Arquivos da Categoria: Breguices

Talk to me

Daí que esse mundo da alta costura, da moda ou de qualquer outro clichê babaca que separe Herchcovitch dos bolivianos do Bom Retiro, sempre arruma um jeito de fazer o consumidor de otário, todo mundo sabe.

Afinal de contas a geral térrea do São Paulo Fashion Week baba ovo naqueles vestidos que nunca serão usados e naqueles paletós tão ridículos que Didi Mocó ganha um Nobel de mais bem vestido com seu clássico xadrez preto e branco com ombreiras.

Olha lá, tem 27 Rafales em cada ombreira do Didi

Terminado o espetáculo, os “artistas” juntam suas agulhas, seus pedaços de pano e despejam suas coleções em bazares e afins. Você vai lá com a sua namorada todo pimpão, achando que talvez encontrará uma camiseta engraçada que dure um pouco mais do que os três dias que as da Galeria costumam durar. Só que você lembra que é o mundo da “alta costura”, do qual os Sócrates do ponto e cruz jogam suas peças do Olimpo aqui para o Bom Retiro. E pô, Sedex da morada de Zeus é mais caro. Já pensou no tamanho do cachorro que o pobre do carteiro tem de enfrentar?

Aquelas camisetas engraçadas que resistem a hecatombes custam 120 reais. Um relógio sem marca com uma caveira desenhada custa 800 reais. Coerente, ao menos, afinal a Suíça não é uma Burkina Fasso. E um lindo paletó de corar o Didi custa risíveis 600 reais. Mas risíveis mesmo, visto que é uma espécie de Capela Sistina costurada a mão.

HAHAHAHAHAHAHAHA!

Se existe um mundo com mais gente enganada do que a internet, é o mundo onde vivem os monstros do pessoal indie. Porque não há nada mais indie do que esse paletó. E nada mais feio, também.

Top dez músicas que me fariam morrer de vergonha se o fone de ouvido escapasse dentro do elevador

Vendo as estatísticas aqui do blog (70% dos acessos vêm do Google, mas o BBB é mais importante) reparei que um dos textos mais lidos é o Top dez abajur cor de carne, uma lista de pecados musicais que eu cometo.

Porém, nos comentários, o Rodrigo e a Larissa invalidaram meu top top, dizendo que só é válido quando carrego as músicas no iPobre. Sou um cara de dívidas e, assim, resolvi que essa é uma daquelas que eu posso pagar sem problemas. Assim sendo, vamos ao Top dez músicas que me fariam morrer de vergonha se o fone de ouvido escapasse dentro do elevador.

10 – The Housemartins – Build

Um clássico do Alpha By Night. Você pode não ligar o autor a obra, mas o refrão do “Papapapapel” ecoará por 250 gerações. Sem contar que aquele backing vocal cantando o famoso refrão é genial.

9 – A-Ha – Crying in the rain

I’ll never let you see
The way my broken heart is hurting in me
I’ve got my pride and I know how to hide
All my sorrow and pain
I’ll do my crying in the rain

Existe coisa mais farofa do que ir chorar na chuva? Existem outras oito, pelo menos, senão esta seria o número um. Mas mesmo assim o A-Ha cava um lugar na lista com esse clássico que começa ao som de trovões e bateria. O cara conta que vai chorar na chuva para esconder as lágrimas de um amor perdido. E acredita que, um dia, vai parar de chover. Nesse dia, ele vestirá um sorriso e andará pelo sol, numa boa, como se nada tivesse acontecido.

Tomou uma bota da mulher que ama, mesmo assim não reclama e aguenta a dor de largado? Morten Harket pensou em você, amigo.

8 – Milli Vanilli – Girl I’m gonna miss you

Muito antes do Kibeloco, o Milli Vanilli tinha plagiado Girl I’m gonna miss you. A farsa foi descoberta mas o poder farofa da música é mais forte do que qualquer coisa. Tanto que ela resiste, até hoje, como trilha sonora para quem se foi. Foi uma tragédia ver que o sonho acabou. Para quem está só e para o Milli e o Vanilli, que nunca mais tiveram moral para copiar alguém.

