Arquivos da Categoria: Eu não matei Joana Darc

Agradeço ao Brejnev pelas brahminhas

Quando os aviões erraram a rota e bateram sem querer no World Trade Center [/ahmadnejad], achei na hora dois culpados para a catástrofe arabesca: os EUA, irresponsáveis o suficiente para não descolarem flanelinhas aéreos; e os russos, putos da vida com essa história de não serem mais a mãe, o pai, o avô e aquele tio malvado estilo Scar do povo soviético e de outros grupos étnicos conquistados com muito frio, vodca e kalashinikovs.

Eu era jovem, magro, comuna e feliz, não me julguem.

Pois bem, os anos se passaram, descobrimos que Bin Laden não é Silvio Santos mas também manda aviõezinhos e me frustrei pois a União Soviética não tinha voltado e os filmes do Jack Ryan apelariam para organizações neonazistas. Uma pena. Mas agora, no raiar de 2011, arrumam uma pesquisa dizendo que sim, de Vladvostok até o Vostok nas redondezas da Radial Leste, grande parte dos russos desejam que a URSS volte com a foice, o martelo e quem sabe um toco de madeira que renda uma boa cadeira.

Eu sei, tem nego no Mackenzie Putin da vida com essa pesquisa. Na USP, a galera deve andar dividida, Medveded a Medveded: uns topam voltar para os aparelhos, já outros só vão se rolar supino e a mulherada lava as mãos pedindo pilates. Eu do meu lado aprendendo a ler Adam Smith quero mais é que eles se virem por lá e, se comunas voltarem a ser, que pelo menos arrumem um cara com bigode nos lábios como o Stalin e não aquele que tinha bigode na testa, o Brejnev.

Uma pinça do tamanho da Soyuz resolve essa treta

Pensem quão legal seria ir na Vila Madá tomar brejas com Brejnev. Doutor, Divago, me expulsem e não deixem eles lerem meu romance sonífero de quinhentas página sentados na Praça Vermelha.

De qualquer forma a saudade é uma foice, coração é um martelo, comunismo bate na alma mesmo sendo flagelo, acho que seria legal ver de volta aquela galera de vermelho, os uniformes com CCCP na Copa do Mundo, Michka, Obama dando uma de Kennedy destruindo a aura de bom moço ao invadir Cuba, a Dilma dando uma banana pro Dirça falando “fiquem eles lá com seus canhões que eu fico aqui na artilharia”, o FHC gabolando e, gagá que só, visitando o Gorba na Turquia para dizer “relembre o que eu escrevi, curto vocês mais que demais”. Seria um mundo muito louco onde teríamos de volta o bem e o mal e não esse “olha mãe, tô em cima do muro sem as mãos”.

Sem contar no estrago que isso faria na Europa. Eu sei, o mundo tá tranquilão, salvo um Oriente Médio aqui, uma Ossétia do Norte acolá. Mas pô, estamos aí criando uma geração de crianças que são verdadeiros tenentes no Call of Duty e verdadeiras médicas do Exército da Salvação no mundo real. Nos falta uma guerra, daquelas grandes, daquelas onde nego passa tanta fome que não tem tempo de encher o saco no tuiter e mandar mensagens como “#submarinofail que não entregou a segunda temporada de Glee SÓ PORQUE ESTAMOS EM GUERRA”. Ok, não seria tão legal assim, mas pelo menos teríamos as piadas ruins. Se bem que isso já tenho. Com comunas, sem comunas, até com a volta dos espartanos e das Cruzadas. Aitolás, digo, alías, a volta das Cruzadas seria legal. Um monte de cachorros atravessando a Europa só para darem um picote na Terra Santa.

A queda da Bastilha

- Você tá bem?

Ela tentava limpar os joelhos, envergonhada de cair assim,  do nada, no meio da rua.

- Tô sim, só um tombo bobo.
- Tem certeza? Parece que foi feio.
- Nada. Em alguns séculos me recupero. Prazer, Bastilha.
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

A cara de poucos amigos deu a entender que não era hora para rir.

- Desculpa. É que meu nome é Robespierre!
- Mentira!
- Juro.

Do tombo para o café, do café para o bar, do bar para o motel mais próximo.

- Documentos, por favor.
- Espera, seu nome é Lucia!
- Claro! Você acha que alguém pode se chamar Bastilha ou Robespierre?
- Mas meu nome é Robespierre!
- Mentira!
- Juro.
- E isso impede algo?
- Claro! Como eu vou contar nos livros que graças a queda da Bastilha eu me dei bem?
- Você chama Robespierre. Você já está nos livros. Um monte deles. E outra, você não se deu tão bem assim.
- É, eu perdi a cabeça.
- Tá vendo, igual ao outro.
- E livre.
- Droga!
- Que foi?
- Não consigo usar fraterno.
- Tudo bem, só a Liza Minelli consegue.

