Momentos da história que só a Dercy viu

Poucos livros contam – e aqueles que contam não são achados nas livrarias – mas eu, Júlio César, aquele que um dia foi o Senhor de Roma, o César dos Césares, só atravessei o Rubicão para provar à minha mãe que eu já era crescido.

Explico: quando infante, mamãe me proíbia de atravessar o Rubicão. Era sempre o mesmo papo de “menino, lá é perigoso, o romano do saco mora lá, aquele lugar só tem drogadito”. Aquilo me emputecia de tal maneira que eu acabei colocando como meta que um dia ia passar do Rubicão e dançar o Créus Est velocidade seis, só para mostrar ao mundo o quão fodão eu era ao desafiar minha mãe.

Mas para isso tive de agüentar anos de galhofa dos meus amigos. Além de ser conhecido como “o menino que usava sandálias”, sendo que todos os putos que estudavam na Benedictus Tolosus também usavam, ainda tinha de suportar as chacotas, sempre ouvindo que eu era “o menino que não atravessa o Rubicão”.

Na faculdade a coisa continuou. Lembro que uma estava de mimimimi com a Ápia. Pô, a Ápia tinha dado para todo mundo na sala, tanto que tempos depois, quando já tinha prestado seus serviços ao corpo docente e discente, virou Via Ápia. Só eu ainda não tinha atravessado aquele Rubicão.

Vejam, é sobre isso que eu digo, o Rubicão virou aquele ponto intangível, logo tudo que eu não alcançava levava esse nome. Salvo é claro a Ápia, que só não virou Rubicão porque o nome lembra um caminhoneiro. 

Pois bem, divagações à parte, lembro que a Ápia veio toda faceira um dia, durante uma aula de “Fugindo das facadas no Senado”. Resolvi cabular a matéria, afinal de contas ia dar um rolê na Ápia, se é que vocês me entendem. Só que todos os hotéis e motéis de Roma estava ocupados, exceto aqueles que ficavam além do Rubicão. E puta merda, não consegui ir, brochei e cheguei em casa puto com a velha.

Passei anos pensando em uma estratégia para atravessar o Rubicão. Para isso galguei postos no exército romano e, já general, reuni minha patota de milicos e resolvi que era hora de ir ver qual era da porra toda. Alguns, como o Costus Silvius, queriam antes dar um pau nos judeus, especialmente no Herzog. Falei para ele segurar a onda porque senão algum senadores, em especial o Brizolus, iam encher o saco. Galera reunida, fiz um discurso qualquer sobre a soberania de Roma, grande bobagem. Daí partimos, após o grito de “Simbora putada!” e, pouco tempo depois, atravessei o Rubicão, exclamando logo de cara na fuça de minha mãe:

– VENI, VIDI, VICI, VÉIA!

Tempos depois, tomei no baço faltando na aula de “Fugindo das facadas no Senado”. E o puto do Brutus, chegado meu da faculdade, amigo das cervejas e dos churrascos da sala, nem copiou a matéria. Pelo menos assim ele disse.

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3 pensamentos sobre “Momentos da história que só a Dercy viu

  1. Junior disse:

    Não adianta mascarar com Brizolus. Eles está por aí, eles vê tudo :-P

    Hahahahahahaha, nem brinca. Se aparecer um separatista gaúcho por aqui, eu nunca mais falo o nome do cunhado do Jango… =P

  2. disse:

    Devia ter pedido ajuda ao Bigas Dickas. Com um nome desse ele atravessa até o Nilo.

    Hahahahahahah, cara, me mijo nessa parte do A vida de Bliiiiiiian! hahahahahaha

  3. Nayara disse:

    “…acabei colocando como meta que um dia ia passar do Rubicão e dançar o Créus Est velocidade seis…” AAUhAHUHUAUhAUHhau Ri bagarai

    Taí, deviam gravar isso em latim… =P

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