebeu como se fosse o último gole da internet, sabendo que semana que vem teria outra. Aplacou o frio por instantes. Sentiu coragem de bater em blogs, de chegar chegando em sites, de apertar alguns MSNs. De fazer justiça e trazer de volta alguém tão querido. Não entendia como as pessoas conseguiam não gostar de uma ferramenta tão útil. Um porteiro que estava perto da cena do crime contou o que viu. “Foi um bando, nunca vi igual. Chegaram, atiraram, mataram. A sangue frio”.

O depoimento não serviu para nada. Eram todos rostos na multidão, navegando pelas ruas, parando de perfil em perfil e desaparecendo na grande rede. A única testemunha ocular tinha dois followers para contar. Lembrou do uísque vazio na jaqueta e lamentou ter trollado a ação de vodca semana passada. Podia ser barata. Mas aquilo era a internet, o lugar mais free do mundo. E não se trata de liberdade.

Puxou mais um cigarro. Tentou acender três vezes, impaciente. Conseguiu e a chuva apertou, socando-lhe o rosto como um pugilista desesperado em começo de carreira. Ele era o velho, o ultrapassado. Ele era uma das poucas pessoas que, naquele dia, choraram a morte do Google Wave.

Gera samba ou conteúdo?

Piada MUITO BOA que vi no Byte que eu gosto e resolvi gerar meu próprio conteúdo:

* esse artigo contém ironia e glúten. Se você achou que era sério, você será direcionado para minha caixa econômica federal [#publi].

Marchinha da Tessália

ALÔ MERITOCRACIA! TODO MUNDO COMIGO!

Tessália tá chupando rola,
E você, no www,
Enquanto Tessália trepa,
Tu taí, com a mão quebrando galho. E TODO MUNDO!

A Tessália pagou um boquetinho,
E você, não come mais ninguém.
Enquanto Tessália bola gato, tu não fica nem gripado. E VAMO NÓIS!

Tessália tá chupando rola,
E você, no www,
Enquanto Tessália trepa,
Tu taí, com a mão quebrando galho. VEM! VEM! VEM!

Lá, no edredon,
A Tessália pôs a boca no trombone.
Você, que mora com a mãe,
só fala quando é no telefone.

Aaaaaaaaaaaa moça Tessália,
Ficou famosa na internet.
Saiu metendo a boca pelo mundo.
E hoje é Trending Topic do #boquete.

Você, Meritocrata, ficou famoso pelo block.
Criou ídolos de esgoto,
saiu de casa só um pouco.
HEY APLUSK MANDA ELE SUCK A COCK!

Tessália tá chupando rola,
E você, no www,
Enquanto Tessália trepa,
Tu taí, com a mão quebrando galho. ZIRIGUIDUM!

Liga da Justiça Informal da Internet

Prefácio

É impossível deixar de analisar esse texto para as gerações futuras. Porque ele é muito a frente de nosso tempo. Ele é a frente de todos os tempos. Não há como dar-lhe o adjetivo de Bíblia. Em um trecho, alcunhei como “tratado”, mas isso também é impossível. Não daria um livro, mas uma obra de importância maior do que uma cesta com a penicilina, a luz elétrica, a imprensa e a Monica Belucci. Com certa razão, daqui alguns anos esse texto será classificado como uma grande pilha de merda. Mas isso não é verdade. Porque a merda incomoda Felipe Neto. E ele não falará sobre isso, como forma de boicotar que a merda que ele escreve se propague a ponto de ser convidada para a premiere da novela Caminho das Índias, evento que reuniu intelectuais como Vitor Fasano, Juliana Paes e… FELIPE NETO.

Criticar ou ficar calado?

Critico muitas coisas, não tenho como evitar, sempre fui assim. Aquilo que me incomoda, exponho, o que me atinge, exponho, o que me satisfaz, igualmente o faço. Logo, em pouco tempo esse blog já havia se tornado uma verdadeira extensão dos meus pensamentos, onde basicamente se resumia a críticas, elogios e sugestões para, quem sabe, resultar numa possível maior harmonia na convivência dos que lêem. Contudo, comecei a perceber (e agora já se torna bastante claro) que quanto mais criticamos, maior é o sucesso de determinada bobagem.

