Pequenas grandes biografias de anônimos ou Grandes fails da história

Precisava fazer algo notável. Certa vez, em uma daquelas situações onde a vida passa por diante dos olhos, ele dormiu. “Puta merda, minha vida é um filme do Von Trier. E sem a Nicole Kidman e a Bryce Dallas Howard!”, pensou.

Quando ele teve uma grande idéia, um ato único de bravura, o mundo deu-lhe uma rasteira. Ocorreu-lhe o brilhante pensamento de voar em balões de festa. Sim, aqueles balões que os pais passam tardes enchendo e que os filhos estouram sem cerimônia. Já tinha tudo preparado: GPS, pára-quedas, agulha, gás hélio. Estava a caminho do campo de decolagem quando ouviu no rádio a história de um padre que havia tentado voar usando balões e acabou desaparecendo. Pensou em seguir adiante, afinal de contas ele tinha uma agulha. Riu sozinho.

Outras tentativas frustradas vieram. Porque o negócio era ser famoso e desfrutar dessa condição. Caso não fosse dessa forma, ele poderia atirar em um Papa. Talvez o Ali Acga movesse um processo por plágio, o que pioraria ainda mais a situação. Vejam, condenado por duas vezes e, conforme reza a crença, condenado a não alcançar o Reino dos Céus. Se bem que, ainda rezando a crença, o Céu é composto por anjos que passam o dia todo tocando arpa. Tão emocionante quanto a vida que levara até hoje.

Com essa relação com a humanidade, ele começou a reparar na brevidade das coisas. A notoriedade vinha rápida para todos. Um vídeo hoje e pronto, você é famoso. Uma notícia no jornal de amanhã e milhares de pessoas, blocos de papel e canetas à mão, batem à sua porta em dez minutos. Mas ele não era de buscar a fama a qualquer custo. Um de seus grandes sonhos era ser famoso por conta de uma obra literária. Queria ter o seu Revolução dos Bichos, ou seu Lusíadas. Poderia ser até qualquer merda escrita tal qual o Paulo Coelho.

Então, juntando texto e brevidade, este homem que queria fama inventou o twitter. Só que ele não foi tão esperto quanto um tal de Orkut, ao dar para sua mais nova e quiçá brilhante invenção o nome do seu cachorro.

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Um pensamento sobre “Pequenas grandes biografias de anônimos ou Grandes fails da história

  1. olwenntaron disse:

    Harpa é com “H”! Grande texto!

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