Lucia desceu do carro e foi embora, porque não há iluminismo que sustente uma piada tão ruim.

Meanwhile in Washington

- Ae Negão, o Zé Polvinho conseguiu!
- Brinks!
- Sério, se liga ae, olha a capa do Meia Hora.
- Malandro! O que ele falou?
- Sei lá, deve ter vindo com aquele papinho mole dele e uma garrafa da boa.
- É o cara!

Meanwhile in Teerã

- Ô figura, chega ae.
- Fala aí.
- Sério mesmo que você vai ficar nessas paradas de enriquecer urânio? Eu digo, puta bobagem isso, velho. Tem mulher, tem praia, tem feijuca, te cachaça no mundo e  você aí, esquentando o turbante por causa de uma parada que nem dá ressaca? Para de ser loco, ô kibe!
- Mas mano, eu tenho que me impor na quebrada. Só tem árabe malucão nessa porra, eu sou o normal aqui.
- Falô, falô. Mas sério, assina aí essa porra com o turco. Eu até assinaria, ma tô zoado.
- Tendinite?
- Não, ensino médio. Perae  que meu celular tá tocando.

- Wazzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzup!
- Fala negão!
- Maluco, tu conseguiu mesmo. O barba assinou?
- Ô, o barba sou eu. O barba e o cara, que porra é essa?
- Firma, o porteiro assinou.
- Assinou maluco, na minha frente, me senti tão fodão quanto aquele cara que toma Ypioca as sete da manhã.
- Er, você?
- Viver é quebrar recordes negritude. Mas ae, firma, preciso resolver o BO aqui.
- Beleza. Vai assinar com o dedo?
- Vou. Nem te conto quem é a carimbeira.

A batalha do disc jóquei

As tropas inglesas estavam a postos. Do outro lado, os escoceses maltrapilhos e pintados de azul aguardavam. A frente deles, William Wallace.

William tinha toda a estratégia preparada. Sabia começar e terminar aquele conflito. E, acima de tudo, sabia que seria matador. De início, os ingleses não entenderam. Estranharam a escolha, se perguntaram o por que de tudo aquilo. Pouco tempo depois, porém, estavam na luta, se entregando aos poucos ao set com Depeche Mode, Smiths, The Cure, Lou Bega, Wando e Lady Gaga. William Wallace atacara de DJ com sucesso.

Mambo caliente

Quer dizer, com sucesso até a hora em que tocou Belle e Sabastian. Os ingleses acharam uma afronta não pelo fato da banda ser escocesa, mas por ser mais chata do que contar para o Henrique VIII que ele é pai de uma linda menina. O destino de William foi o machado. Mas sua tática perdura até hoje nas casas norturnas de todo o mundo.

Rebeca, ingrata, levou minha batata

Que o Latino é um cara genial é de conhecimento público. Agora pensa se ele fosse o cantor das multidões na época da Segunda Guerra, por exemplo. Quão geniais seriam as letras sobre o incrível embate entre o Eixo e os Aliados, apitado por Carlos Eugênio Simon?

Baby me leva, por exemplo, teria uma pega mais triste, algo com um quê de retorno a terra querida que os judeus ainda não tinham.

Joshua, eu não sei mais o que cobrar,
Os alemão querem no separar,
Será o Hitler que quis assim?

Só sei, que não consigo suportar,
A dor no peito por ter de deixar,
A prataria do Efraiiiiiim.

Rabino me leeeeeeva,
Me leva à Prometida, me leva,
Me leva que o chuveiro nos espera,
Dou 10% e um emir.

E Festa no apê em homenagem ao dia em que os Aliados desceram na Normandia?

Hoje é festa, é o dia D,
Pode aparecer,
Vai rolar nazilelê,
Hoje é festa, é o dia D,
Tem metranca até amanhecer.

Chega aí, pelo mar,
Ou então, paraquedas.

Olá, prazer, a praia – huuuuuum – é nossa,
Kowalski, por favor vem aqui,
E atira naqueles nazistas.

Tá bom, tá é bom,
Tanto tiro, invasão,
Eu cai, estou ferido,
Traz morfina pra ligaaaaaaaaaaaar.

Hoje é festa, é o dia D,
Pode aparecer,
Vai rolar nazilelê,
Hoje é festa, é o dia D,
Tem metranca até amanhecer.

Ainda dá tempo de entrar para a história da música, Latino. Ainda dá tempo.

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