Arquivos da Categoria: Too old to rock

HI MR. OSBOURNE!

Tinha doze ou treze anos quando escutei Paranoid pela primeira vez. Foi no clássico Rock and Roll Racing, para Mega Drive. Lá estava eu, empolgado com o jogo e com aquela música sensacional que embalava curvas, armadilhas e toda a sorte de desgraças que acontecia nas corridas do jogo.

Tempos depois descobri o álbum, Paranoid. Para mim, é um dos melhores da história, senão o melhor. Tem a música que dá nome ao álbum, Iron man, War Pigs, Eletric funeral, Planet Caravan e Fairies wear boots. É um baita de um disco, parece até coletânea. Devo ter escutado, sei lá, três anos depois do jogo. Até então minha formação musical eram os CDs do Smiths e do Talkingheads do meu irmão, músicas da Rádio Globo que minha mãe escutava, rap e aqueles R&B farofas da Radio Cidade por parte da minha irmã e um ou outro pagodão por parte do meu outro irmão. Era tão Torre de Babel que tenho medo de olhar para trás e virar sal.

O Sabbath foi, pelo menos que me vem à memória, a primeira banda que fui buscar sozinho. Escutei o Vol. 4 e achei lindo. Spiral Architect talvez seja a melhor música do Sabbath Bloody Sabbath, e por aí vai. Depois disso, corri para a carreira solo do Ozzy. A primeira vez que escutei Bark at the moon eu pirei. Achei que Ozzy era, sei lá, um ser de outro planeta que veio ao mundo para nos dizer o quanto alguém pode ser foda. Perry Mason sempre tocava nos comerciais do Duro de matar quando o filme ia passar na Globo. Era aquela cena que ele joga a cadeira com C4 no fosso do elevador e começa TUM DUM TUM DUM TUM DUM DUM TUM DUM TUM DUM. Achava aquilo fantástico.

Quando a caixa preta chegou em casa, minha mãe pensou ser uma bomba. Explico: um dia antes ela recebeu aquelas clássicas ligações do PCC, cujo teor merece ser narrado.

- Alô.
- Alô, tia?
- Eu não tenho sobrinho!
- A senhora tem neto?
- Tenho…
- Alô vó!
- Seu lazarento filha da puta você é ladrão, vai se foder.
- Ah é? Vou mandar uma bomba para a casa da senhora!
- Ah vá para a puta que o pariu!

Contrariando as dicas de qualquer esquadrão antibombas do mundo, minha mãe abriu a caixa e assustou como se fosse um explosivo com peruca. Expliquei para ela que era uma promoção do pessoal do Oi Acontece, na qual eu concorreria à chance de conhecer o maior cantor do mundo. Pelo menos para mim.

Coloquei a peruca, os óculos, a cruz, o anel de caveira. Preparei, com a ajuda do Junior, um prato de morcegos de chocolate com catchup. Para fazer a vez de sangue, páprica, barbecue e mais catchup. Corri o risco de ter ficar com fissura labial, mas meu amigo, o bem maior era conhecer o Ozzy. Subi a foto na esperança de pelo menos participar. Quando recebi o resultado, no pátio de um shopping de São Paulo, parei atônito procurando alguém para falar “MEU AMIGO EU VOU CONHECER OZZY OSBOURNE MEU DEUS DO CÉU!”.

NOM NOM NOM NOM

O maior espetáculo da Terra. Já devem ter usado esse termo para alguma coisa. A primeira sessão de cinema, talvez. Alguma apresentação de Houdini, sei lá. Eu uso para o show do Ozzy, no Anhembi. Fantástico não define.

Quando o Ozzy apareceu no Greet and meet, tremi. Não é sempre que você vê um mito na sua frente. Todos os olhos viram um senhor de um metro e sessenta, meio baleado pelos 40 anos de rock and roll. Mas meus olhos viram o que o Ozzy é: um cara de três metros de altura, com asas de morcego e cauda em forma de seta. Ou então um lobisomem de três metros uivando para a lua. Ao me aproximar, estendi a mão e balbuciei um “Hi, Mr. Osbourne”. Ele respondeu algo inteligível, do tipo “Sharonhowthefuckworkstheseremotecontrol” – igual às falas que víamos no The Osbournes. Perguntei se ele podia autografar minha edição da autobiografia “Eu sou Ozzy” e ele escreveu “Best wishes, Ozzy Osbourne”. Eu tremia feito um paranóico.

