Vestibular de merda

O que dizer de uma pessoa que não sabe fazer exame de fezes? Vejam, não é uma prova de vestibular, um teste para entrar no MIT ou coisa do tipo. É um teste de merda, literalmente. E qualquer pessoa no mundo sabe cagar. Eu, você, o Lula, o Stephen Hawking. Ok, talvez o Stephen tenha problemas quanto ao assunto. Vamos trocar, sei lá, para o Nick Hornby, uma grande mente.

Pois bem, todos no mundo sabem soltar os charutos do Fidel. Seja rico, pobre, burro, inteligente, bonito, feio. A Carla Bruni caga e aquela cara do Sarkozy não nega: ela caga em cima dele! A merda une a todos, em qualquer circunstância. United shits of Benetton e tal.

Mas aí temos o exame de fezes. Aquele lance de ir até o laboratório, recolher seu cocô em um pote e entregar para um médico. Porque seu patrão quer saber se você caga bem antes de admiti-lo. O que é justo, por sinal.

E ontem eu descobri que na única vez em que fiz o exame de fezes, eu fui reprovado. Não que eu tenha cagado a alternativa errada, longe disso. É que eu rasurei a prova, e muito. O negócio é que me deram o pote e a pá e eu pensei em sorvete na mesma hora. Sei lá, para dar aquela força na hora de evacuar os cubanos em direção à Miami. Então olhei para o pote tal qual o homem olhou para a roda na primeira vez que a viu e pensei “que merda, comofas?”. Errado desde o princípio.

Daí eu fui para o banheiro, com o pote em mãos. Fiquei pensando na logística da coisa, como diabos eu ia conseguir por a criançada para nadar se não tinha água na piscina? Olhei para a pá e só consegui achar uma utilidade à ela: serve para que o médico depois examine as minhas fezes.

A ciência tem um gênio indomável e nem sabe.

Depois de muito pensar, cheguei a conclusão que deveria cagar no pote. Porque eu lembrei da expressão, sem pensar muito no significado dela. Então, munido de muita destreza e força de vontade, caguei no pote. Saí do banheiro orgulhoso do meu feito, pois imaginei que era o primeiro em mil anos que não entregou a prova anal com a mão cheia de merda. Tinha tirado dez.

Daí ontem, conversando com a Imperatriz, surgiu o assunto. Porque, vocês sabem, eu só falo merda. Narrei a história supracitada e, depois de algum tempo, ela me ensinou a mecânica da coisa:

– Então, você faz no vaso, daí recolhe com a colher e coloca no potinho.
– Mas como assim, eu vou ficar caçando merda na privada?
– É!
– Não se faz no pote?
– Claro que não!
– Mas e a pazinha, não é para o médico brincar de fazer bonecos de “argila”?
– Hahahahahaha, eu não acredito nisso!

Fui o resto do caminho pensando nas sábias palavras dela. Tudo fazia sentido, a pá era mesmo para recolher o material para exame. Por que diabos eu achei que aquilo era para o médico, se o infeliz poderia ter 300 daquelas no consultório? E por que arrisquei minha vida cagando no pote?

– Mas vem cá, e se o cocô sair muito duro?
– Ele nunca sai duro a ponto de não poder ser quebrado.
– E se sair muito mole?
– Daí não rola exame!

Eu questiono mais a merda do que, sei lá, a existência de Deus. Depois de mais algum tempo, resolvi dar um xeque-mate na discussão, a meu favor:

– Arrá! Mas espera lá, se é desse jeito que você diz, por que existe a máxima “cagar no pote”?
– Bom, eu não tenho uma explicação para isso.
– Viu, então eu acertei. Quer dizer, fiz o exame de um jeito meio certo.

Vocês precisavam ter visto a expressão dela.

Não consegui deixar de pensar naquela merda toda. A merda da discussão, que fique claro. Depois de muito divagar, súbito falei à Imperatriz:

– Só que agora eu tô pensando: cagar no pote significa fazer merda, não é?
– Claro!
– Então, durante meu exame, eu caguei no pote!
– Claro!

Menos mal que há anos entrei no vestibular da São Judas. Ao menos posso dizer que em uma prova de merda eu passei.

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6 pensamentos sobre “Vestibular de merda

  1. Bruna disse:

    Hahaha…
    Ótimo o post!
    Adorei o blog.
    Beijos!

  2. Lara disse:

    Isso é o que eu posso chamar de to much information. Não foi legal imaginar vc cagando, sério!

  3. Beijomeliga disse:

    Que bom que agora todo mundo sabe que a gente conversa sobre cocô.
    A lilhá ia ficar orgulhosa de nós \o/

  4. atruculenta disse:

    Mas que merda, hein?
    he.

  5. Camila disse:

    Tá, vai… Rendeu boas risadas em um dia de merda!!! Valeu!

  6. Stork disse:

    O que eu não ri com este post. Muito elucidativo, de facto. :) Cumprimentos de Lisboa, amigo.

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