7 – Carly Simon – Nobody does it better

O cabelo da Carly Simon não nega que ela dos anos 80, porque anos 80 é armação ilimitada. Mas se resta alguma dúvida, Nobody does it better encerra o caso. Choradeira sem fim sobre como a outra pessoa é fodona, como faz coisas fodonas, como consegue liberar todos os achievments de Bioshock sem cagar na calcinha/cueca ao menos uma vez. Uma declaração de amor com tanta passividade que, em determinado trecho da música, você tem vontade de comentar para todos a sua volta que o homenageado pela Carly Simon é fodão. Mas não faça isso. Pega mal.

6 – Haddaway – I miss you

O cara que não sabe o que é o amor e pede para que o bebê não o machuque, não o machuque, nunca mais não poderia ficar fora dessa lista. I miss you, na opinião brega deste, é a obra-prima deste mestre. Tem uma batida genial para trilha sonora, discurso de introdução (um clássico em música farofas, aperfeiçoado pelo Manhattans) e letra na pegada “não vivo sem você” no ponto exato.

5 – Eduardo Dusek – Que rei sou eu

Se você tem mais de 25, deve lembrar do belo par de peitos que a Giulia Gam tinha nos idos de 1989, quando o Bial ainda comandava o BBB (Bate, Bate Brasil!) por lá. Pois se você lembra disso, vai lembrar de Que Rei sou eu, composta pelo gênio Eduardo Dusek, trilha sonora da novela de mesmo nome.

Que rei sou eu, se tenho generosidade?
Que rei sou eu, com fé e com honestidade?
Se desconheço autoridade sem vaidade, que rei sou eu?
Eu só sou rei porque o rei de lá morreu

Como em todas as músicas do mestre, o arranjo brega no melhor estilo quarto de empregada vitoriana misturado com  as letras nonsense e humoradas dão a Que rei sou eu a sensação de música de séculos. Se Mozart tivesse o bom humor do Dusek, a música clássica seria comercializada no Largo da Batata.

4 – 14 Bis – Todo azul do mar

“Escravo do seu amor, livre para amar”. Se ligou na pegada “fodeu, sou seu, rima com eu”? Agora coloque uma voz fina, espécie de King Diamond crooner, na parada. Pronto, temos Todo azul do mar. Mas a fossa é tanta que precisa de emissário submarino para não virar Praia de Botafogo.

3 – John Secada – Angel

O Lekabel diz que Jon Secada é a antítese do Wando: em todas as músicas ele se fode. Em Angel, porém, Jon Secada chora o porvir. Ele está com a mulher, mas reclama que pode tomar bota lá na frente. É o Warren Buffet da farofice, brincando com o mercado de futuros do coração (Roberto Carlos, anota essa frase!). A terceira posição é do Coringa da breguice, um cara quie chora em público por algo que ainda não aconteceu.

2 – White Karyn – Superwoman

O hino do dramalhão dona de casa. A mulher faz o café da manhã e o cara reclama que o suco costumava ser mais doce. Corre na hora do rush para arrumar a cama e fazer o jantar, mas o cara chega e diz que não tá com fome, que vai ler o jornal e que não quer que aquele pedaço de carcaça imunda o incomode. Ok, forcei a barra, mas a linha é essa. Daí a mulher diz que não é a Super Mulher, pois caso fosse estaria dando um picote, sei lá, com o Lanterna Verde. E segue reclamando em backing vocals sensacionais que você só escuta na Alpha FM. A letra é de uma choradeira tão infeliz que você olha para Oskar Schindler e pensa: PFFFFFFFFFF.

No fim, tudo que ela precisa é amor. Igual aos Beatles, mas sem a pretensão de passar mensagem para o mundo. White Karyn é maior que o White Album.