Felipe, de forma filosófica (atentem ao trecho “esse blog já havia se tornado uma verdadeira extensão dos meus pensamentos, onde basicamente se resumia a críticas, elogios e sugestões para, quem sabe, resultar numa possível maior harmonia na convivência dos que lêem“) inicia o tratado deixando claro seu ponto: o sucesso de algo depende única e exclusivamente do que ele diz na internet (pega essa, New York Times). É uma espécie de Pequeno Princípe para intelectuais, onde Felipe Neto indica: tu te tornas responsável pelo link que compartilhas.

Existem pessoas dispostas a qualquer coisa para fazer sucesso. Algumas escolhem, por exemplo, o caminho dos “haters”, que, pelas minhas observações, parece ser facilmente tangível para quem tem verdadeira determinação. A fórmula é simples: faça alguma coisa extremamente idiota que cause raiva naqueles que têm relevância. Dessa forma, muita gente ficou famosa na internet, seja fazendo um vídeo completamente babaca, criando um blog fake cristão ou utilizando um script para aumentar a quantidade de seguidores no Twitter. O objetivo? Ora, por favor, até uma criança de oito anos pode perceber: causar!

Manual para o sucesso na internet, volume único e inestimável. Se você caiu em desgraça com “aqueles que têm relevância“, terá sua “coisa extremamente idiota” nas páginas da Esquire, da Veja, no Jornal Nacional e, quem sabe, no Hora do Povo. Imaginem Newton no Youtube, fazendo malabarismo com maçãs e dizendo que o Felipe Neto não conhece as vertentes da física. Reconhecimento internacional.

O problema então reside exatamente aí. Criticar seria a solução? Mostrar ao povo o quão insignificante é determinada atitude não pode acabar por torná-la significante, contrariando os objetivos dos que gostariam que tal presença desaparecesse?

A fórmula é simples: todo mundo mostrou quão insignificante era a busca por uma raça ariana pura. O resultado: milhões de judeus mortos na Segunda Guerra. Eu duvido que você encontre lógica tão sensata nos livros do Elias Canetti.

Temos uma situação complexa. Gosto de enxergar determinados blogs, sites e twitters como “a resistência”, dá um ar de Liga da Justiça pra coisa, que na verdade é muito mais boba do que parece. Esse grupo é composto pelos que vão de encontro à manipulação midiática da massa brasileira, aquela que elege Geisy como heroína e estampa o tempo inteiro ídolos de esgoto em suas manchetes principais. Essas pessoas comprometem-se com um objetivo duro: combater o que a maioria acha interessante, mas que nós, da resistência, classificamos como descartável e nocivo para a mente de quem já não tem lá tanta elucidação e liberdade de pensamento sem os controles sociais impostos há tantos anos no país. Tentamos apontar os defeitos e incentivar o raciocínio. O resultado disso é uma onda inacabável de xingamentos e revoltas injustificadas, sempre levantando a bandeira do: “Não critique o que eu gosto, seu babaca!” – Triste, mas real.

John Connor não seria tão messiânico. A “Resistência” (só aceito o termo em letra maiúscula, me desculpem), gente que gera conteúdo e que forma a opinião de pessoas em todo o mundo, é capaz de te levar ao Céu, jogando sua criação nas lavas quentes de Porto de Galinhas. Ou do Inferno, que seja. Porém, falta clareza neste trecho: quem é quem na Liga da Justiça. Não posso deixar de ver o Cardoso como Flash e o Felipe como Aquaman, por exemplo. E os ídolos de esgoto? As Tartarugas Ninja foram celebridades nos anos 90. Mas hoje em dia elas e o Mestre Splinter curtem merecidas férias nos esgotos de Paris. E hoje, quem têm acesso privilegiado, direto das entranhas de São Paulo, Rio e outros sistemas de saneamento de todo o mundo a frases como “classificamos como descartável e nocivo para a mente de quem já não tem lá tanta elucidação e liberdade de pensamento sem os controles sociais impostos há tantos anos no país”? Quem pode recolher das subterrâneas fontes de saber os ensinamentos dessa Escola de Frankfurt que parou no Pré 2? É algo que precisamos saber, para elucidar e nos libertar.

Curvem-se ou sigam a Twittess!

Curvem-se ou sigam a Twittess!

