Top cinco momentos de estupidez

Eu tenho momentos de estupidez ímpares. Aquelas horas em que, no lugar de um cerébro, eu tenho cream cheese na cabeça. E na maioria das vezes eu como esse cream cheese. Não que eu seja um zumbi silvícola. Eu sou é um gordinho safado mesmo.

Pois bem, nessa mania de dar top cinco para tudo, parei para pensar nos cinco momentos mais estúpidos da minha vida. Talvez eu devesse mudar a regra do jogo, só um pouco, e fazer um top dez. Mas daí eu não estaria no clima wannabe Rob Fleming.

O dia em que eu troquei seis Comandos em Ação por uma caixa de Playmobil.

Playmobil foi algo como “um Lego sem pirataria”. Porque o Lego sempre foi o fodão dos brinquedos de montar e o Playmobil já vinha montado, mas tinha relação com o Lego. Deve ser alguma invenção para crianças autistas que fugiu do seu nicho de mercado, sei lá. Mas o Playmobil era bacana, no fim das contas. E tinha aquele lance do cabelo, o qual eu devia ter prestado mais atenção. Fato é que, ok, Playmobil era legal. Mas não era os Comandos em Ação, os bonecos mais legais já feitos pelo homem. O Dr. Mindbender, por exemplo, era fodão, usava capa e tinha um tapa-olho. E tinha o Storm Shadow, o ninja que comanda o batatal. Enfim, era o brinquedo que mais fazia a alegria da molecada desde os anos 80 até o começo dos 90. E um belo dia este que vos escreve ia ganhar seis bonecos do Comandos em Ação.

Sério, até então tinha sido o dia mais perfeito de toda a história. Eu tinha ido ver Tartarugas Ninja no cinema, tinha comido no McDonalds e ia ganhar seis Comandos. Gênio da raça em estragar tudo, estava já na fila com os seis bonecos na mão quando tenho a brilhante idéia:

– Nah, nem quero mais esse não, quero o Playmobil.

A cara de incrédulo do meu irmão dizia tudo. “Como assim, moleque burro! Seis fucking Comandos e você vai trocar por este brinquedo veado?!”. Pois é, eu troquei.

A brilhante prova de Economia e Política.

Pois bem, terceiro ano da faculdade, notas horríveis como sempre, mas mandando bem em Economia e Política. Horas antes da segunda prova do ano, Júlio consegue reunir sua maior platéia em toda a história (cinco pessoas, se muito) e inicia um tratado sobre a Guerra de Secessão. Galera ouve atenta até a hora da prova. Chegado o momento, lá vou eu dar uma de esperto e bonito de novo:

– Guerra de Secessão minha pica no rabo do General Grant. Vou falar sobre a Revolução Russa!

E escrevi duas páginas com datas do calendário gregoriano e o ortodoxo, além de nomes completos de putos como o Vladimir Ilitch Lênin. Sério, Ilitch não é nome, é espirro de comercial de remédio para gripe. Se bem que poderiam fazer uma paródia bacana: Lilo e Ilitch. Imaginem, um alien com o cabeção do Lênin tocando músicas do Elvis! Doutor, Divago [piada com referência russa, muito ruim por sinal].

Enfim, fiz a prova, ciente de que fecharia o ano com 9. Para quem fechava nas outras matérias com 5, uma vitória. Vitória essa que foi para o céu – tal qual o Comunismo – quando o professor me deu um 5,5 de média.

– Porra Arnaldo? Cinco e meio?!
– É…
– Por que?
– Porque você falou de Revolução Russa.
– E?
– E que eu não dei Revolução Russa!

É, ele não tinha dado. Eu sabia porque eu era comunista L’Occitane e tal. Mas até aí estava no maldito cronograma da matéria. Próximo dali, os cinco que assistiram ao tratado sobre a Guerra de Secessão riam e perguntavam:

– Por que você não falou sobre a Guerra, sua anta!?

A América venceu o Comunismo.

“Vamos lá que o chopp é grátis!”

Só um néscio, uma anta, o mais burro entre os burros vai para um lugar cuja principal atração é a frase acima. E eu fui, é claro.

O local era o The Wall, no Bexiga. Aniversário de um amigo meu, figuraça por sinal. Mas eu recebi o aviso de outro grande camarada:

– The Wall? Nem fodendo!
– Pô, mas o chopp é de graça.
– Então, nem fodendo.

Enfim, parte da patota reunida, hora de ir tomar chopp de graça. Sério, como eu pude acreditar nisso? Enfim, lá chegando, fomos avisados de cara que a máquina de chopp quebrara. Foi a última tentativa divina de me livrar daquele lugar. Tentativa esta que eu ignorei solenemente:

– Merda, vamos tomar Bavária enquanto isso.

Uma lata de Bavária depois, a máquina de chopp voltou a vida. Um bando de roquers sedentos correu até o balcão, que soltava copos aos litros. Um dos felizardos foi este que vos escreve que, tal qual um flagelado do semi-árido, deu um belo de um gole no suco de cevada. A cena que se deu a seguir foi:

– Puta merda! Essa porra tem gosto de…
– VINAGRE!

Eu consegui tomar três copos. Mas só depois de várias dicas, entre as quais uma era beber prendendo a respiração. O chopp era Germânia. Fim da história.

“Alguém aí quer laranja?”.

