Tu te tornas eternamente responsável pela trepada que não liberas

Devem existir duas coisas nas quais eu sou bem sucedido. E eu desconheço completamente uma delas. Talvez eu seja bom, fodão mesmo, em aquecer urânio nas usinas do Irã. Mas e aí, como eu vou descobrir isso? Na terra dos Aiatolás não se toma cachaça e nisso, modéstia a parte, eu tenho momentos de glória (bem como grandes fracassos, ok).

No mais, sempre que possível eu me fodo. Aliás, até quando não é possível, quando tudo está mais do que certo, eu consigo me foder. Ou eu estrago tudo ou o mundo conspira. Mas o da reta é sempre o meu.

E se existe um tópico no qual eu me fodo bonito, de verde e amarelo, são as mulheres. Eu já vi grandes fracassos com mulheres e a maioria eram meus. E eu me fodo mais ainda quando se tratam de mulheres muito bonitas.

Em contrapartida, existe a Lei do Retorno. Uma grande a amiga, a Lelê, me explicou certo dia como funciona o lance: quando alguém te fode, o Destino, o Acaso, o Grande Fodão ou você – por meios que envergonhariam Don Corleone – acabam por foder essa pessoa mais tarde. É como Kill Bill, porém sem os cinco pontos que explodem um coração.

E hoje o tema Lei do Retorno vai tratar de uma menina da faculdade, que chamaremos de Lorena (homenagem a Lorena Bobbit. Entendam como quiser). Lorena era linda, mas linda mesmo. Acredito que ainda seja, porque não se perde aquilo tudo que ela tinha nem com maré de azar em Vegas. Pois bem, eu era afim da Lorena. Sonhar não custa nada e pobre adora uma boquinha livre.

Ela, por sua vez, não dava bola para mim. Desculpem, falo o óbvio. E eu, sempre tive essa virtude dos trouxas, fazia de tudo pela mulher. Trabalho de faculdade, assinatura na lista de chamada. Se ela precisasse dar fim em alguém, eu ia numa boa. Sempre achando que um dia meus préstimos seriam reconhecidos e eu finalmente poderia comê-la dos pés à cabeça. Quatro anos se passaram e o saldo disso foram noites de masturbação e a certeza de que ela nunca daria para mim.

Além disso, ela chegou a ficar com um amigo meu. Esse amigo pegou e tal, mas depois foi embora pois, reza a lenda, Lorena era doida. Nunca quis ficar comigo, índice de sanidade 100%, mas era louca. Acredito que ainda seja, porque não se perde aquilo tudo que ela tinha nem com maré de azar em Vegas. Daí esse amigo viajou para um país do outro lado do Pacífico e, meses depois, ela foi atrás. Isso rendeu o seguinte diálogo:

– Caraleo, ela atravessa o Pacífico para dar para o cara! Eu tô aqui doido pra comer e porra nenhuma!
– Júlio, você é muito loser…

Para dar uma piorada na novela, a Lorena tinha uma vibração de Angela Rô Rô. Piorada uma ova, puta fetiche e tal. Ela “era afim” de uma amiga minha e eu passei o quarto ano todo de faculdade pedindo para pelo menos ver a cena. Já que eu não ia comer mesmo, tinha que ter algum bônus na coisa toda. A história não rolou, as pessoas se formaram e Lorena sumiu.

Quer dizer, até hoje, quando a Lei do Retorno bateu forte. Lorena era uma bem sucedida assessora de imprensa de uma grande companhia de vinhos. Lorena viajava a trabalho e tinha acesso ao produto que vendia a imprensa. Lorena era linda e tinha fetiches lésbicos. Era o sucesso estampando sua beleza na minha cara. Eu, por outro lado, trabalhava como vendedor e fazia jornalismo. Dã.

Já hoje, Lorena trabalha no call center de uma empresa qualquer. O namorado, herdado do último ano de faculdade, terminou com ela diversas vezes ao longo dos últimos três, quatro anos, e recentemente deu a cartada final. Lorena continua apaixonada pela a amiga da faculdade, mas nunca vai pegar pois esta tem uma reputação a zelar com os pintos do Brasil.

Eu continuo um merda. Mas não estou sozinho no mundo.

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4 pensamentos sobre “Tu te tornas eternamente responsável pela trepada que não liberas

  1. Vilma disse:

    rsrs.. Menino, se existe todo o lado ruim de ser jornalista e tal, o lado bom é que vcs postam umas coisas puta engraçadas sem perder a inteligencia. rsrs

    Congratulations! ;)

  2. Sol disse:

    As Lorenas que eu conheci sempre se fodiam mais tarde. Tinham filhos de cafagestes e faziam barraco com filho no colo, dentro dos bares. Ruína.
    Fica aí do jeito que cê tá que é melhor… rs

  3. Lomyne disse:

    Tem certeza que isso te consola? Eu prefiro a opção “bater na minha porta implorando uma chance” e ainda por cima dizer não.

  4. Monicake disse:

    Não li tudo, mas vc não é um merda.
    E tenho dito.

    :)

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