Contudo, nossas ações têm tanto resultado positivo quanto negativo. Ao mesmo tempo que muita gente concorda e se junta ao coro de pessoas contra determinadas superficialidades, damos também espaço para que outras, não preparadas, conheçam essas bobagens e passem a gostar, ou até mesmo se identificar com o que talvez merecesse permanecer para sempre na câmara do ostracismo. Exemplos como Fani e seu livro, Geisy Arruda, Bruna Surfistinha, Mulher Melancia, as “boy bands” brasileiras, entre tantos outros, ajudam a mostrar como a quantidade de ferramentas a favor da “cultura do gozo e do imediatismo” é alarmante. E pergunto: até que ponto nós, que criticamos, somos também auxiliadores de seu sucesso?

Harry Potter e a Câmara do Ostracismo é um livro que deveria ser queimado em praça pública. É destinado justamente à pessoas como você, que lê os baluartes da internet brasileira e vai fazer um vídeo idiota, um stand-up onde Cardoso e seu Ego (em maiúsculo, pois trata-se de pessoa) encontram Felipe Neto e seu Ego e todos se fundem transformando-se em Meuegotron, o Deus da internet que solta raios pelas tetas enquanto faz caretas. Você, massificado, que perde seu tempo com Crime e castigo enquanto poderia conferir as últimas dicas do Felipe sobre o livro da Fani ou outra vertente literária do subúrbio. Você, massa de manobra, que assiste Gus Van Sant ao “invez” (sic) de ler o twitter do Cardoso e se atualizar em uma das 27 câmeras instaladas na vida da Twittess. Você que goza o imediatismo e que não enxerga o trabalho social que Felipe Neto faz na sua pobre mente cada vez que rabisca três, quatro palavras no Controle Remoto, a Biblioteca de Alexandria pontocom do mundo moderno.

Se o Cardoso te bloqueia, o Google é a cura

O maior exemplo que segue a linha de raciocínio que estou tentando mostrar nesse texto encontra-se agora no Big Brother Brasil. Seu nome é Tessália Serighelli, conhecida na internet como Twittess. Para quem não sabe, o resumo de sua história é tão pequeno quanto sua importância. Há algum tempo, surgiu uma tal de Twittess no Twitter que, da noite para o dia, apareceu magicamente com mais de 40 mil seguidores (followers). Imediatamente aquilo atingiu o ego de muitos blogueiros, principalmente os pertencentes à já citada “resistência”. A referida moça tinha simplesmente utilizado um script que adicionou milhares e milhares de seguidores “robôs” ao seu perfil.

Twittess, o Santan Gos da internet, atingiu o Meuegotron da Resistência. A Skynet tem balanço magro, mas alto potencial nas mãos da massa.

Ponto final, esse foi o motivo pelo qual Tessália ficou conhecida. Simplesmente, uma mulher que usou um script pra aumentar o número de seguidores e, imediatamente, virou motivo de piada entre os blogueiros e twitteiros “relevantes” do país. O problema foi: quanto mais ela era humilhada, mais gente ficava sabendo de sua existência e seguia seu perfil só pra ficar vendo as respostas da mocinha indefesa. Resultado? Tessália ficou famosa na Internet e foi chamada até mesmo para dar palestras (uadafuck?!). Suas pérolas eram impagáveis, como quando afirmou ser mais relevante no Twitter que o Marcelo Tas, cobrando 500 reais por uma twittada patrocinada em seu Media Kit (e ela se diz analista de redes sociais) e a vez em que disse “Fifty-fifty” em entrevista para a Rede Globo. Tentou ainda ter um blog, mas o sucesso foi tão risível que sequer ganhou destaque (afinal, quando a esmagadora maioria de seus seguidores é composta por robôs e gente que segue apenas para dar gargalhada da sua cara, não dá para atingir sucesso com algo sério).

“Simplesmente, uma mulher que usou um script pra aumentar o número de seguidores“. Felipe Neto levanta questão importante: a Rosana Hermann é homem? Porque ela também usou script e não caiu na malha fina do IR (Internet Relevante – órgão da ditadura de Felipe, o Neto, responsável por atestar qualidade e visibilidade para toda e qualquer publicação da Cardosolândia, o país com PIB mais gordo do mundo). Se bem que Rosana gera conteúdo. E eu tenho pena de quem discorda disso.

Portanto, pensemos. Teria Tessália atingido a “fama” se não fosse pelos blogueiros e twitteiros que começaram a fazer piada sobre sua existência? Se o silêncio tivesse imperado, onde estaria a Twittess agora? Provavelmente tentando desesperadamente fazer robôs responderem suas twittadas, ou talvez tivesse simplesmente desistido. Mas a resistência, na tentativa de colocar todos contra alguém que teve uma atitude idiota e superficial, acabou criando uma BBB, que estampará capas de revistas, jornais e sites durante um tempo considerável, até cair no tão desejado esquecimento (não podemos deixar de lembrar: “Quem só tem bunda some”. E nem isso Tessália tem). Nós criamos um ídolo de esgoto e eu, sinceramente, peço desculpas ao povo pela minha pequena participação nisso.

É isso mesmo que você leu: a Twittess só chegou onde está por conta das piadas de Felipe, o Neto, e outros envolvidos (abraço a todos) da Resistência. Sem eles, ela seria apenas uma moça mirrada do Paraná. Porque quem só tem bunda some. É preciso ter também um cu para cagar regra na internet. Ou na vida.

Por essas e outras, percebi: devemos saber quando criticar. Apontar dedos e tentar minimizar algo que já é risível por si só pode acabar criando um monstro. Então, certas horas, devemos apenas ficar calados. Espero que os outros também consigam enxergar isso, ou a situação só tende a piorar.

Felipe, não se cale. Sem você, a internet não passa de um amontoado de vídeos idiotas que causa raiva em quem tem relevância. Aliás, aproveito o ensejo para dizer que dois integrantes da Resistência, o Brogui e o Kibeloco, estão neste exato instante postando vídeos idiotas. PRENDA OS DOIS! PRENDA AGORA! SE QUISER, LEVO A CABEÇA DELES EM UMA BANDEJA DE PRATA!

Observação pertinente: A expressão “a resistência” era pra ser uma piada. #FAIL pra mim, já que muitos levaram a sério.

Levamos Marx a sério. Levamos Keynes a sério. Levamos Freud a sério. Levamos Jesus a sério. Como não levar você, Felipe, O Neto, a sério? Você é nosso Stálin (porque o Cardoso parece o Krushev, reparem), o nosso pai, o nosso herói. Nós sempre te levaremos a sério, Grande Irmão!

Ps: a imagem de Cardoso e seu Mini-Me foi cortesia do Pablo Fernandes. Obrigado, meu caro. Muito obrigado.

Bacardi, Bacardi é o suco

Não sei se vocês sabem mas eu ando fodão na manufatura (manufatura me lembra aulas de história da sétima série, sempre) de comidas. Dia desses fiz um beirute sem queimar nada e a Imperatriz comeu e pediu mais. Segunda-feira de finados fritei manjubas sozinho e não mandei meus amigos para o cemitério, apesar da data comemorativa.

Daí a galera da Dudinka, ciente dos meus dotes culinários, resolveu me chamar para aprender a manufatura (oi professora Brasilina) de mojitos. Ok, mentira, fui chamado porque o João Pedro é camarada e queria que mais alguém fosse com uma camiseta do Vader no Sonique.

O João é o da direita

O João é o da direita

Após uma apresentação sobre a história do Bacardi, lá dos idos de 1829 com Dom Facundo  mostrando para a patota que além de bebida de pirata, o rum pode ter seu espiríto selvagem domado*, chegou a hora de jogar garrafas e coqueteleiras para o alto no intuito de mostrar para a galera que, mais do que um barman, você pode a qualquer momento se virar nos faróis de Sampa. A crise taí e, se tá ruim para classe média, imagina para nós, não é? Enfim, vamos a esquizofrenia de se fazer um rum bom (olha a piada ruim):

Meio limão
Uma colher de sopa de açúcar
Sete folhas de hortelã
Gelo a gosto do freguês
Rum a rodo para animar a festa, salve simpatia!
Água com gás (pouca, porque água faz mal)

Primeiro você espreme o limão e xuxa (ISSO MESMO, XUXA) junto com a hortelã na coqueteleira. Depois, coloca açúcar, gelo e rum. Mas rum à beça, amigão. Naquela quantidade que a galera fica de olho aberto pensando “amanhã me fodo no teste da farinha”. Mexa a coqueteleira como se fosse o Tom Cruise em Coquetel e sirva. Complete o copo com a água com gás e VOAR LA, tá pronto o drink para acompanhar aquele beirute delícia ou aquela manjuba marota.

Vou rever Coquetel agora para descobrir qual é a manha de jogar os copos pro alto, porque já me acho craque no mojito. E não se surpreenda se um dia você me ver fazendo malabares na esquina da Brasil com a Nove de Julho.

* Lembrei de tudo isso sem consultar o Google. O momento memória de hoje é um oferecimento de Bacardi, o rum do Bátima.

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