1 – Roberto Carlos – Todas as manhãs

Chuva fina no meu pára-brisa
Vento de saudade no meu peito
Visibilidade distorcida, pela lágrima caída
Pela dor da solidão

Não dá para competir com Robertão. Quando ele não quer esmirilhar na breguice, compõe bobagens como essa música da novela das oito. Agora quando ele quer ser o dono da porra toda, o homem do Medalhão, o cara da camisa mais aberta entre os camisas abertas do mundo brega, deixa qualquer um no chinelo. E todas as manhãs é o supra-sumo disso. Porque Detalhes é foda demais para ser brega. Amada amante é muito experimental. Todas as manhãs não. Tem arranjo de rádio AM, tem letra de caminhoneiro, tem lamúria de gente apaixonada  demais.

E o melhor mullet de todos os tempos.

Top cinco pais que eu queria ter se não fosse bastardo

Não sei se vocês sabem, mas eu não tenho pai. Quer dizer, até tenho porque não vou fazer pose de Jesus Cristo e inventar um tal de Deus para as estripulias (oi?) da Maria, mas ele não me registrou. Quando pegam meu RG, fica aquele espaço em branco que causa desconforto na galera. Na Idade Média eu seria um bastardo. Nos dias atuais, sou apenas filho do Carnaval. O grande detalhe é que as pessoas pensam que eu sou um desses caras que a qualquer momento vai entrar com uma AK 47 na Montanha Encantada do Playcenter, atirar até em pipoqueiro e depois culpar o pai ausente enquanto é entrevistado pelo Datena. Eu sei, quem vai na Montanha Encantada depois de todos esses anos merece morrer. Mas ninguém tem consicência social de verdade nesse país.

De qualquer forma, se um dia eu pudesse colocar um nome qualquer para aplacar o sentimento de pena com o qual os atendentes olham para o meu documento e pensam “pobre coitado, foi criado em uma caixa de mangas junto com pombas do Viaduto do Chá”, eu escolheria um dos cinco figuras que seguem. Porque não basta ser pai, é preciso ser melhor que o pai do Pedrinho, aquele que empina pipa, joga bola, sabe tudo de Winning Eleven e come a mãe mais gostosa da rua.

Darth Vader

Seu pai brinca de lightsaber com você! Nos dias de hoje, onde os pais estão cada vez mais ocupados tentando trazer dinheiro para casa, pai Vader encontra tempo entre explodir Aldeeran e matar comissários incompetentes para, de brinks, tirar um sarro com sabre de luz e tal. Não bastasse isso, ele ainda te defende do Imperador (o outro), aquele velho pedófilo que queria comer toda a molecada da rua. Sem contar que, mesmo se você for dinamarquês seu pai pode ser negão numa boa, uma subversão ao método Branjelina de constituição de família.

Lemmy Kilmister

Não levando em conta o fato de que você começaria a beber Jack Daniels com seis anos, Lemmy é um grande pai por diversos motivos. Primeiro, ele é líder do Motorhead. Quem em sã consciência faria qualquer coisa contra o filho do Lemmy? Sério, você poderia ser o maior nerd da história e aquele valentão que já pregou peças em gente como Stephen Hawking e Bill Gates não vai ousar enconstar a mão em você. Afinal de contas ele tem pesadelos com milhões de motoqueiros brotando do chão ao som de Ace of Spades. Ok, a quem eu quero enganar? Lemmy seria um grande pai porque te iniciaria no Jack Daniels aos seis anos de idade. E anos depois, junto coms eu grande pai, você teria um grande fígado.

Latino

Seu pai seria um dos maiores gênios da música nacional. O cara que rima “Renata” com “ingrata”, o gênio que te chama para uma festa anunciando o bunda lelê, o Mozart do pop brega! Sério, você não ia nascer, ia ter um baile com birita até amanhecer e, quando estivesse saindo da sua mãe, seu pai ia cantar:

Chega aí,
pode sair,
vem aí,
tá em casa!

Sem contar que só teria enfermeira rebolando o popozão. Pega essa.

Vicent Cassel

Sua mãe seria a Monica Belucci. E você iria mamar até os 114 anos.

