Em alguma galáxia muito distante alguém me disse que fazer amizade com o atual namorado de ex-namorada era roubada. Eu não ouvi, porque estou ficando um tanto surdo e porque nunca ouço conselhos, apesar de buscá-los sempre. Mais ou menos como todas as pesquisas de opinião.
Mas enfim, o Rodrigo, namorado da Mônica, por conseguinte minha ex, sendo que eu já fui ex de… deixa para lá, isso parece trecho do Senhor dos Anéis. Enfim, o cara me passou um memê. É, aquela maldita lista onde você cita dez, cinco, vinte coisas que você ama/odeia/cor/cep/minha sogra é. Stop, Júlio, foco no texto! Enfim, quando lançarem a lista de vinte pessoas que devem tomar um tiro no cu, eu serei o primeiro a fazer o memê sem ficar de mimimi. E este páragrafo é meu, não dos Novos Baianos.
Mas a idéia é boa: dez músicas que fazem com que você reze para que os fones de ouvido não pulem da sua orelha e revelem para o mundo que você escuta Milionário e José Rico. Eu tenho mais medo disso do que o famoso sonho de ir sem as calças para a escola. Mesmo porque eu acho que já fui, sei lá. Então, Deeeejay, dá o play na tosqueira!
10 – You give love a bad name – Bon Jovi
Sonho de criança: uma peruca loira e uma calça de couro. A galera espera como se eu fosse o David Lee Roth de Pirituba. As luzes apagam, de repente um holofote aponta para mim, no centro do palco. E lá estou eu, de costas para o povo, batendo palmas e cantando:
Shot through the heart, and your to blame, darling
You give love a bad name
Daí o Ritchie Sambora começa o solo farofa de guitarra e eu, anosoitentosamente, corro para pegar o microfone e cantar. Cara, meus olhos brilham só de pensar nisso, puta merda!
9 – Fonte da saudade – Kleiton e Kledir
Pensem em dois grandes filhos da puta. Mas esperem, grandes mesmos. Os Yao Ming da filha da putice. Esses são Kleiton e Kledir com a maldita Fonte da saudade. Cara, a música tem mais frases feitas do que filme pornô. E são frases feitas fodas. Eu sempre quis falar para uma mulher “fecha a luz, apaga a porta”. E o que dizer de “vou ficar até o fim do dia, decorando tua geografia”. Puta merda! Eu decoraria a geografia da Mônica Belucci por séculos. Me chamem de Colombo!
8 – Boate azul – Milionário e José Rico
Prestem atenção:
Doente de amor, procurei remédio na vida nortuna
Com a flor da noite, em uma boate aqui na Zona Sul
A dor do amor, é com outro amor que a gente cura
Vim curar a dor, desse mal de amor, na boate azul
Cara, o cara tomou um toco da mulher e, não contente, correu para o Largo da Batata para pegar DSTs mil! Valentia, seus incautos. “Já que a vaca me fodeu, foderei com o pasto todo!”. Mas ele é mané e acabou caindo de amores pela moça da noite. Se bem que, vindo de um cara que ligou a cobrar para uma puta, isso aí até que é normal. E outra, qual é da Boate Azul? Rola a Smurfette? Dúvida cruel.
7 – La Barca – Luis Miguel
O cara canta boleros, meu povo. Boleros! Mas a minha história com essa música não envolve senhorinhas do União Fraterna. Explico: sempre mijei sangue de pensar na Cláudia Raia. Quando ela fazia o Tonhão, na TV Pirata, eu pensei tempos depois que era veado por desejá-la. A perna da mulher é quase do meu tamanho, puta merda! Ok, ela deu para o Frota, mas e daí? Vai dizer que uma noite, na boate azul, você não cagou na sabedoria?
Enfim, La barca era trilha de uma novela dela, que o nome fugiu. Mas pô, ao começar os acordes do violão farofa e a voz do Luis Miguel, eu me via em uma praia cantando para a Claudia Raia. Depois, convencida, ela daria para mim. Lindo.
6 – Craddle of love – Billy Idol
O Billy Idol é um Supla que deu certo. Se bem que, nos anos oitenta, até eu seria um superstar. Mas ele é foda. Ele tem cara de comedor, ele tem letras de comedor e ele grita de forma deveras bacana. E puta merda, o clipe do Craddle of love é lindo! Youtube o negócio e veja.
O lance é mais ou menos assim: tem um cara bobão no clipe – se não me engano é o Eugene Levy, que é mais conhecido como o pai de não sei quem no American Pie. Daí um loira gostosa chega do nada na casa do cara e começa a seduzi-lo. Enquanto a moça faz o serviço, Billy Idol aparece cantando em quadros, pintados no melhor estilo Andy Warhol! Imperdível!