Ozzy Osbourne e aquele irmão Gibb do Bee Gees que não era cabeludo

Na hora da foto, só sobrou a mão que segurava o livro para fazer o clássico símbolo do metal. Me confundi e em determinado momento mostrei sem querer o dedo médio. Para minha sorte, saiu os chifres, eternizados ironicamente por Ronnie James Dio. Ou para meu azar, porque um dedo médio apontado para câmera ao lado de Ozzy Osbourne me renderia grandes pontos no ranking “coisas fantásticas que alguém já fez na vida”. Mais maluco do que isso, só ver através da janela fadas vestindo botas.

Pontualmente às nove e meia Ozzy começou cantando Bark at the moon. Escondida, a lua deu lugar a uma chuva torrencial, daquelas que dá início a música Black Sabbath, do primeiro álbum da banda. Certeza que havia bruxas voando por perto. Não me importava com o aguaceiro mandado dos céus para talvez calar o Príncipe das Trevas. Ozzy também não e nos deixou mostrar o quanto somos fãs dele:

- LISTEN IN AWE AND YOU HE-HEAR HIM…

O microfone apontou para nós, os mais de 30 mil do Anhembi, que gritamos:

- BARK AT THE MOON!

Daí para frente tivemos Mr. Crowley, War Pigs, Shoot in the dark, Crazy Train, Fairies wear boots. Terminou com “Mama I’m coming home” e logo depois de “Paranoid” veio o famoso “ThankyougoodnightGodblessyouall!”. Ainda ali não acreditava que tinha apertado a mão de Ozzy Osbourne. Como não acredito até agora que tirei uma foto com Ozzy Osbourne. Olho para o autógrafo e penso que tudo isso foi um grande sonho. Daí eu lembro que, no meio de uma chuva torrencial eu estava fazendo o famoso chifre com as mãos, as mesmas mãos que cumprimentaram John Osbourne, nascido em Aston, na Inglaterra, que compôs Fairies wear boots, que mordeu a cabeça de um morcego, que estrangulou e casou com a Sharon, que tem uma filha que foi cocota e hoje é estranha e que, um dia, empolgou um moleque cabeçudo de doze anos que fazia curvas e derrapagens com carros tunados alienígenas.

LET THE CARNAGE BEGIN! TAM DAM DAM TÃRÃDÃDÃ TÃRÃDÃDÃ TAM DAM DAM.

PS: foram mais de 335 mil views na foto, e tanta gente para agradecer que eu já ouço a bandinha do Oscar subindo a música e eu com cara de tacho no palco. Mas de verdade, obrigado a todo mundo que me ajudou nessa história. Eu não sei nem mensurar como foi cumprimentar o Ozzy e devo isso às pessoas que divulgaram, que deram RT, que inventaram mensagens de apoio ao Japão ou de pornografia com o link da imagem, que desencanaram de participar para me dar uma força. Parafraseando o Príncipe das Trevas: ThankyougoodnightGodblessyouall!

Zumbeatles

Vocês não devem saber, mas não gosto de Beatles. Acho a música meio sacal, apesar de coisas boas como Revolution. Enfim, das pedras que vocês vão atirar, farei o Rolling Stones.

Porém, vindo para o trabalho, escutei no rádio que a banda Zoom Beatles faria show em algum bar roque and rou de Sampa. Como sou meio surdo, achei que o show seria do Zumbeatles. A junção brilhante de zumbis e Beatles.

Pensem em quatro caras fantasiados de zumbi. Seus cabelos meio desgrenhados, ternos aos farrafos e instrumentos lascados. Acompanhando a banda, os seguintes sucessos:

Oh yeah I tell something
I think you understand
When I say that something
I wanna eat your braaaaaaaaaaaaaain

Ou então:

She eat you yeah yeah yeah
She eat you yeah yeah yeah
She eat you yeah yeah yeeeeeeah

You think you lost your brain
Well she eat they yesterday
It’s you brain she eating now
And she gonna eat your hand

E ainda um clássico:

Let me eat, let me eat
Let me eat, let me eat
Let me eat your braaaaaaaaaains
Let me eat.

Por fim:

Free, as a zombie,
As man who can eat,
Your brains and booooooooooooones.

Se ideia idiota desse dinheiro, eu seria o George Soros da Bobolândia.