Jon Bon Jovi

O nome Jon Bon Jovi no documento de uma pessoa faz a diferença entre ser homem e ser aquele que é maior que o Fernando Lugo. Afinal de contas, imagine você, catarrento no pré-primário, encostado em um canto qualquer do pátio. De repente, passam as cocotas de  cinco anos, mais velhas e que você e tal. Você então solta uma clássica como essa:

I wanna lay you dow on a bed of roses,
for tonight I sleep on a bed of nails.

Você nunca vai ver tanta calcinha das meninas superpoderosas voando. E isso será uma constante na sua vida. Todo dia papai vai acordar, fazer o seu ovo frito com bacon e soltar um xaveco na sua mãe, cheio da malemolência de Mestre Oliver que o Bon Jovi tem. Aos vinte anos você vai ter comido mais mulheres do que toda a humanidade junta. Aos quarenta você vai conseguir fazer com que pandas se acasalem três vezes por dia. Aos sessenta você vai enfiar o pau nas calotas polares de acabar com a vida na Terra. Aos oitenta você vai repovoar todo o planeta usando um peixe elétrico, uma baleia e uma playboy da Carla Bruni.

Breguices

Há anos a humanidade busca o conceito de arte. Tem gente que vê arte nos quadros do Picasso, gente que prefere os desenhos do John Romita. Alguns acham que toda e qualquer expressão cultural é arte e ponto, desde o axé até as árias de Mozart. Cada povo tem a arte que melhor lhe convém e enrolações do tipo.

Agora, se existe uma arte que o cara tem de ser bom é a arte brega. Porque ser brega está além da compreensão humana, além de toda e qualquer convenção, técnicas e afins. Ser brega é falar com o coração e esperar ser ouvido pelo coração de outro (olha eu tentando).

Porque tocar o coração daquela empregada que rala para ganhar R$ 300 por mês, depois de percorrer metade da cidade enfurnada em um ônibus com outras 299 pessoas (a única paridade que o salário dela tem, livre de impostos claro) é tarefa hercúlea. Quando Amado Batista canta sobre o amor por uma menina de cadeira de rodas, aquilo soa infeliz, desgraçado e tocante para a pessoa. Pelo menos alguém no mundo está pior que ela, mas ainda assim ama e tal.

Outro ponto do brega é o humor. Nenhum outro tipo de música faz você rir com a desgraça ou a cafonice alheia. O rock é experimental demais para isso (se bem que nos anos 80 houve uma aproximação). O punk, muito político. O bolero é o bolero e ponto. A música brega não, ela ri de si mesma e ri de você. Vai que alguém te pega escutando Odair José? É chacota na certa.

E se tem um cara que faz isso muito bem é o Latino. Porque além de ser brega em tudo: no jeito de se vestir, no jeito de se portar no palco, Latino tem letras absurdamente bregas, com frases como a “desgraça da Katiaça”. Mesmo quando flerta com o sofrimento do amor, ele solta um “baby me leva” e você se pergunta: por que diabos eu tô ouvindo isso, rindo disso e principalmente gostando disso?

O Latino é antigo demais para os padrões de hoje, com suas batidas Double You e seus trocadilhos infames. Ele é um Eduardo Dusek menos perspicaz, ou menos elitizado se o termo convir. No seu nicho, o povo brega, ele é rei. Dusek é mais intelectual do ponto de vista povão (mas como gênio que é, fala das coisas do povo).

No top cinco de coisas toscas que eu acho foda, Latino está presente. Pois como já disse antes: se o Latino fosse uma pizza, seria mezzo batidas toscas dos anos oitenta, mezzo começo dos anos noventa, com borda recheada de funk (tem troco para cinquenta… centavos?).

O dia em que morri em casa, minha mãe disse “vamos enterrar”

Certo é que a minha morte não trará comoção. Não fiz nada pela humanidade e, provavelmente, não virei a fazer. Se bem que um dia eu pretendo levar a cabo uma grande invenção: o teletransporte. Mas e daí, ninguém vai visitar o túmulo do Graham Bell.

Talvez meu credores corram para chorar o dinheiro que se foi. Ou para cobrar meus familiares. Se bem que eu acho que meus familiares não irão ao meu velório. Chupa essa manga, Mastercard!