5 – Brega chique (E o vento levou…) – Eduardo Dusek
Fosse o Tarantino brasileiro, Eduardo Dusek seria o roteirista do Kill Bill tupiniquim. Porque vejam, o cara canta sobre uma doméstica que vai trabalhar para um casal de americanos. Os gringos cheiram como se não houvesse amanhã e, em um belo dia, acabam descobertos e jogam a culpa na doméstica, que vai para o xilindró. Na cadeia aprende os meandros do sistema e vê que essa de ficar de quatro limpando azulejo não rola. Sai e resolve ficar de quatro no calçadão.
Até que um dia, um mercedinho prateado buzinou,
era um loiro alemão, que abriu a porta do carro e lhe tacou um bofetão!
Sim, a doméstica arrumou um barão! E ela vai morar em Sttutgart, onde ouve Mozart e Beethoven de montão! E cara, o herdeiro é um pretinho de olho azul! O Dusek é um gênio!
Depois disso, a doméstica precisa de uma empregada. Daí o mordomo, certo dia abre a porta e “dá de cara com uma loira, uma yankee de quintal”. Sim, é a antiga patroa, procurando emprego de doméstica! O final da coisa é apoteótico:
A nega deu uma gargalhada, disse ‘agora, tô vingaaaaaaaaaaaadaaaaaa…
Tu vai ser minha… doméstica-a-a-aaaaaa’
Caraleo, Kill Bill perdeu.
4 – Baby me leva – Latino
Se o Latino fosse uma pizza, seria mezzo batidas toscas dos anos oitenta, mezzo começo dos anos noventa, com borda recheada de funk (tem troco para cinquenta… centavos?). E Baby me leva é a Capela Sistina dessa mistura. Cara, a letra tem rimas sofríveis, a batida é tosca mas eu duvido que, quando o “moooooooooça, eu não sei mais o que pensar, a razão que foi nos separar” (lembram o que eu disse sobre as rimas?) começa você fique parado. Eu, o pior dançarino já visto, começo a chacoalhar freneticamente e velocidade cinco!
3 – Ando falando sozinho – Polegar
Dessa eu tenho vergonha. Sério. Mas ao mesmo tempo, Dr. Jeckyll e Mr. Hide, tenho uma vontade infame de cantar alto quando ela começa, com aquele fade out (hein?) do vocal, aquela repetição maldita que eu acho foda, mais ou menos assim:
Com esse jeito de quem não quer nada, me fez entrar na dança… dançaaaaaaaaaaa*
E eu achava que conto de fadas, era coisa de criança… criançaaaaaaaaaaaaaaaaaa*
Uôô-uôu! Uôôuô-ôu! Uôô-uôu!
Você diz que me adora, que fica comigo!
Destrói o meu amor, parte o meu coração!
Mas depois que eu fiquei sem você, ando falando sozinho! Ôô!
Droga, me empolguei. Enfim, o asterisco ali em cima destaca esse trecho, quando a patota toda se junta em torno do vocal. Lance esse que tem um mestre: Ritchie Sambora, o guitarra do Bon Jovi.
2 – Sandra Rosa Madalena – Sidney Magal
Se houvesse um ranking “Abertura de música que faz pular”, Magal seria declarado senhor de todas as coisas. Cara, impossível ficar quieto depois de ouvir um “Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar, quero ver o seu corpo, dançar sem parar”. Diz aí, Stephen Hawking!

"É a mulher com quem eu vivo a sonhar!"
Além disso, eu canto mal. Mal pacaraleo mesmo. Mas, modéstia enfiada no cu alheio, sou foda cantando Sandra Rosa Madalena. Foda mesmo!
1 – Fogo e Paixão – Wando
O maior colecionador de calcinhas do Universo gravou seu nome no cancioneiro do Inferno com Fogo e Paixão. Como dádiva demoníaca, recebeu do Coisa Ruim – as himself – o poder de tirar calcinhas com o pensamento. Porque se fosse pelo seu olhar 43, se foderia-se sem dó.

Voa calcinha, voa!
E ainda achou tempo para compor a melhor música de todos os tempos. Você pode tocar Fogo e Paixão a qualquer hora, em qualquer lugar. Seja em festa de criança ou para fazer um clima para sua patroa. Afinal de contas, que mulher não verte mais água do que Itaipu depois de ouvir isso?
Você é luz, é raio estrela e luar.
Manhã de sol, meu iáiá meu iôiô.
Você é sim, e nunca meu não.
Quando tão louca, me beija na boca, me ama no chão.
Aposto que todas as leitoras desse blog se molharam!
PS: Quem quiser fazer o memê, sirva-se. Eu não saberia quem indicar e não quero ser amaldiçoado pelo resto da vida. Já me basta o gosto musical, não é mesmo?