Top dez músicas que me fariam morrer de vergonha se o fone de ouvido escapasse dentro do elevador

Vendo as estatísticas aqui do blog (70% dos acessos vêm do Google, mas o BBB é mais importante) reparei que um dos textos mais lidos é o Top dez abajur cor de carne, uma lista de pecados musicais que eu cometo.

Porém, nos comentários, o Rodrigo e a Larissa invalidaram meu top top, dizendo que só é válido quando carrego as músicas no iPobre. Sou um cara de dívidas e, assim, resolvi que essa é uma daquelas que eu posso pagar sem problemas. Assim sendo, vamos ao Top dez músicas que me fariam morrer de vergonha se o fone de ouvido escapasse dentro do elevador.

10 – The Housemartins – Build

Um clássico do Alpha By Night. Você pode não ligar o autor a obra, mas o refrão do “Papapapapel” ecoará por 250 gerações. Sem contar que aquele backing vocal cantando o famoso refrão é genial.

9 – A-Ha – Crying in the rain

I’ll never let you see
The way my broken heart is hurting in me
I’ve got my pride and I know how to hide
All my sorrow and pain
I’ll do my crying in the rain

Existe coisa mais farofa do que ir chorar na chuva? Existem outras oito, pelo menos, senão esta seria o número um. Mas mesmo assim o A-Ha cava um lugar na lista com esse clássico que começa ao som de trovões e bateria. O cara conta que vai chorar na chuva para esconder as lágrimas de um amor perdido. E acredita que, um dia, vai parar de chover. Nesse dia, ele vestirá um sorriso e andará pelo sol, numa boa, como se nada tivesse acontecido.

Tomou uma bota da mulher que ama, mesmo assim não reclama e aguenta a dor de largado? Morten Harket pensou em você, amigo.

8 – Milli Vanilli – Girl I’m gonna miss you

Muito antes do Kibeloco, o Milli Vanilli tinha plagiado Girl I’m gonna miss you. A farsa foi descoberta mas o poder farofa da música é mais forte do que qualquer coisa. Tanto que ela resiste, até hoje, como trilha sonora para quem se foi. Foi uma tragédia ver que o sonho acabou. Para quem está só e para o Milli e o Vanilli, que nunca mais tiveram moral para copiar alguém.

7 – Carly Simon – Nobody does it better

O cabelo da Carly Simon não nega que ela dos anos 80, porque anos 80 é armação ilimitada. Mas se resta alguma dúvida, Nobody does it better encerra o caso. Choradeira sem fim sobre como a outra pessoa é fodona, como faz coisas fodonas, como consegue liberar todos os achievments de Bioshock sem cagar na calcinha/cueca ao menos uma vez. Uma declaração de amor com tanta passividade que, em determinado trecho da música, você tem vontade de comentar para todos a sua volta que o homenageado pela Carly Simon é fodão. Mas não faça isso. Pega mal.

6 – Haddaway – I miss you

O cara que não sabe o que é o amor e pede para que o bebê não o machuque, não o machuque, nunca mais não poderia ficar fora dessa lista. I miss you, na opinião brega deste, é a obra-prima deste mestre. Tem uma batida genial para trilha sonora, discurso de introdução (um clássico em música farofas, aperfeiçoado pelo Manhattans) e letra na pegada “não vivo sem você” no ponto exato.

5 – Eduardo Dusek – Que rei sou eu

Se você tem mais de 25, deve lembrar do belo par de peitos que a Giulia Gam tinha nos idos de 1989, quando o Bial ainda comandava o BBB (Bate, Bate Brasil!) por lá. Pois se você lembra disso, vai lembrar de Que Rei sou eu, composta pelo gênio Eduardo Dusek, trilha sonora da novela de mesmo nome.

Que rei sou eu, se tenho generosidade?
Que rei sou eu, com fé e com honestidade?
Se desconheço autoridade sem vaidade, que rei sou eu?
Eu só sou rei porque o rei de lá morreu

Como em todas as músicas do mestre, o arranjo brega no melhor estilo quarto de empregada vitoriana misturado com  as letras nonsense e humoradas dão a Que rei sou eu a sensação de música de séculos. Se Mozart tivesse o bom humor do Dusek, a música clássica seria comercializada no Largo da Batata.