Daí que, seguindo um mememerdamaisum!? da Gabi, tenho de escolher uma música para o dia em que eu abotoar o paletó de madeira. E como eu estou afim de que muitas pessoas compareçam para beber o morto, chorar de forma falsa e falar bobagem, eu preciso fazer uma festa. E esta festa precisa de uma trilha sonora.

Então temos um pequeno problema: uma música só deve ser escolhida. Sério, não dá para pensar nisso só com uma música. Sendo assim, imagino algumas situações.

Blondie – Heart of glass

Confessei recentemente no twitter que essa música me faz ter vontade de dançar. Entendam, eu dançando é tal e qual o Kassab ditando para crianças do ensino fundamental ou a Marta dizendo palavras com a letra “s” sem Corega. Fracassamos epicamente. Daí que, no dia do meu velório, eu quero que toque essa música, porque ela cativa as pessoas a dançarem. E quando todo mundo estiver dançando eu, com dezenas de fios elétricos no corpo, levantarei e começarei a “dançar”, graças a um botão apertado pelo Junior (ia chamar o Eric, mas tenho medo que dê errado). Imagina só, todo mundo sjiogando e tal e de repente o morto aparece para uma última dança. Seria docaraleo.

Michael Jackson – Thriller

Em outra situação, imagino todos os amigos fazendo uma bela festa por causa da minha morte. Todo mundo comendo bem, bebendo bem, se dando bem. De repente surge um cover do Michael Jackson. E ele começa a cantar e dançar Thriller. Todo mundo acha estranho e fica mais apavorado ainda quando eu e o restante dos mortos do cemitério levantamos e começamos a fazer a coreografia clássica. A verdade eu já estarei enterrado em qualquer outro lugar e todos os mortos são atores com maquiagem, uma vez que os mortos não dançam e eu não sei se tenho tempo suficiente para decorar a coreografia do clipe. Droga, estraguei a surpresa.

Wando – Fogo e paixão

Quando o caixão desce, a comoção toma conta de todos. E começa aquela chuva de flores, cartas, lágrimas, essas coisas. Mas eu sempre imagino que, no meu enterro, a coisa será diferente. Previamente combinado, convidarei todas as mulheres que eu já peguei até o dia da morte. Para isso, é claro, preciso combinar com os russos, ou seja, ter uma morte que me permita fazer planos pelo menos dois antes antes. Quebra esse galho aí, Dona Magrela.

Enfim, na hora que o caixote de madeira estiver baixando, todas as mulheres vão jogar suas calcinhas em cima do meu caixão. Caprichem moças, nada de calcinha bege e tal. Ou pode até ser, visto que ninguém vai usar mesmo. Pois bem, enquanto as calcinhas voam eu, no meu último vídeo em vida, gravo uma versão da música. Se eu estiver em coma, peço por gentileza que alguém chacoalhe meus braços enquanto a música rola ao fundo. Quebra essa, Lelê?

Júlio César e seus Petrorianos Amestrados – Morreu, me fodeu!

Se um dia eu aprender a tocar guitarra, cantar e beber mais do que eu bebo, eu terei uma banda. E essa banda terá uma música para o dia da minha morte. E ela será assim:

Tava de boa, lá no Senado,
dando rolê, com o Caio Graco,
vendo as cocota, passar de lado,
vendo o Pilatos e seu namorado,

*aqui a batera e a guitarra começam a moer*

Mas de repente, vi que fudeu.
quando o Brutus, apareceu,
disse que o Império, escafedeu,
e que a República naaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaasceeeeeeeeeeeeu!

Morreu! *morreu*
Me fudeu! *Me fudeu!*
Morreu! *morreu*
Me fudeu! *Me fudeu!*

Yaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah – grito Billy Idol sytle.

