Se uma ex-qualquer coisa morrer, enterre de bruços

Ela me fez ter vontade de cair morto. Vontade de tomar um coquetel com Valium, Vicodin e afins e depois vomitar tudo, com receio nunca mais vê-la na minha vida. Porque sim, naquela época, só vê-la já me era o bastante.

Quando o fim foi anunciado, ele já era conhecido por todos. A Times Square possivelmente tinha um letreiro enorme indicando que não dava mais. Aqueles avisos de “O fim está próximo” que alguns profetas de plantão costumam escrever em cartolina eram para mim. Eu, esperto como sempre, só notei um “Me dá um abraço”, do cara na Avenida Paulista.

Porque aquele era um fracasso com o qual eu não sabia lidar. Tinha aprendido, ao longo dos anos, que minha vida estava fadada a dar errado. Em algum lugar, possivelmente dos 14 aos 17 anos, eu tinha errado a entrada em Albuquerque. Logo, se eu tinha cavado a própria cova, porque não usá-la para enterrar ali todas as tentativas frustradas ao longo dos anos. O negócio é ser proativo.

Mas com ela havia sido diferente. Eu queria a cova. Queria que tudo fosse para a cova. Todas as horas gastas em telefonemas, cartas, conversas. Todos os momentos bons e ruins. Era minha cova, então problema dela se não era hora de morrer. Ela tinha de morrer, tal qual eu morria. Da alcova para a cova, a história da minha vida.

E lá foram dois longos meses de lamentos idiotas e sem propósito. Um comercial de margarina me deixava puto. Lionel Ritchie na Alpha FM me deixava puto. Casablanca me deixava puto ao quadrado, porque não bastasse a vaca da Ilsa Lund* ir embora, ela foi afirmando que ainda amava Rick Blaine. “Nós sempre teremos Paris”, uma merda!

Até que um dia passou e eu fechei a cova. Coloquei lápide, descanse em paz, fiz as missas e que tais e bebi a morta. Tudo conforme manda o figurino. O caixão era o mais belo, no túmulo melhor localizado, com TV 42 polegadas, frigobar, estante para livros, a porra toda.

O problema é que o Michael Jackson compôs Thriller. E quando toca Thriller, os mortos voltam dançando e cantando.

* Ilsa Lund pode até ser uma vaca. Mas é a vaca mais linda do pasto.

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5 pensamentos sobre “Se uma ex-qualquer coisa morrer, enterre de bruços

  1. Silent B disse:

    Ha, conheço bem essa história… somos um tipo específico de babaca ou está no código genético do gênero masculino?

    Hahahahahahahahaha, cara, somos um típico específico de babaca… =P

  2. Junior disse:

    Ok, eu entro com a farmácia \o/

    E eu com a garrafa de uísque! =P

  3. Cãmi disse:

    Tiro certeiro no cérebro mata zumbi! Tem que aniquilar o cérebro, mas funciona.
    Eu durmo com a arma do lado, justamente pra não correr o risco de ser interceptada por um morto-vivo.
    Deus-me-livre-de-uma-má-hora-dessa.

    bjones

    Pô, mas se eu atirar no Michael, vou ficar com crise de consciência… =P

  4. Lara disse:

    Nós sempre teremos Paris!!??? Isso é realmente uma bosta. Meu, juro que preferiria ter ouvido: vai a merda sua baranga! Porque lidar com um não é bem mais fácil do que com a incerteza do talvez!

    Nunca diga que Ilsa Lund é baranga. Nunca! =P

  5. Marcia disse:

    Homens ficam putos. Mulheres desabam a chorar e a comer chocolate… Hahahahaha

    Pô, a parte do chocolate eu gostei. Alpino rules… =P

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