A resposta errada para a pergunta errada

Eu só tinha pedido um isqueiro. De repente estava dentro de um desses carros importados, desses bem grandes. Volvo ou coisa do tipo. E tinha uma maleta prateada no meu colo.

– Então, você já sabe o que fazer.

Não, eu não sabia. Estava no banco de trás de um Volvo com um desconhecido, uma pessoa cuja única conversa que eu tive foi:

– Empresta o isqueiro, por favor?
– Espaguete à bolonhesa.
– Er… como?

Então o Volvo se materializou na nossa frente e eu entrei.

– Na verdade, eu não sei ao certo o que fazer.
– Os dados estão na maleta. Separamos também sua arma.

Eu tinha uma arma. Eu tinha uma maleta. Eu tinha uma missão. Apesar de estranho, não podia negar que aquilo era a coisa mais empolgante que me acontecera nos últimos… em todos os anos da minha vida. Decidi ir em frente e abri a maleta, onde encontrei uma dessas armas pequenas de espião. Havia uma foto, um cara loiro, desses tipos que parecem capangas de um grande vilão.

– É o Dimitri, finalmente.
– É, finalmente…

Como assim “finalmente”? Quem diabos era Dimitri? O que um russo – creio que seja russo – estaria fazendo no meu bairro, há poucas quadras de casa? Decidi deixar as perguntas de lado e seguir com aquela loucura.

– A mando de quem é isso?

O cara do isqueiro riu. O motorista riu. Creio que um passante na rua riu. Eu era uma espécie de Jimmy Bond, aquele interpretado pelo Woody Allen. Eu era Austin Powers sem o mojo.

– Você sabe, o de sempre.
– Sei. Um sábado a tarde para mim.
– Você não perde o seu humor.

Eu era bem humorado neste mundo novo, menos mal. Queria um martini e um smoking.

Chegamos a um prédio grande, uma espécie de hotel com cara de repartição pública. O cara do banco de trás me desejou boa sorte, desceu do carro e sumiu como se eu nunca o tivesse visto antes. O motorista me olhou pelo espelho, balançou a cabeça de forma afirmativa, como me incentivando. Ao que eu não sabia, mas desci com a maleta. O atendente do hotel me cumprimentou com um sorriso de velho amigo. Eu não sabia mais quem eu conhecia ou quem deixava de conhecer. A chave indicava o quarto 413.

– Já avisamos do serviço de quarto, senhor.

Por que diabos tudo nessa estranha situação tinha a ver com comida?

[continua]

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3 pensamentos sobre “A resposta errada para a pergunta errada

  1. Rodogro disse:

    Por que sempre os Russos? Isso e preconceito!!!

    Ah, foda-se.

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