Once upon a time…

Era uma vez uma princesa que vivia na mais alta torre do mais alto castelo. Aprisionada pelo próprio pai, esta princesa aguardava que seu príncipe encantado viesse regastá-la, de cavalo branco e espada em mãos como pedem as histórias deste tipo.

Dentro dos muros da cidade, o jovem cavaleiro branco contava vantagem sobre mais uma batalha. Aos jovens a sua volta, restava apenas aguentar a exaltação do espiritio aventureiro alheio enquanto todos tomavam cerveja. O cavaleiro contava as peripécias da última campanha quando foi interrompido por uma figura estranha sentada ao fundo do bar:

– A princesa da mais alta torre do mais alto castelo é, sem dúvida, um desafio à altura de tão nobre cavalheiro.
– Como ousas dirigir-se a mim desta forma, homem infame!?
– Vá, a referência torre alta e desafio a altura não é tão ruim assim.

Todos concordaram, apesar de acharem aquilo tão infame quanto a história de Sir Rose, o cavaleiro que morreu por complicações causadas pelo álcool. O homem continuou.

– Vocês sabem, na torre mais alta do mais alto castelo vive uma donzela, aquela que nunca foi tocada. Pois bem, muitos homens pereceram tentando deflorar a jovem…
– E você acha que eu não sou capaz disso? – perguntou o cavaleiro branco, desafiador
– Eu não sei. Você tem algum problema de ereção? Já falou com seu médico? Eu falaria.

Cansado daquela propaganda real, o cavaleiro branco levantou e anunciou para todos que iria atrás da jovem do mais alto castelo na mais alta torre em busca de altas confusões na Sessão da Tarde.

Quando chegou à porta do castelo e foi recebido pelo porteiro, se espantou com os dois andares do edíficio.

– Aqui é o castelo mais alto onde tem a torre mais alta e… enfim, a porra toda é alta?
– Sim senhor…
– Mas… onde isso é alto?
– A partir do meu momento que o meu senhor nomeou este edíficio como o prédio mais alto da torre mais alta.
– Mas isso é mentira, não é? O cara engana todo mundo com esse negócio de torre mais alta e tal!
– E?
– Como “e”? Isso configura crime!
– Me processa?
– Bah! Vou entrar e buscar a princesa.
– Vai lá…

E o nobre cavaleiro subiu até a torre mais alta do castelo mais alto que nem era tão alto assim. Prestes a chutar a porta do quarto e possuir a donzela que nunca tinha sido tocada, ele é advertido pelo cavalariço.

– Sei não…
– Sei não o quê?
– Olha, eu não tenho muita experiência nesse lance de ser cavaleiro e tal, mas acho que isso é roubada.
– Como assim?
– Pensa só: todo mundo fala que a porra é alta pacaraleo. Daí você chega e o negócio tem dois andares.
– Mas é porque o Rei daqui quis assim.
– Ok, entendo. Mas porque ninguém levou a mulher até hoje. Vê só, a coisa é simples, é chegar e levar a cocota!
– Sim mas… por que diabos eu discuto isso com um cavalariço!? Um homem que só sabe de cavalos –  o que aliás, parece ser coisa de bicha, manjar de jegues e afins. Na boa, me espera lá embaixo.

O jovem desceu balançando a cabeça. Sem nada para interrompe-lo, o cavaleiro branco deu com o pé na porta e finalmente pode ver sua futura amada, a mulher que seria deflorada, que teria seu corpo imaculado tocado por aquelas mãos fortes. Em suma, a mulher que seria comida, aquela com quem ele daria um picote. Galante, o cavaleiro se apresentou:

– Nobre donzela, eu sou o cavaleiro branco e vim aqui para possuí-la!
– Ó, nobre cavaleiro branco! Antes de você me possuir, eu tenho algumas perguntas!
– Pois pode perguntar, minha donzela.
– Quanto você ganha por mês?
– Donzela, eu ganho mutio em batalhas.
– Sim, mas é fixo? Você investe em fundos de renda fixa? Tem aposentadoria pelo Reino ou privada? Possui açõs na Bolsa?
– É, bem…
– E qual será o nome do nosso primeiro filho? E do segundo? Do sétimo? Seguiremos a ordem daminha família ou da sua?
– Eu não sei…
– E sua carruagem, qual é? Ford? Ferrari? Você possui carruagem, não?
– Bom, eu…
– Se formos fazer nosso primeiro filho agora, você vai trocar essa armadura, não? Porque ela não combina nada com a cortina desta janela e…

O cavaleiro branco, completamente atônito, pulou a janela tentando dar fim aquilo. Ao chegar ao solo, dois andares abaixo, foi logo perguntado pelo porteiro:

– Viu o por que da torre mais alta do mais alto castelo.
– Me ajuda?
– Te fode aí.

FIM.

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2 pensamentos sobre “Once upon a time…

  1. Nayara disse:

    Cavaleiro Branco só se chamava BRANCO pq naquela época não existia cotas raciais! huhuauhaahu

  2. Sol disse:

    Propaganda enganosa! hahahahhaa

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