Fracassar é virar história

Pois bem, estava conversando com essa moça sobre sucessos e fracassos em relacionamentos. E como é público e notório, eu tenho poucas vitórias homéricas, muitos fracassos dantescos e um sem número de sonhos quixotescos com a mulherada.

A certa altura da conversa, recordei de um desses fracassos homéricos, da época da faculdade. Essa história já foi contada em outros blogs por onde este escritor passou. Infelizmente, em todos eles, o final ainda continua o mesmo.

Pois bem, a moça que deflorou minha virgindade (eu falo igual uma mocinha dos livros da Jane Austen, dam it!), certa vez saiu muita bêbada depois de uma ida com o pessoal da faculdade ao bar.

Eu, cavalheiro que sou, não poderia deixá-la ir sozinha pra casa. Assim sendo, avisei aos amigos que a levaria e depois ia embora. Detalhe, eu não tinha carro, estava de Metrô. Daí que, na estação Pedro II ela resolve passar mal. Saimos do Metrô, ela vomitou na plataforma, cena romântica. Então eu escuto o anúncio que definiria a minha noite:

– Último trem com destino a Barra Funda dando entrada na plataforma tal.

“Fodeu”, pensei na hora, mas estava lá bancando o bom moço e, de forma educada, sugeri que entrássemos. Chegamos na Santa Cecília e eu a deixei na porta de casa. Ela me convidou para subir, mas eu já tinha conhecido a mãe dela e sabia que, se subisse, voltaria para casa sem um membro do corpo. E acreditem, esse membro não seria o braço.

Declinei o convite, disse que a mãe dela me mataria e voltei para o Metrô. Só que a estação estava fechada, e eu me vi no Largo Santa Cecilia com o seguinte inventário:

1 passe de metrô
1 cigarro
1 pasta com livros da faculdade
R$ 2,00

Resolvi que, se dormisse ali na entrada da estação, não seria roubado. E foi o que fiz. Fui acordado às quatro da manhã por um cara que cantava sabe-se lá o quê. Pedi um cigarro, ele não tinha. Disse que ia até a padaria comprar e ele foi comigo. Pensei que ia ser roubado, o que era mal porque a única coisa de valor que eu tinha era meu rim. No fim das contas, o cara me pagou um maço de Marlboro e um café.

No outro dia, moçoilo de livros do Eça de Queiroz que sou, resolvo ligar para a donzela, a fim de saber como tinha sido a noite dela. O que se deu foi isso:

– Capitu*, aqui é o Júlio, tudo bem?
– Júlioooooo! Tudo bem! Nossa, como eu cheguei em casa ontem?

Eu tampei o bocal com a mão e soltei um “VADIA” bem alto.

– Fui eu quem te levou, Cá…
– Nossa, achei que tinha sido a Marcela…

Mais uma vez, bocal tapado e o adjetivo “PUTA!”.

– Mas então Julio, por que você não dormiu aqui?
– Porque sua mãe ia me matar!
– Ia nada. Minha mãe foi passar O FINAL DE SEMANA EM FLORIPA…

Vale constar que eu era perdidamente apaixonado pela mulher.

* Para bom entendedor (e leitor de Machado) Capitu é puta.

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3 pensamentos sobre “Fracassar é virar história

  1. Thiago Alves disse:

    Que sorte!Dormir na estação e ainda ganhar cigarro e café de manhã.Melhor que dormir que a mulher(puta) bêbada sozinha em casa, totalmente indefesa!

    Beleza de blog!

  2. Leonor disse:

    essa eu já conhecia.

    E, putamerda, essa menina era pior que pão amanhecido, Julius.

  3. Sol disse:

    Cara, não dá. Vc ser mais pé frio que isso não dá! Hhuahuahuahuaa

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