Com uma facada tudo acabou,
todo meu baço, ele rasgou,
Filho da puta, barbarizou,
no meu enterro, aqui estooooooooooooooooooouuuuuuuuuuuu…

Morreu! *morreu*
Me fudeu! *Me fudeu!*
Morreu! *morreu*
Me fudeu! *Me fudeu!*

Sério, tomara que eu nunca tenha uma banda na minha vida. E nem na minha morte.

PS: Participa do meme quem quiser. Estou cansado desse lance de Império. Quer democracia, toma!

Top dez do abajur cor de carne

Em alguma galáxia muito distante alguém me disse que fazer amizade com o atual namorado de ex-namorada era roubada. Eu não ouvi, porque estou ficando um tanto surdo e porque nunca ouço conselhos, apesar de buscá-los sempre. Mais ou menos como todas as pesquisas de opinião.

Mas enfim, o Rodrigo, namorado da Mônica, por conseguinte minha ex, sendo que eu já fui ex de… deixa para lá, isso parece trecho do Senhor dos Anéis. Enfim, o cara me passou um memê. É, aquela maldita lista onde você cita dez, cinco, vinte coisas que você ama/odeia/cor/cep/minha sogra é. Stop, Júlio, foco no texto! Enfim, quando lançarem a lista de vinte pessoas que devem tomar um tiro no cu, eu serei o primeiro a fazer o memê sem ficar de mimimi. E este páragrafo é meu, não dos Novos Baianos.

Mas a idéia é boa: dez músicas que fazem com que você reze para que os fones de ouvido não pulem da sua orelha e revelem para o mundo que você escuta Milionário e José Rico. Eu tenho mais medo disso do que o famoso sonho de ir sem as calças para a escola. Mesmo porque eu acho que já fui, sei lá. Então, Deeeejay, dá o play na tosqueira!

10 – You give love a bad name – Bon Jovi

Sonho de criança: uma peruca loira e uma calça de couro. A galera espera como se eu fosse o David Lee Roth de Pirituba. As luzes apagam, de repente um holofote aponta para mim, no centro do palco. E lá estou eu, de costas para o povo, batendo palmas e cantando:

Shot through the heart, and your to blame, darling
You give love a bad name

Daí o Ritchie Sambora começa o solo farofa de guitarra e eu, anosoitentosamente, corro para pegar o microfone e cantar. Cara, meus olhos brilham só de pensar nisso, puta merda!

9 – Fonte da saudade – Kleiton e Kledir

Pensem em dois grandes filhos da puta. Mas esperem, grandes mesmos. Os Yao Ming da filha da putice. Esses são Kleiton e Kledir com a maldita Fonte da saudade. Cara, a música tem mais frases feitas do que filme pornô. E são frases feitas fodas. Eu sempre quis falar para uma mulher “fecha a luz, apaga a porta”. E o que dizer de “vou ficar até o fim do dia, decorando tua geografia”. Puta merda! Eu decoraria a geografia da Mônica Belucci por séculos. Me chamem de Colombo!

8 – Boate azul – Milionário e José Rico 

Prestem atenção:

Doente de amor, procurei remédio na vida nortuna
Com a flor da noite, em uma boate aqui na Zona Sul
A dor do amor, é com outro amor que a gente cura
Vim curar a dor, desse mal de amor, na boate azul

Cara, o cara tomou um toco da mulher e, não contente, correu para o Largo da Batata para pegar DSTs mil! Valentia, seus incautos. “Já que a vaca me fodeu, foderei com o pasto todo!”. Mas ele é mané e acabou caindo de amores pela moça da noite. Se bem que, vindo de um cara que ligou a cobrar para uma puta, isso aí até que é normal. E outra, qual é da Boate Azul? Rola a Smurfette? Dúvida cruel.

7 – La Barca – Luis Miguel

O cara canta boleros, meu povo. Boleros! Mas a minha história com essa música não envolve senhorinhas do União Fraterna. Explico: sempre mijei sangue de pensar na Cláudia Raia. Quando ela fazia o Tonhão, na TV Pirata, eu pensei tempos depois que era veado por desejá-la. A perna da mulher é quase do meu tamanho, puta merda! Ok, ela deu para o Frota, mas e daí? Vai dizer que uma noite, na boate azul, você não cagou na sabedoria?

