A fumaça nos libertará

O Veríssimo disse que a Terceira Guerra Mundial será travada entre os fumantes e os não fumantes. Explicou a questão das trincheiras e tudo o mais, de forma genial como lhe é peculiar.

O problema na visão do Veríssimo é que não haverá guerra entre os fumantes e os não fumantes. O que acontecerá de fato é um novo Holocausto, onde dessa vez a Solução Final será a última coisa para aqueles que gostam de espalhar sua fumaça de maneira descompromissada.

Afinal de contas, fumar é o novo judaísmo.

É fácil percebermos isso por conta da identificação cultural que um fumante tem com o outro. Nós, os fumantes, sempre abandonamos o cinema quando o filme é ruim. Isso independe do gosto cinematográfico de cada fumante. Qualquer cena merda serve para aquela escapada até a escada mais próxima – porque nós, os fumantes, não podemos mais fumar em público – para que um cigarro seja acesso e a cena seja discutida, ou qualquer assunto seja discutido, enfim. Nós temos nosso elo cultural que jamais será quebrado por outras forças maiores, como o cinema iraniano e seus filmes sobre mulheres que costuram tapetes para sempre. A cultura do nosso “povo” sempre será igual.

Outro fator importante é que temos o mesmo Deus. O Deus Cigarro. O Deus Cigarro é aquele o qual você procura nas piores horas. Sua mãe morre e você acende um cigarro. Você perde o emprego e acende o cigarro. Seu carro bateu, um cigarro. Precisamos de um conforto em momentos de crise e somente o cigarro salva. Assim como os judeus, não acreditamos no Messias, os chicletes e adesivos de nicotina. Eles são paliativos – vieram ao mundo, passaram sua mensagem e ninguém entendeu direito. Esperamos o dia em que o enviado divino virá em forma de, não sei, um cigarro sem fumaça. Um cigarro que passe a mensagem de que temos nosso conforto sem que ele influencie o conforto alheio. Porque, é claro, devemos respeitar a condição do asmático que não pode ver uma fumaça. Mas o maldito asmático, peso morto para a sociedade, não pode respeitar nossa condição de prantear as merdas do mundo com a ajuda do nosso Deus, expressar nossa união através da vontade de fumar, estabelecer nosso elo com aquele que nos conforta. A maldita bombinha pode, o cigarro, não.

Outro fator comum à sociedade judaica é que ele é dinheiro. Assim como o dinheiro é a base do judaísmo, o dinheiro e a base do cigarro. Em algumas sociedades, em especial aquelas encarceradas, o cigarro vale dinheiro. Mas não é só isso. Uma pessoa sem cigarro paga a outra para que ele seja cedido. Não imploramos pelo nosso Deus, nós pagamos pela sua presença, mesmo que tenhamos de pedir emprestado em outros altares. E conseguimos coisas com isso, desde um chocolate vindo de um vendedor de rua até um boquete em uma prisão. O cigarro agrega e o melhor, agrega da maneira que você deseja. Duvido que uma bombinha para asma faça isso.

Exemplificadas algumas semelhanças, fica claro que se faz necessária a criação de um estado fumante. Não um estado qualquer como Israel, dividido por dogmas religiosos e vizinhos hostis. Um estado único, um estado esfumaçado.

Vamos todos para Cubatão.

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3 pensamentos sobre “A fumaça nos libertará

  1. Ana disse:

    Apesar de não estar incluída no Estado fumante, como elogio nunca faz mal.. muito bons seus textos! Sempre morro de rir aqui!

  2. Silent B disse:

    O primeiro passo para fundar o estado fumante é a monetização do FAIL Blogs como fonte de renda nacional

  3. Beijomeliga disse:

    Hahahahaha… Será que a Phillip Morris não quer que o fail blogs faça um post pago sobre o marlboro? Imagina, a gente recebendo de brinde pacote se pacotes de cigarro pra serem testados. Superaceito \o/

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