O Marcelo é um daqueles amigos-mitos que nós temos na infância-começo da adolescência. Sabe o cara que é capaz de um ofício o qual o resto da humanidade não domina? Pois bem, todo mundo tem um amigo assim. E o Marcelo era o cara que corria atrás de qualquer pipa. E pegava.

Criou-se uma aura em torno dele. Diziam que ele havia tomado uma pipa das mãos do Demônio e que já cortou e aparou Deus pela rabiola. Mas o Marcelo era meio burro. Assim como os caras que andavam com ele. É, eu e tal.

Certo dia Marcelo, que além de um mito era uma alma boa, nos ofereceu uma laranja. E eu, que além de “esperto” era um passa fome, aceitei de bate-pronto:

– Joga ae!

E o Marcelo jogou a laranja. Do décimo oitavo andar. E eu “peguei” a laranja. Sim, com as mãos.

– Cêis querem abacate?
– Vá tomar no seu cu!

A mão que faz a bomba frita um ovo.

Eu não sei cozinhar. Não sei fazer arroz, macarrão, nada disso. Sei fritar ovo e fazer miojo. Nesses, eu sou quase um Olivier Anquier que aprendeu a falar.

Certo dia, vindo da escola, senti a fome bater. De noite, mãe dormindo, fui fritar o clássico ovão gema mole. Deixei a frigideira no banheiro e fui dar uma lida na Veja. Folha para lá, merda para cá (na Veja, claro), lembro que a frigideira estava no fogo.

A cena era digna do piores cozinhas de Ofélia. A frigideira ali, pegando fogo, soltando chamas e tal e eu olhando. Sempre tive esse lance meio piromaníaco e fiquei admirando por um bom tempo, enquanto pensava como apagar aquilo.

*corta para um momento histórico*

– Presidente Truman, como vamos acabar com o exército japonês?
– Joguem a bomba atômica.
– Mas senhor, e os civis?
– “Mas senhor, e os civis, mimimimimi”…  Larga a mão de ser viado e bota pra foder naqueles japas, caraleo!

*fim do momento histórico*

É, eu dei uma de Truman e pensei “que se foda o teto do quintal, nem vai pegar nada mesmo”. Apoiei a frigideira no chão, peguei uma jarra de água gelada e joguei na frigideira.

Fodeu, Tru!

Fodeu, Tru!

Pois é, o fogo que estava na frigideira fez isso. Bem no teto da  área de serviço. No outro dia dia minha mãe acorda, vê Nagasaki toda fodida e pergunta:

– Quem fez uma cagada dessas?
– Sei lá. Deve ter sido o sol…

Fui um Bill Clinton com garbo.

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14 pensamentos sobre “Top cinco momentos de estupidez

  1. Fernando disse:

    Um cara que acha que o Storm Shadow é mais foda que o Snake Eyes tem mais é que se foder mesmo.

  2. Junior disse:

    Bom, eu consigo lembrar do ítem estupidez ZERO na tua lista e envolve uma certa empatada. Mas eu te avise, The Wall, nem fodendo :-P

  3. Maria Bercovitch disse:

    Como professora, fiquei imaginando a cara do seu professor corrigindo a sua prova sobre Revolução Russa! Hahahahahaha
    Muito bom!

  4. Leão disse:

    Claro! Eu sou fodão e escrevo sobre o que eu acho que sei. É simples, ué!

  5. Thiago disse:

    “Doutor, Divago” melhor piada sem graça ever.

  6. Lara disse:

    Meu! R tanto que quero te copiar e fazer meu top 5 momentos de estupidez. Podo?

  7. disse:

    Rindo muito aqui.
    Poxa, se você quiser, eu tenho uma caixona cheia de Comandos em Ação. Tenho o F-14 e o Hovercraft também. Eu deixo você brincar :p
    PS: vai no site do GI Joe ver o boneco do Snake-Eyes. Aproveita e veja também os desenhos nos anos 80. Cara, aquilo é foda demais.

  8. Marcia disse:

    Hahahahahaha!
    Essa da prova foi hilária mesmo. Mas mais engraçado é vc contando ao vivo =P
    Tudo bem que vc era moleque, mas jogar água na frigideira pelando e ainda por cima gelada? Quer morrer?
    E achei que vc ia contar qdo foi “ownado” pelo saco de laranja… XD

  9. Camila disse:

    Caraca, a cada dia voce se supera! Não vou conseguir parar de rir por uma semana. Eu me achava uma ostra, mas minhas idiotices não chegam nem aos pés das suas. Por isso continuo firme no posto de sua súdita fiel.

  10. liu disse:

    velho, vc escreve bem pra caralho, te odeio ¬¬

  11. Beijomeliga disse:

    Eu acho que a troca dos comandos em ação pelo playmobil foi boa. No mais, espero que você tenha aprendido a lição da frigideira. Nem a fim de incêndios na minha cozinha, ó!

  12. Felds disse:

    Você deixou a frigideira no banheiro?

  13. atruculenta disse:

    Gente… vc não existe. Olha o perigo que corri com vc na minha casa!!!
    Ainda bem que a imperatriz tava lá pra conter possíveis estragos e tal.
    Acho que vou fazer meu top 5 tb! \o/
    bjones

  14. Kosmidis disse:

    Simplesmente fantástico o ovo frito, já cometi tão ataque mais foi com um bife.

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