Memórias de minhas tristes putas

O Japonês havia casado. Trabalhava comigo há um bom tempo, o que rendeu convite para o casamento. Casal de japoneses em uma cerimônia evangélica. A noite começara estranha.

Eu tinha – sei lá – 18 anos e uma garrafa de Jack Daniels. O mais próximo que eu havia chegado de uma experiência sexual fora uma bolinada aqui e outra acolá na primeira namorada. Sim, aquela que queria casar virgem. Antes disso, talvez um episódio muito foda do Jiraya ou uma partida épica entre Bulls versus Lakers no NBA Jam. Com a garrafa em mãos, ouvi a sugestão que mudaria a noite:

– Bóra todo mundo pro puteiro!

E lá fomos nós para o Titanic, na Amador Bueno da Veiga. Ou na São Miguel, não me recordo.

Entramos no recinto. Todos duros, no sentido monetário da coisa. Inclusive meu ex-chefe, que tinha uma mania quase que doentia de atrasar salários. “Não consumam porra nenhuma, porque é caro pra caraleo e eu não tenho dinheiro”. Recado dado, lá estava eu tentando ser “the king of the world”, conforme as palavras do DiCapprio naquele filme maldito.

Foi a primeira vez que eu vi um peito. Assim, ao vivo, de pegar e tal. Antes, tinha a experiência do Cine Privê, na Bandeirantes. E algumas pornochanchadas que eu assistia furtivamente no SBT. Mas enfim, vi, peguei e venci. Ave César.

E, noite alta, vi que uma das moças da casa se engraçou para mim. Eu até era mais bonito naquela época mas, óbvio, ela estava ali para aumentar o superávit primário. O diálogo foi surreal:

– Vamos subir?
– Perae, a gente já sobe… – leia-se “deixa eu encoxar mais um pouco porque tô duro – em qualquer sentido que a palavra tenha!”.
– Vamos subir!
– Já vamos, perae…
– Vamos subir agora!
– Porra, tô sem grana!
– Então vá a merda, seu pobre!

Eu sabia que isso definiria o homem que eu sou hoje. Acho que encontrei o meu ponto de fuga rumo ao fracasso.

A outra vez em que uma moça da vida resolveu ralhar comigo foi um pouco mais recente. Aos 22 anos, se não me engano (é, estou com Alzheimer. Se eu lembrasse quem você é, mandar-lhe-ia tomar no… como é o nome daquilo mesmo?), eu tive a brilhante idéia de ligar a cobrar para uma prostituta da seção de classificados do jornal. Mudei o mundo escolhendo Yun Li, chinesa, chupa e tudo o mais:

– Plim plim plimplimplim plimplimplim…
– Alôôôô? – insira aqui um forte, fortíssimo sotaque do Nordeste.
– Alô. É a Yun Li?
– É siiiiiiiiiiim, visse.
– Putaquemepariucaraleo, tu não é chinesa nem aqui e nem na China!
– E tu é um pobre de merda que liga a cobrar! Pobre e viado (ou corno, não lembro)!

E a nossa chinesa de Nazaré das Farinhas bateu o telefone. Inconformado com a negativa, liguei de novo buscando redenção, o que sempre faço com as mulheres.

Mas a filha da puta ativou o sinal de fax.

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14 pensamentos sobre “Memórias de minhas tristes putas

  1. Jess disse:

    A locação em que se passa a história toda explica muita coisa. Provavel que você não lembra se era na amador ou na são miguel porque ficava perto das duas, na Curva da Morte. E ai nem carece te chamar de pobre, no máximo espeficicar que fazia tempo desde seu último vale.

    Uia, a Curva da Morte! Você é da quebrada, mina? Digo, quebrada ZL, não o Titanic, ok? =)

  2. Silent B disse:

    Não consigo pensar em mais nada além de bater palmas em pé!

    Fala com a Elisa, vamos fazer um filme da sua vida!

    Adam Sandler para o papel, já! =P

  3. RodOgrO disse:

    Cara, pelo menos me fala que vc ligou a cobrar porque estava bêbado! Por favor!!!

    Não? O_o

  4. Emilia disse:

    Só nao pode dizer que foi a Jõao XXIII, dai f…

  5. Jess disse:

    Morei até os 18 perto do terminal A.E Carvalho. Jura que você não percebeu? Transparece até hoje nos meus bons modos.

  6. Silent B disse:

    Adam Sandler?

    GEORGE CONSTANZA FTW! (A história se passa no futuro)

  7. Marcia disse:

    Fala com a Elisa, vamos fazer um filme da sua vida! [2]

    Eu cuido dos papéis… Hahahaha

  8. Eric Franco disse:

    Barone, dá uma olhada nesse post aqui: http://infernal.blogsome.com/2006/12/09/quebrando-o-porquinho/

    Posso ser o diretor de casting?

  9. Raphaela disse:

    Por que uma puta teria um fax? Pra passar orçamento?

  10. Cãmi disse:

    Ligar a cobrar pra puta é o fim. hahahaha

  11. Sol disse:

    Compra um cartão. É mais digno. Assim vc não é xingado por puta! rs

  12. lagartixas disse:

    Conhecendo você pessoalmente fiquei imaginando a cena e quase tive uma síncope de tanto rir!!! Ligação à cobrar?????? hahahahahahahahahahahahahahahahaha

  13. […] sei lá, se eu já liguei a cobrar para putas, eu responderia sem desespero. Responderia que sim, é […]

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