Enfim, La barca era trilha de uma novela dela, que o nome fugiu. Mas pô, ao começar os acordes do violão farofa e a voz do Luis Miguel, eu me via em uma praia cantando para a Claudia Raia. Depois, convencida, ela daria para mim. Lindo.

6 – Craddle of love – Billy Idol

O Billy Idol é um Supla que deu certo. Se bem que, nos anos oitenta, até eu seria um superstar. Mas ele é foda. Ele tem cara de comedor, ele tem letras de comedor e ele grita de forma deveras bacana. E puta merda, o clipe do Craddle of love é lindo! Youtube o negócio e veja.

O lance é mais ou menos assim:  tem um cara bobão no clipe  – se não me engano é o Eugene Levy, que é mais conhecido como o pai de não sei quem no American Pie. Daí um loira gostosa chega do nada na casa do cara e começa a seduzi-lo. Enquanto a moça faz o serviço, Billy Idol aparece cantando em quadros, pintados no melhor estilo Andy Warhol! Imperdível!

5 – Brega chique (E o vento levou…) – Eduardo Dusek

Fosse o Tarantino brasileiro, Eduardo Dusek seria o roteirista do Kill Bill tupiniquim. Porque vejam, o cara canta sobre uma doméstica que vai trabalhar para um casal de americanos. Os gringos cheiram como se não houvesse amanhã e, em um belo dia, acabam descobertos e jogam a culpa na doméstica, que vai para o xilindró. Na cadeia aprende os meandros do sistema  e vê que essa de ficar de quatro limpando azulejo não rola. Sai e resolve ficar de quatro no calçadão.

Até que um dia, um mercedinho prateado buzinou,
era um loiro alemão, que abriu a porta do carro e lhe tacou um bofetão!

Sim, a doméstica arrumou um barão! E ela vai morar em Sttutgart, onde ouve Mozart e Beethoven de montão! E cara, o herdeiro é um pretinho de olho azul! O Dusek é um gênio!

Depois disso, a doméstica precisa de uma empregada. Daí o mordomo, certo dia abre a porta e “dá de cara com uma loira, uma yankee de quintal”. Sim, é a antiga patroa, procurando emprego de doméstica! O final da coisa é apoteótico:

A nega deu uma gargalhada, disse ‘agora, tô vingaaaaaaaaaaaadaaaaaa…
Tu vai ser minha… doméstica-a-a-aaaaaa’

Caraleo, Kill Bill perdeu.

4 – Baby me leva – Latino

Se o Latino fosse uma pizza, seria mezzo batidas toscas dos anos oitenta, mezzo começo dos anos noventa, com borda recheada de funk (tem troco para cinquenta… centavos?). E Baby me leva é a Capela Sistina dessa mistura. Cara, a letra tem rimas sofríveis, a batida é tosca mas eu duvido que, quando o “moooooooooça, eu não sei mais o que pensar, a razão que foi nos separar” (lembram o que eu disse sobre as rimas?) começa você fique parado. Eu, o pior dançarino já visto, começo a chacoalhar freneticamente e velocidade cinco!

3 – Ando falando sozinho – Polegar

Dessa eu tenho vergonha. Sério. Mas ao mesmo tempo, Dr. Jeckyll e Mr. Hide, tenho uma vontade infame de cantar alto quando ela começa, com aquele fade out (hein?) do vocal, aquela repetição maldita que eu acho foda, mais ou menos assim:

Com esse jeito de quem não quer nada, me fez entrar na dança… dançaaaaaaaaaaa*
E eu achava que conto de fadas, era coisa de criança… criançaaaaaaaaaaaaaaaaaa*
Uôô-uôu! Uôôuô-ôu! Uôô-uôu!

Você diz que me adora, que fica comigo!
Destrói o meu amor, parte o meu coração!
Mas depois que eu fiquei sem você, ando falando sozinho! Ôô!

Droga, me empolguei. Enfim, o asterisco ali em cima destaca esse trecho, quando a patota toda se junta em torno do vocal. Lance esse que tem um mestre: Ritchie Sambora, o guitarra do Bon Jovi.

