Só comemora dia das bruxas quem tem o PIB grande

Ao contrário do que alguns psicólogos poderiam afirmar com, digamos, três segundos de análise, eu não tive uma infância difícil. Por difícil eu digo daquelas que você tem que comer preá, ou que você apanha do pai e tal. Eu me safei porque:

a) não sou muito fã de roedores (acreditando piamente que o preá é uma espécie de rato sem esgoto).
b) não tenho pai.

Daí você se pergunta o que faz com que eu tenha esse comportamento espírito de porco, vaca de presépio, bode expiatóóóóóóóóóório. Eu não sei. Acho que eu não sei fazer humor, por isso apelo para piadas racistas, sem sentido ou infames. É o tipo de humor que sempre funciona. Se eu colocasse um barulho de peido agora, você ia rir. Tenho certeza.

Enfim, somado a tudo isso temos o fato de eu ter grandes idéias estúpidas. Como por exemplo, comemorar o Halloween.

“Claro Júlio, todos comemoram o Halloween quando viajam para os EUA nesta data”. Mas então, eu não tive uma infância fodida, mas também não nadei em dinheiro. Economizava dinheiro das duas viagens que fiz para outro bairro para comprar Comandos em Ação e, algumas vezes, tinha de ir jantar na minha madrinha, em épocas ruins. Logo, eu comemorei o Halloween no Brasil.

E sim, isto é uma idéia estúpida, porque não foi comemoração do tipo “vamos vestir uma fantasia e fazer uma festa”. Na época, eu conheci o capeta em forma de amigo. Eu aprontava e tal, porque as idéias idiotas não conseguiam ficar dentro da minha cabeça. Mas era um frei dominicano perto desse meu amigo. E junto com o cramulhão da amizade, fui pedir doces de porta em porta. É, o clássico “gostosuras ou travessuras”.

O primeiro que nos atendeu foi um senhor emburrado. Talvez o dia teria sido difícil e a última coisa que ele queria era dois moleques idiotas na sua porta. Mesmo assim ele abriu:

– Que é?
– Gostosuras ou travessuras, moço?
– O quê?
– Gostosuras ou travessuras?
– Ah, vão tomar no cu!

E a porta bateu. Cientes de que o filho da puta não daria nem um torrão de açúcar, não pensamos duas vezes em foder com todo o jardim da frente da casa dele. Afinal de contas, ou era aquilo ou jogar pedras na porta do desgraçado. Pegamos leve.

Assim contínuamos pelo restante da rua. No final da brincadeira tínhamos o seguinte saldo: gostosuras 0, travessuras 20. Claro que pedimos em todas as casas da rua. Claro que em nenhuma delas explicamos o que era o Halloween. E é óbvio que não estavámos fantasiados.

Aliás, a única fantasia nessa história trata das referências à infância. Afinal de contas, eu fiz isso com 14 anos.

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6 pensamentos sobre “Só comemora dia das bruxas quem tem o PIB grande

  1. Bruno disse:

    Eu também já comemorei o dias das bruxas assim uma vez. O “plus” é que eu e meus amigos estávamos fantasiados e fomos nos 23 andares do prédio pedindo doces.

    A diferença é que por ser prédios de pessoas com melhor condição financeira, os moradores que participavam da brincadeira deixavam uma coisa qualquer alusiva a data na porta de casa, então nós só íamos nas portas certas.

    Comi doce pracarái naquele dia e teve uma casa que foi legal. Um véio que morava sozinho convidou a mim e meus amigos (eram mais dois garotos) a entrar e ficar por lá um pouco. Pegamos muitos doces, vimos um filme e fomos muito bem tratados pelo coroa.

    E não, eu não sabia o que era pedofilia na época…

  2. Eric disse:

    Acho que eu só fiz essa merda uma vez quando ainda morava em SC. E olha que o saldo foi bom, o que a gente ganhou de bala aquele dia não está escrito. Só teve um filho da puta que quando a gente disse doce ou travessura, entrou em casa, encheu uma forminha de brigadeiro com açúcar e deu pra gente.

    Ficadica: peçam “Panetonne de Alpino ou travessura, motherfucker?”

  3. Renegado disse:

    E eu que me achava maldvado por ter posto fogo na casa de vovó…

  4. Edu disse:

    Cara, leio sempre, comento nunca, mas esse me fez lembrar uma da infância que talvez valha a pena partilhar contigo, para indicar que nem só vc tem idéias idiotas que não conseguem ficar na sua cabeça.

    Quarta série, junho é meu aniversário, resolvi que meu aniversário (isso mesmo, em junho) ia ser com o tema Halloween. Como junho também é perto de São João, sempre gostei dos meus aniversários com bombas, fósforos de cor, buscapés, rojões, etc. A iluminação da festa inteira era baseada em abóboras com caretas estranhas e velas, o bolo era de um chocolate bem escuro com bolinhas de chocolate e perninhas parecidas com aranha. Fiz várias pipas (cara, não sei de onde eu tirei a idéia) de vários tamanhos com caretas de monstros pintadas…. e foi uma festa muito boa!… Até o esconde-esconde naquele clima, de máscaras de monstro foi mto legal! Até que o meu amigo deste que vc chamou de capeta em forma de guri resolveu gastar as bombas. Resultado: todas as cabeças de abóbora explodidas, pipas furadas com rojões, e na hora do vulcãozinho, o vulcãozinho virou de lado e o animal foi lá tentar concertar. O fundo do negócio saiu e esse meu amigo saiu correndo parecendo uma bola de fogo (sim, o animal pegou fogo e saiu correndo parecendo um dublê), ele sofreu alguns chamuscados, mas nem se traumatizou, a molecada achou aquilo lindo e minha mãe quase morreu do coração.

    É isso aí! Abraço.

  5. Sol disse:

    Vc vai ler esse comment imenso aí de cima!? ¬¬

  6. fran disse:

    eu também fiz isso!! a gente jogava farinha na casa das pessoas. lembro que certa vez eu e uma amiga minha chegamos na casa de uma velhinha, falando Gostosuras ou Travessuras, e ela respondeu: “BONITOS NOMES!”.

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