Sobre o fim do mundo

Era cético quanto à redenção. O que está feito, está e ninguém muda. Mas era o fim do mundo e, naquela hora, acreditou piamente que se as coisas vão ruir, que nenhuma viga esteja a cair em sua cabeça. Pegou e telefone e discou.

– Alô..
– Oi. Eu só queria dizer que me arrependo de tudo que foi dito. Sabe, eu realmente sempre gostei muito de você, mas muito mesmo. É que não dava mais, não sei, acho que nunca deu…
– E por que diabos essa ligação agora?
– O mundo vai acabar, eu e não posso ir para o Inferno sem antes te deixar em paz.
– Te vejo daqui meia hora.

E dali ele foi ao bar mais próximo. Muitos cigarros fumados, o pouco de unha que tinha para roer sendo devorada como se fossem filés no Quênia. Ela atrasou um pouco, mas chegou.

– Desculpa, com esse negócio do fim do mundo, o trânsito está um caos.
– Vai acabar quando mesmo?
– Daqui a duas horas.
– Sabe, já que tudo como conhecemos vai acabar, acho que deveríamos fazer um último ato de loucura.

E correram para a Igreja mais próxima. Ela com o vestido de noiva recém-alugado, ele de calça jeans, camiseta e gravata borboleta preta. Completamente tomada pelos fiéis que aguardavam o Juízo Final,  eles passarm correndo por entre as fileiras de oração e fizeram o insólito pedido ao padre.

– Viemos nos casar antes que o mundo acabe.

E o padre celebrou a missa, acompanhada pelos fervorosos fiéis que atuaram como convivas. Apesar de completos desconhecidos do casal, celebraram aquele momento como um dos últimos resquícios de vida em um mundo moribundo.

Correram então para o motel mais próximo, a fim de celebrar a lua-de-mel. Como Paris era longe e o planeta tinha pouco tempo, resolveram ir para o motel Calcutá. Improvisar era a única forma. E lá, no Calcutá, amaram-se como se o fim do mundo fosse, esperando a chuva de meteoros, o dilúvio que, neste caso em particular, era precedido pela bonança, desmentindo assim o dito popular.

Quatro horas se passaram e, após um longo cochilo, acordaram e viram o mundo tal qual antes. Talvez um pouco diferente, tomado pelo receio e pela sensação de que o fim, apesar de atrasado, estava próximo. Mas os prédios ainda eram os mesmos, as ruas ainda eram as mesmas. Olharam-se e decidiram que seguiriam juntos enquanto ainda houvesse mundo.

Mas isso até a terceira briga em menos de uma semana, quando ele pediu aos céus que o mundo acabasse logo, trazendo assim a redenção.

Anúncios

5 pensamentos sobre “Sobre o fim do mundo

  1. Silent B disse:

    Fala sério, você lê mentes.

    Hahahahahahahah, a cabeça nesse tamanho descomunal tem de servir para algo…

  2. Sol disse:

    Quando a gente pensa no que fazer se o mundo fosse acabar, só sai merda reparou? Ninguém pensa em ajudar um enfermo, um mendigo ou coisa parecida, mesmo que não façamos isso no dia-a-dia…rs
    Eu tocaria o foda-se estilo Winehouse! HAAAAAAAAAAAAAAAA

    Hahahahahahaha, ia começar arrancando um dente né? =P

  3. Junior disse:

    hahahahaha, Calcultá, CALCUTÁ HAHAHAHAHAHAHA *morre*

    HAHAHAHAHAHAHAHAHAH, nem tinha me ligado…

  4. Tiago disse:

    “Quando a gente pensa no que fazer se o mundo fosse acabar, só sai merda reparou?”

    Como assim Sol? Geralmente o pessoal pensa em trepar.

    Dependendo da trepada, a Sol tem razão. Não, ela não tem razão… =P

  5. Sol disse:

    Eu não e nem as pessoas com quem pergunto sobre isso. Trepar faz parte do cotidiano não!?. Eu faria coisas que nunca faço. Mas treparia também, independente do fim ou do começo do mundo…heh

    Ei, trepar não faz parte do cotidiano. Pelo menos do meu…hahahahahahaha

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: