Morrendo pelo time

– FILHO DA PUTA!

Ao soltar a frase, o gandula jogou a bola na cabeça do treinador. Alguns desataram a rir e o comandante da equipe, como para provar que a fama de durão não era à toa, partiu para cima do jovem que lhe deu uma bolada.

O banco de reservas, em parte, se manifestou na mesma hora. Alguns correram em direção ao rapaz, sob olhares atônitos daqueles que estavam em campo. A torcida, até então preocupada com o andamento da partida – não chegava a ser um jogo importante, mas era um jogo oras – desviou o olhar para a pequena faixa de campo onde o imbroglio tomava cada vez mais corpo.

– Seu merda! Seu moleque!
– Tomar no cu, Castilho! Tu é um filho da puta muito do burro! Vai deixar o Marquinho na marcação, meu! Pra puta que o pariu você e a sua burrice!
– Pra puta que o pariu você! O que você já fez pelo futebol!? Você é só um merda, um borra botas que vive de jogar as bolas em campo. E nem isso você faz direito! Eu já fui campeão do mundo, moleque! Eu fui o maior lateral-direito da história desse país!
– Maior um caralho! O Toninho jogou mais do que você! E olha que ele era cego de um olho!
– Filho da puta!

E o “professor” partiu para cima do jovem gandula com a fúria de um geurreiro bretão. Os torcedores, insuflados pelo clima de guerra, urravam e cantavam como se estivessem no Coliseu de Roma vendo gladiadores lutarem com machados, espadas, toda a sorte de objetos cortantes. Os jogadores, ainda estranhos à cena, deixaram a coisa acontecer. O time não estava também e o técnico andava desprestigiado no clube.

Então o Castilho, ex-lateral direito célebre pela batalha do Monumental, onde investiu contra cinco uruguaios e os derrubou tal qual pinos de boliche, acertou um soco de direita no rosto do rapaz. O jovem gandula cambaleou, mas não perdeu a pose:

– Vai seu merda, dá outro de novo!

E Castilho, 60 anos que aparentavam 40, desferiu mais dois socos no jovem, que desta vez caiu sem pose. Ao técnico restou voltar para o banco de reservas como se nada tivesse acontecido. O único problema é que entre o local da briga e o banco, havia uma arma. E com ela o gandula desferiu cinco tiros no “professor”.

A polícia logo partiu para cima do jovem gandula. A imprensa correu para cima do técnico, do atirador e dos jogadores que sequer piscavam. O estádio, relativamente cheio, calou-se de tal forma que dava a impressão de velar o técnico, sem esperar sequer que fosse feito o ritual pré-velório.

Hoje o gandula divide a cela do presídio com um médio-volante, uma dessas coincidências da vida. E no futebol da prisão a opinião é unânime: se a bola for para o mato, o negócio é jogar truco.

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5 pensamentos sobre “Morrendo pelo time

  1. Ivan Neto disse:

    Seis só, ladrão!

    (massa o texto!)

  2. disse:

    Futebol, gladiador, boliche, tiro ao alvo, e truco.
    Só faltou falar de bocha :p

  3. Junior disse:

    Né, ainda não tem os tais dos “textos” :-P

  4. peraí, deixa eu ver se entendi: o gandula levou uma arma pro estádio???????

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