É quase certo que um texto “sério” nunca baixou por estas bandas. Mas como recordar é morrer de vergonha, achei duas matérias minhas que foram publicadas em um caderno especial do jornal da faculdade, o Expressão – nome ridículo é mato – sobre os 60 anos da Segunda Guerra Mundial. Se a memória não erra, a sugestão do tema foi minha. Na época eu era fissurado pela Guerrona e pelos comunas. Mas não era muito fissurado pelo estudo vez que, dos entrevistados, só o Junior existe. Os outros são fontes imaginárias da minha mente nada brilhante. Aviso de antemão que o texto é uma droga pois, se escrevo mal hoje, imagina nos tempos de estudante de jornalismo afimzão de mudar o mundo wannabe?
Stalingrado ou Normandia
Júlio César Soares
Durante as comemorações dos 60 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, o presidente russo Vladimir Putin declarou que o mundo foi liberto a ameaça nazista graças ao levante soviético contra a Wermacht, o exército alemão. Putin, de certa forma, trouxe à tona um dos debates mais conturbados sobre a Guerra: afinal de contas, sem os soviéticos o mundo sucumbiria ao Terceiro Reich?
Para o historiador Márcio Alvarenga, as declarações do presidente russo têm “certa razão, principalmente se levarmos em conta a resistência soviética em Stalingrado e o contra-ataque em Kursk. Sem o poderio do Exército Vermelho para atacar a frente Leste da Wermacht, dificilmente os Aliados que atacavam a Oeste resistiriam a blitzkrieg (ataque maciço e coordenado contra alvos definidos) das unidades nazistas”.
O debate sobre o vencedor da guerra entre os Países Aliados sempre é suscitado por pontos diferentes. Para alguns historiadores, a vitória do exército aliado só aconteceu graças ao empenho dos soviéticos, que depois da batalha de Kursk atravessaram a Europa e, em menos de um ano, fizeram praça nas ruas de Berlim.
Já para outros, o empenho norte-americano na frente Oeste – apoiado pela Inglaterra, França, Canadá, Brasil, entre outros – contra os ataques eficientes da Wermacht, foi fundamental para o desvio das tropas nazistas do Leste para o Oeste da Europa, ajudando os soviéticos. “Os Aliados que invadiram o Oeste da Europa, em especial os norte-americanos, anularam as provisões nazistas. Um Tiger (tanque nazista) por mais resistente e aterrorizante, não funciona sem gasolina. Neste ponto os americanos foram eficientes, sem contar as resoluções econômicas que ampliaram a influência norte-americana sobre a Europa no Pós-Guerra”, diz o especialista em Segunda Guerra
Mundial, Álvaro Martins.
Posterior à guerra, o conflito entre soviéticos e norte-americanos durante à Guerra Fria aumentou as especulações sobre quem foi fundamental para a queda de Hitler. A definição do especialista em Segunda Guerra, José Costa Júnior, talvez seja a mais livre de propaganda de ambas as partes. Para Júnior, “ao aliados venceram a Guerra. Americanos, ingleses, soviéticos e as outras nações que combateram o nazismo”.
Berlim é vermelha
Foram 2.195 dias de guerra. Mais de 50 milhões de mortos (cerca de 20 milhões de soviéticos e quase 6 milhões de judeus assassinados nos campos de extermínio nazistas). Entre 100 e 110 milhões de pessoas envolvidas em batalhas, provenientes de 61 nações. Batalhas que se estenderam
por mais de 11 milhões de quilômetros quadrados.
Quando a Segunda Guerra Mundial chegou ao fim, a população mundial não tinha sequer noção desses números. Apenas chorava por ter presenciado as maiores atrocidades até então já vistas.
Hoje, 60 anos depois, o mundo ainda se assusta e se indigna com o que aconteceu de 1939 até 1945.
“Os números poderiam ser ainda mais assustadores se o Reich tivesse durado todo o tempo prometido pelos alemães: mil anos”, conta o historiador Paulo Pereira. Foram apenas 12. “A derrocada do nazismo de Adolf Hitler começou com as batalhas de Stalingrado, Kursk e da Normandia (Dia D). Em Stalingrado, o exército alemão viu que poderia ser derrotado”, explica o historiador.
Cerca de 185 mil aliados invadiram as praias francesas. No dia 6 de junho de 1944, o Dia D, 75.515 soldados britânicos e canadenses e 57.500 americanos desembarcaram pela costa da Normandia. Outros 7.900 e 15.500, respectivamente, foram pelo ar. Hitler deslocou as tropas que controlavam a área de Kursk, na União Soviética, e mandou seus tanques cobrirem a invasão americana na Sicília, a oeste. Com isso, deixou que os comunistas batessem a porta do Führerbunker, abrigo de Hitler em Berlim. “Daí para o fim foi um questão de meses”, diz Pereira.
Ao perceber a aproximação das tropas soviéticas, em 30 abril de 1945, Hitler preferiu a morte. Seus restos jamais foram encontrados e há quem diga que ele tenha dado ordem a um cabo para que o matasse com um tiro e enrolasse seu corpo em pneus, incinerando-o e tornando qualquer identificação impossível. O suicídio ainda é a versão mais provável.
No mesmo dia, o exército vermelho chegou a Berlim e os homens do marechal Georgi Zhukov invadiram a sede do Reich. “Quando a bandeira com a foice e o martelo já tremulava no topo do Reichstag (Parlamento Alemão), os nazistas, sem Hitler, se renderam. No dia sete de maio, o general Alfred Jodl assinou a rendição”, conta o historiador.
Depois do fim da participação alemã na Guerra, faltava a desistência do Japão, último do eixo. A Itália já havia se rendido em 1943. Com o lançamento da bomba atômica pelos norte-americanos, o imperador do Japão foi obrigado a assinar o ponto final da guerra e declarou na época: “O inimigo começou a lançar uma nova e aterrorizante bomba, capaz de matar muitas pessoas inocentes e cujo poder de destruição é inestimável. Se continuássemos a lutar, isto significaria não apenas o fim da
nação japonesa, mas também levaria ao extermínio completo da civilização humana.” Hirohito, o imperador, não exagerou. Os bombardeios castigaram suas cinco principais cidades – Tóquio,
Osaka, Nagoya, Kobe e Yokohama – e destruiu Hiroshima e Nagasaki.