4 – 14 Bis – Todo azul do mar

“Escravo do seu amor, livre para amar”. Se ligou na pegada “fodeu, sou seu, rima com eu”? Agora coloque uma voz fina, espécie de King Diamond crooner, na parada. Pronto, temos Todo azul do mar. Mas a fossa é tanta que precisa de emissário submarino para não virar Praia de Botafogo.

3 – John Secada – Angel

O Lekabel diz que Jon Secada é a antítese do Wando: em todas as músicas ele se fode. Em Angel, porém, Jon Secada chora o porvir. Ele está com a mulher, mas reclama que pode tomar bota lá na frente. É o Warren Buffet da farofice, brincando com o mercado de futuros do coração (Roberto Carlos, anota essa frase!). A terceira posição é do Coringa da breguice, um cara quie chora em público por algo que ainda não aconteceu.

2 – White Karyn – Superwoman

O hino do dramalhão dona de casa. A mulher faz o café da manhã e o cara reclama que o suco costumava ser mais doce. Corre na hora do rush para arrumar a cama e fazer o jantar, mas o cara chega e diz que não tá com fome, que vai ler o jornal e que não quer que aquele pedaço de carcaça imunda o incomode. Ok, forcei a barra, mas a linha é essa. Daí a mulher diz que não é a Super Mulher, pois caso fosse estaria dando um picote, sei lá, com o Lanterna Verde. E segue reclamando em backing vocals sensacionais que você só escuta na Alpha FM. A letra é de uma choradeira tão infeliz que você olha para Oskar Schindler e pensa: PFFFFFFFFFF.

No fim, tudo que ela precisa é amor. Igual aos Beatles, mas sem a pretensão de passar mensagem para o mundo. White Karyn é maior que o White Album.

1 – Roberto Carlos – Todas as manhãs

Chuva fina no meu pára-brisa
Vento de saudade no meu peito
Visibilidade distorcida, pela lágrima caída
Pela dor da solidão

Não dá para competir com Robertão. Quando ele não quer esmirilhar na breguice, compõe bobagens como essa música da novela das oito. Agora quando ele quer ser o dono da porra toda, o homem do Medalhão, o cara da camisa mais aberta entre os camisas abertas do mundo brega, deixa qualquer um no chinelo. E todas as manhãs é o supra-sumo disso. Porque Detalhes é foda demais para ser brega. Amada amante é muito experimental. Todas as manhãs não. Tem arranjo de rádio AM, tem letra de caminhoneiro, tem lamúria de gente apaixonada  demais.

E o melhor mullet de todos os tempos.

Funk das Perigóticas

Augusto dos Anjos era um cara boladão,
Curtia um cemitério e The Mission de montão,
Pegava as cocotas com malicia e respeito,
Nunca esquecendo o lápis de olho preto.

PERIGO-IGO-IGO PERIGÓTICAS!

Sobretudo preto e todo maquiado,
Com o funk dos góticos ninguém fica parado,
Dança pra parede, dança sem parar,
No baile dos góticos não vale se alegrar.

PERIGO-IGO-IGO PEPEPEPEPERIGÓTICAS!

Daaaaaaaaaaaaaaança na parede, tchutchuca!

Eu tenho The Cure,
Para todos seus problemas,
Só pintar a cara de branco,
Que o Satã é o esquema.

Nosso bonde é pra baixo,
Nosso bonde é suicida,
No baile das perigóticas,
Ninguém dança na pista.

As minas ficam lôca,
O bagulho é sem caô,
Se tem Sisters of Mercy,
A gente toca terror!

PERIGO-IGO-IGO PERIGÓTICAS!

O bode e a cabra

Pois devo assumir que a beleza de Rock Band Beatles vai além da abertura do jogo, que é fantástica. A ambientação é perfeita, a sinergia entre o público e a banda beira o absurdo e outros mil fatores comprovam que a Harmonix e a MTV acertaram em cheio.

Mas fica a pergunta: se conseguiram caprichar tanto, porque não fizeram isso antes? Porque chega a ser risível jogar Rock Band depois dos Beatles. O primeiro tinha lá suas inovações, isso é óbvio. Mas o segundo, exceto aquela chatice de fãs e afins, não muda em nada. Apenas em uma cidade a tela fica meio lisérgica, algo foda por sinal, mas só. No mais, continua aquele fundo confuso de Rock Band, uma cara de show da banda Motores no CB, coisa que o Guitar Hero supera com seus grandes palcos, principalmente GH Metallica.