2 – Sandra Rosa Madalena – Sidney Magal

Se houvesse um ranking “Abertura de música que faz pular”, Magal seria declarado senhor de todas as coisas. Cara, impossível ficar quieto depois de ouvir um “Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar, quero ver o seu corpo, dançar sem parar”. Diz aí, Stephen Hawking!

"É a mulher com quem eu vivo a sonhar!"

"É a mulher com quem eu vivo a sonhar!"

Além disso, eu canto mal. Mal pacaraleo mesmo. Mas, modéstia enfiada no cu alheio, sou foda cantando Sandra Rosa Madalena. Foda mesmo!

1 – Fogo e Paixão – Wando

O maior colecionador de calcinhas do Universo gravou seu nome no cancioneiro do Inferno com Fogo e Paixão. Como dádiva demoníaca, recebeu do Coisa Ruim – as himself – o poder de tirar calcinhas com o pensamento. Porque se fosse pelo seu olhar 43, se foderia-se sem dó.

Voa calcinha, voa!

Voa calcinha, voa!

E ainda achou tempo para compor a melhor música de todos os tempos. Você pode tocar Fogo e Paixão a qualquer hora, em qualquer lugar. Seja em festa de criança ou para fazer um clima para sua patroa. Afinal de contas, que mulher não verte mais água do que Itaipu depois de ouvir isso?

Você é luz, é raio estrela e luar.
Manhã de sol,  meu iáiá meu iôiô.
Você é sim, e nunca meu não.
Quando tão louca, me beija na boca, me ama no chão.

Aposto que todas as leitoras desse blog se molharam!

PS: Quem quiser fazer o memê, sirva-se. Eu não saberia quem indicar e não quero ser amaldiçoado pelo resto da vida. Já me basta o gosto musical, não é mesmo?

Ao vencedor, as calcinhas

Gosto do brega, no geral. Acho que o movimento brega é uma das coisas mais originais do mundo, porque não tem medo de ser o que realmente é: uma grande e incrível merda. Sejam letras de música, aquela cantada canastra ou aquela camisa roxa com babados nas mangas, que te dá a aparência “Isaac no Bar Mitzvah”, tudo isso é originalmente ruim. Por isso é bom.

Mas a música é meu Eldorado da breguice. Eu não posso escutar duas rimas bem das canastras que eu decoro e tento usar o máximo possível. Quando eu escutei Paixão, do Kleiton e Kledir, pela primeira vez, tentava a todo o momento usar a frase “vou ficar até o fim do dia, decorando a tua geografia”. Valeria para qualquer situação como, por exemplo, uma ida ao supermercado. Estou eu lá no caixa, a moça termina de passar tudo, eu fico parado e tal:

- Moço, vai pagar ou vai ficar aí o dia todo?
- Vou ficar até o fim do dia… decorando a tua geografia.

Além do mais, pegar caixa de mercado é brega street wear.

Mas tem caras que são simplesmente geniais no mundo brega. O Eduardo Dusek, por exemplo, é o Mozart, o Beethoven da breguice. O cara é um gênio, com letras engraçadas e que zoam o brega sendo brega. Alémd o que, toca piano que é uma beleza. Amado Batista é outro. Ruim de matar, com um vocal sofrível, o homem cunhou frases como “aquela menina em sua cadeira de rodas” de forma magistral.

E tem o Wando. Eu poderia perder linhas inteiras falando do Wando aqui. Mas aí vem a Eskala e faz o comercial que deveria ganhar todos os Leões em Cannes. Aliás, o nome do prêmio deveria mudar para “Eskala em Cannes”. Vejam só, que pérola.

Ele é gordo, ele é feio e ele ganha milhares de calcinhas. Wando é um mito! Tão foda que até a turma do metal resolveu homenagear.

Wando is evil! Pelo menos a cara de Demo ele tem.

PS: Agradecimentos à Sam e ao Adriano pelos vídeos fantárdigos!

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 34 outros seguidores