@gesuis: minha vida é um barato… NOT!

Jesus Cristo, jovem sábio e com algumas idéias, resolveu que era hora de espalhar sua palavra pela Terra. Ciente que Paulo – que um dia fora Tarso – estava prestes a ser processado por falsidade ideológica, JC criou um perfil no Twitter, de modo que todos seus ensinamentos cativassem corações e mentes.

@gesuis: Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

Ninguém avisou Jesus que Saint-Exupéry era coisa de miss. Seguido por garotas de treze anos que aspiravam a magreza das top models, Jesus virou uma celebridade no twitter, sempre espalhando palavras de carinho e afeto entre seus seguidores.

@gesuis: #nob hoje, para que eu possa espalhar a palavra e tomar uma cerva gelada?

As garotas de treze anos encheram o El Malak, bar de Nazaré freqüentado por blogueiros, centuriões, toda a corja. Lá Jesus aspirou o sucesso que um site monetizado poderia trazer à sua causa: ficar rico e ser o barbudo mais famoso da história. Com seu jeito riponga, Jesus começou a cantar Blowin in the wind, acompanhado do Senador Eduardo Suplicy.

@gesius: o #nob foi um sucesso. Estamos conquistando fãs para a nossa causa, o amor entre o próximo. Ou a próxima, se você não for gay. O próximo passo é fundar uma religião, doutrinar pessoas e lançar um site com adsense, com post pago, com bajulação. Vinde a mim os publieditoriais, pois deles serão o Reino dos Céus.

Jesus era filho de Deus, o único capaz de permitir twittadas com mais de 140 caracteres.

Hospedado no Locaweb Est, Jesus conseguia cada vez mais leitores. Um deles, Judas, vivia acompanhando os passos do homem de Nazaré. Mas Judas estava hospedado no Interney Blogs Est, site com princípios romanos. Tentando em vão trazer Jesus para dentro do seu conglomerado de blogs, Caio Edney Augusto deu uma missão à Judas.

– Me entrega o barbudo e eu te dou trinta props.

Sonhando com fama no Blip, Judas rackeia o site de Jesus Cristo. A Locaweb Est cancela o contrato messiânico, restando a Jesus cair no ostracismo novamente. Desempregado, doente e fodido, inofensivo, Jesus é declarado como fake. Alguns disseram que se tratava, na verdade, do Demônio. Cansado de tudo isso, o homem de Nazaré resolve abrir o coração no twitter.

@gesuis: Perdoai-vos, Pai, pois eles não sabem o que postam.

Pego pelos romanos e pelos carecas do ABC em um trem da Estação Presidente Altino, Jesus Cristo morre. Três dias depois, monta outro blog, de domínio Yavehpress. Jesus tenta de novo conquistar fama, dinheiro e fortuna, mas só consegue ganhar de 300 a mil reais por mês. Até ter a idéia que mudaria por vez sua vida.

Sendo filho de Deus, Jesus tem acesso direto ao homem que manda na porra toda. Cansado de ter de pedir grana ao Pai para a cervejinha no El Malak e de ser pego para Cristo toda vez que precisava fazer isso, Jesus resolve fundar sua própria igreja, a Universal do Blog de Deus. Com barba raspada, cabelo cortado e um nome diferente – Edir Macedo – Jesus consegue angariar ovelhas adsense em bairros da periferia. Era o começo de uma nova era.

Mas Judas, sempre atrás de mais props, acha um vídeo onde Edir Macedo diz que o povo é trouxa, a bordo de um belo iate. Em seguida, Judas sobre no Youtube outro vídeo onde um dos novos amigos de Jesus, hoje Edir Macedo, chuta uma antiga correligionária do homem de Nazaré, Nossa Senhora Aparecida, antiga secretária do Pai de Jesus. Edir cai em desgraça e volta a ser Jesus Cristo.

Cansado de toda a confusão com seu nome, em especial o uso em músicas de um tal de Roberto Carlos, Jesus Cristo assina com a Lionsgate um contrato para estrelar o filme “Between the cross and the sword”, lançado no Brasil com o nome de “Vampiros 3018”. Jesus pega o papel de Jay See, um caçador de vampiros que, na verdade é também um vampiro. Acompanhado de Sarah Michelle Gellar e David Boreanaz, Jesus vê a bilheteria do filme atingir níveis pífios. Acaba por culpar o diretor, John Carpenter, que deu a ele o papel de um traidor. “Devia ter chamado Judas!”, reclama Jesus no site Omelete.

Desiludido, Jesus tenta novamente a carreira cinematográfica. Desta vez é um filme de zumbis, chamado “Jesus fucking Christ, they are zombies!”, traduzido no Brasil como “Jesus, Maria e José, eles são zumbis!”. Jesus faz o papel de Zeus Cristal, um soldado espartano que vem do passado para caçar zumbis no futuro. O que ninguém sabe é que, além de zumbi, Zeus é também um vampiro. No final, Zeus é morto por Lord Vord, interpretado por Dennis Hopper. “Eu não sou Christopher Lee, não sou um vampiro!”, reclama Jesus novamente ao Omelete, após o fiasco do filme nas bilheterias.

Sem chances na blogosfera, na twitosfera, no cinema e na estratosfera, Jesus volta para a Palestina, onde é seqüestrado por judeus ortodoxos. Levado ao quartel general do Mossad, é torturado e obrigado a contar o paradeiro de Deus, que abandonara o filho para fugir com uma morena taitiana chamada Tatiana. Após muito apanhar, Jesus é colocado em uma cruz na Faixa de Gaza, onde milhares de muçulmanos vão apedrejá-lo. Após levar três pedradas, Jesus vê a Força Áerea Israelense se aproximando e avisa aos muçulmanos presentes:

– O perigo virá do céu, seus trouxas!

Os árabes se fazem de surdos, vez que o Céu havia abandonado há tempos Jesus e a Mary Chain. Um bombardeio dizima apedrejadores, Jesus, um cachorro e duas cabritas. Sem poder ressucitar de novo, Jesus morre e vira notícia no jornal O Estado de S. Paulo. Ou quase notícia, já que a manchete dizia:

“Israel bombardeia Gaza. 38 palestinos, um cachorro e duas cabritas morrem”.

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