Apesar da lista de músicas – e aqui é questão de gosto, acho os Beatles chatos pacaraleo – Rock Band Beatles é um jogo que merece ser jogado até o infinito, sozinho ou com amigos. Mas bem que poderiam aproveitar e relançar o do AC/DC com gráficos melhores e, claro, com os caras da banda.

Para os fãs de Beatles que vierem aqui comentar que eu me rendi, deixo de presente I wanna hold your hand, as made famous by Rita Lee.

Duvido que alguém tenha feito uma “tradução” dessas com músicas do Sabbath.

As andorinhas voltaram, mas o ninho sumiu

Nem qualquer temporada de Lost, “açaí, guardião, zum de besouro, um imã” ou o por que de uma pessoa decidir que voar com bexigas é uma ideia brilhante conseguem bater o enigma do momento: onde foi parar o cantor Belchior?

Se você fez bem em perder o Fantástico de ontem não sabe que, desde 2007, Belchior anda sumido. Amigos dizem que não têm notícias. A família não sabe onde o cantor se enfiou. Os credores mandam cartas e cartas. Os fãs nem ligam porque duas andorinhas não fazem verão.

Pois eu tenho a resposta. Não faça seu login no Yahoo. Feche essa janela do Google. Se tem medo de avião, segure pela primeira vez na minha mão e confira as possíveis soluções para o misterioso desaparecimento desse rapaz latino americano.

Metalinguagem

Qual lugar no mundo seria o esconderijo perfeito? Algum bairro periférico de Cabul? O turbante do Osama? O Senado? Belchior, esse gênio do cancioneiro nacional, sabe que este lugar está bem debaixo do seu nariz. Lugar esse onde estão Hitler, Elvis e, recém-chegado, Michael Jackson.

À esquerda, no bigode, o artista dentro do artista

À esquerda, no bigode, o artista dentro do artista

Senado Federal

A sociedade está revoltada com o Senado. A quantidade de bigodudos que andam aprontando atos secretos beira à União Soviética. Exímio empresário, Belchior percebeu um nicho de mercado e, deixando de lado a genialidade de suas composições, resolveu que era hora de levantar uma grana e fazer um pé de meia antes do seu próximo hit.

Belchior compondo letras que são secretas ao público comum

A clássica Irrevogável, jogado aos seus pés, eu sou mesmo irrevogável, na bela voz de Belchior

A clássica "Irrevogável, jogado aos seus pés, eu sou mesmo irrevogável", na bela voz de Belchior

Eu sou apenas um rapaz do Império Prussiano

Belchior não foi reconhecido pela música brasileira. Cansado da vida de jabás e de pessoas que se acotovelavam para cofiar seus bigode, o cantor resolveu ganhar a vida percorrendo o finado Império Prussiano como cover do grande líder daquela outrora imensa nação, o chanceler Ott Von Bismarck, conhecido por unificar a Alemanha.

Foi com medo de avião que eu fui para a Europa de barco

Foi com medo de avião que eu fui para a Europa de barco

The Killers

Com a volta do banda ao Brasil, os americanos do The Killers vão anunciar a notícia mais bombástica de Las Vegas e de Sobral: Brandon Flowers dará lugar a um bigode de verdade, um bigode de garbo, um fim a essa marotice “sou um office-boy de 14 anos e trabalho escravo wannabe”. Belchior será o novo vocalista da banda. O primeiro single, Fear of the plane, contará com a participação de Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden.

Só me resta o nazismo. Heil Flowers!

Só me resta o nazismo. Heil Flowers!

Se você está com saudades do Stálin da música brasileira, não tema. Em breve ele voltará, para dominar as paradas de sucesso com mão de ferro e bigode de aço.

[entra a Internacional Comunista. Em arquivo midi]

Preço alto pode matar show do Killers

O pessoal do The Killers toca em novembro no Brasil e, afim de matar meu bolso (puta merda, que piada linda de ruim!) vão cobrar duzentos paus em um ingresso. Duzentos mangos! Duas notas de cem! O Killers é bom, mas vamos combinar que eles não compuseram Paranoid e não tem o nome no Dark Side of the Moon.

Lendo sobre o preço absurdo, pensei em cinco shows que eu pagaria mais de duzentão para ver.

Wando Live at the Ozzfest

Sabemos que o Ozzy não anda bem das ideias desde 1978. Portanto não seria de se espantar se ele resolvesse convidar o Princípe das Calcinhas para um mash up entre Goodbye to romance e Fogo e paixão. Seria apoteótico e, certeza, os caras do Slipknot fariam uma versão nu metal horas depois.

Latino

Não existe relação custo-benefício maior do que um show do Latino. Afinal de contas você tem música, piada, mulher quase pelada e um dos maiores artistas de todos os tempos. Se somar tudo isso, cada ingresso separado sai por quanto? Sessenta? Bem melhor que o Cirque du Soleil.

Bon Jovi

Dois cantores, um ingresso. Ritchie Sambora é como um brinde para os duzentos mangos que você pagou para ver o Reginaldo Rossi novo e adaptado a cultura americana.

Mega Broxas

Os caras são os Mamonas sem acidente de avião. Na verdade, são melhores, e nem pelo fato de continuarem vivos. Saquarema é de uma letra ímpar e Mogi de trem é como se o Beethoven encontrasse o Double You. A batida poperô da música, combinada com a letra mais imbecil da história, casam certinho com a idiotice que impera em pessoas como eu. Duzentos é pouco.

Ozzy and Rhandy Rhoads Live at the Dio’s Fronthouse

Imagina só se o Rhandy Rhoads, de repente, chegasse e falasse “brinks Ozzy, tô vivão!”. Daí, para sacanear, os caras iam beber todas e fazer um show na frente da casa do Dio, como que dizendo “se fode aí que eu peguei um guitarrista tão foda quanto o Tony e vocês pegaram um anão!”. Dio não estaria a altura de um evento desses. Depois do show, claro, eles iam beber mais ainda e Rhandy ia morrer de verdade. Porque ninguém morre depois do Ozzy.

The wedding cake incident?

Cada vez que eu vejo o clipe de November Rain uma nova porta se abre no meu cérebro. E cheguei a conclusão de que o Guns queria na verdade passar uma mensagem para o futuro. É como se o Nostradamus tivesse uma banda.

Porque a coisa é desencontrada. Os caras do Guns em uma festa é algo impossível até no mais absurdo dos mundos. A Stephanie Seymour morre porque tomou chuva. Axl casa na Capela Sistina mas o solo do Slash mostra que, na verdade, eles estão na capela de El Paso, aquela onde a Uma Thurman tomou uns pipocos do Bill e da patota. Michael Anthony, do Van Halen, faz o papel de maestro e do Matt Sorum. Alguém desconhecido dá um mosh no bolo de casamento.

Dessa suruba toda você pode tirar diversas conclusões. Por exemplo, o Guns previu a gripe suína. Morrer de chuva, porra, só pode ser gripe. E a Seymour se fodeu no espirro da pururuca. Michael Anthony vem de uma banda onde os integrantes brigam mais do que a geral na Faixa de Gaza. Aliás, o Van Halen conseguiu brigar com o Gary Cherone, que o cara animadão no Hole Hearted do Extreme, aquele clipe onde eles pagam de artistas que tocam em frente as Casas Bahia do Teatro Municipal. Axl e Slash anteviam a treta eterna do Guns e os fãs nem se ligaram. Para o mosh no bolo do casamento eu ainda não cheguei a nenhuma conclusão, me desculpem.

O fato é que nem a mente do Scott Stapp, vocal do Creed e ser doente, conseguiria bolar um clipe tão teatro do absurdo. E olha que ele é o cara de My Sacrifice.

November Rain é uma mensagem as gerações futuras. A mensagem de que, em um mundo normal, Stephanie Seymour e Slash não perderiam tempo indo ao casamento do Axl. Nunca se sabe quando se pode morrer, quando sua banda vai acabar ou qualquer outra sorte de fatalidade.

Top cinco melhores clipes de quem não sabe nada de clipes

Vocês sabem, sejam pelos textos daqui ou pelas idas ao karaokê, que eu tenho um gosto musical para lá de questionável. Ao mesmo tempo em que acho Ode à alegria do caraleo, eu escuto Bon Jovi fazendo o backing do Richie Sambora. Gostar de música não é necessariamente gostar de música boa e eu tenho outros problemas piores como ter parado nos anos oitenta, por exemplo.

Enfim, além da música em si eu acho foda quem faz um videoclipe bem feito. Não digo só bem feito tecnicamente: se ele for engraçado já vale para figurar na minha lista dos mais legais. Talvez o essencial seja combinar com o que a música diz. Anota o recado Creed, pois nunca entendi o que diabos um cara salvando a si mesmo de um alagamento, enquanto crianças jogam beisebol em meio ao dilúvio, tem a ver com My sacrifice. Sacríficio é ver o vídeo, é certo.

Enrolações à parte, é hora do top cinco melhores videoclipes de um cara que não entende nada de música.

Green Jelly – Three little pigs

A história do Lobo Mau e dos Três Porquinhos em versão pesada, com a particiapação do Rambo e um dos Porquinhos fumando maconha. I rest my case.

Pearl Jam – Do the evolution

Desenhos do Todd McFarlane, roteiro sensacional e uma música fodaralhaça. Superou Jeremy, que entraria nessa lista fácil, porque tem o timing perfeito entre letra e vídeo.

Michael Jackson – Thriller

Um clipe de 17 minutos faz vocês pensar “por que diabos eu vou assistir aflauta maldita do Jethro Tull”. Mas aí vem um pocket filme de terror, com uma coreografia que te faz ter vontade de se vestir de zumbi e sair dançando onde quer qe estaja. Sendo acompanhado pelas pessoas a sua volta, até virar um lobisomem. Thriller é revolucionário. Devíamos ter camisetas dele e não do Che sendo usadas à exaustão.

Hot for teacher – Van Halen

Waldo é nerd e embarca no primeiro dia da escola. Ao chegar na sala encontra “mini Van Halens” (o Michael Anthony usou o filho dele, só pode!) e professoras que tiram a roupa e dançam na sala de biquini. Tudo isso com a guitarra de Eddie e o vocal de David Lee Roth, uma das tias velhas mais legais do roque.

Sacrifice – Motorheäd

“PUTA QUE ME PARIU”, pensei quando vi Sacrifice pela primeira vez. Além de ser uma música do Motorhëad, o que já vale a espiada apesar da cara macabra de Lemmy Kilmister, ele tem cenas do caraleo da Segunda Guerra e tem uma dançarina vestida de enfermeira! São tantas cenas clássicas, como a do beijo de sangue entre as verrugas – que mais parecem vulcões – do Lemmy, ou ele com a caveira mais mal feita da história da televisão no colo, que você tem vontade de acionar o repeat paa todo o sempre. Mas o melhor é a hora em que a enfermeira é encoxada pelo guitarista. Tosco, trash e fantástico. Sem contar o cenário, que é simplesmente uma grande merda mal feita. Brilhante!

Menção honrosa: Smack my bitch up – The Prodigy

Uma noite alucinante em inferninhos. Em primeira pessoa.

It’s only rock and roll, but it’s booooooooring

Um show (ao vivo, mal ae), filmes, clipes e fotos me fizeram chegar a conclusão óbvia: Charlie Watts odeia ser baterista.

Sei lá, creio que ele sempre quis ser fiscal da receita, flanelinha, uma daquelas pessoas que ficam segurando bandeiras de novos empreendimentos imobiliários no farol ou bonecão de posto de gasolina. Uma coisa é certa: ele sempre quis fazer algo chato.

Só isso explica a cara de tédio que ele sempre – desde o tempo em que Mick Jagger não era um emaranhado de rugas e quiçá Keith Richards era sóbrio – tem quando aparece com os Stones. Porque não há a remota possibilidade de aceitarmos o enfastio do baterista em uma das profissões mais legais de todos os tempos. Toda a vez que uma câmera vira para Watts ele está com aquela cara de criança em campeonato de biriba para a terceira idade. As pedras rolam e Watts parece mais com vontade de toma os chá das cinco. Que ele não pode deixar de perder às cinco, provando ser um adorador das coisas mais chatas da humanidade.

Mas por que há essa desilusão profissional estampada em Watts? Puta merda, trata-se de uma das melhores bandas de todos os tempos. Os caras parecem ser legais – salvo Mick Jagger e aquela mania de querer ser o Henry Ford do rock – e porra, a palavra rotina deve inexistir em um ambiente desses. Se você um dia reclamar do seu emprego, lembre-se que poderia fazer a coisa mais legal do mundo com essa cara.

Puta merda, queria tanto separar as 200 vias azuis das amarelas!

Puta merda, queria tanto separar as 200 vias azuis das amarelas!

Certeza que ele adoraria meu trabalho, que é quase um episódio de McGyver, profissão perigo.

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