Aplicando o fordismo à minha vida. Ou, tô fordido

Eu nunca fui bom nos quesitos liderança e empreendorismo, essas coisas de fundador do Bradesco. Talvez por isso vocês nunca me verão na capa da IstoÉ Dinheiro ou fazendo matérias com o pessoal do Pequenas Empresas, Grandes Negócios.

Mas de vez em quando eu tenho minhas idéias sobre negócios e acredito piamente que elas funcionariam. Pelo menos em um mundo onde todos fossem retardados como este que vos escreve, o cara que compra uma caneca do Corinthians antes de ir em um show dos Stones na praia de Copacabana. Nem é tão anormal assim, eu sei, mas só fica com a pecha de “o negócio mais idiota que alguém já fez” quando se conhece a descrição do produto:

“Caneca” do Corinthians.

Uma garrafa de 51 cortada ao meio.
Um puxador de armário da Marabraz.
Cola.
Um adesivo tosco do Corinthians.
Um paulista trouxa nas proximidades de Copacabana.

Tendo tudo isso em larga escala, temos o sucesso. E é por isso que eu acredito piamente que minha última idéia empresarial tem tudo para dar certo: a Esconde-esconde Ltda.

Isso mesmo, esconde-esconde, aquela inocente brincadeira infantil. Com um capital inicial não muito alto, eu alugo um galpão gigante e construo réplicas de casas, fábricas e afins. Feito isto, contrato alguns atores para fazerem personagens clássicos da brincadeira, como a velha chata que expulsa as crianças que vão se esconder em suas casas e o segurança da metalurgica que te confunde com um ladrão e atira para o alto.

Cobrando a tarifa módica de R$ 30 por cabeça, sendo que o grupo de participantes deve girar em torno de dez pessoas para cima, visualizo lucro. Ok, temos algumas variáveis, como:

– Que tipo de gente idiota pagaria por algo que pode ser feito de graça?
– Que tipo de gente idiota pagaria para brincar de esconde-esconde?
– Que tipo de gente idiota… [insira aqui milhões de variáveis]?

Não podemos esquecer que existe todo um mercado de gente imbecil esperando para consumir. Gente que vai em micaretas, gente que paga seis reais em uma Skol, gente que compra canecas do Corinthians em Copacabana e por aí vai. E é este tipo de consumidor que anseia por consumir esta idéia estúpida. é aquele tipo de consumidor que vibra com os comerciais da Polishop e que anseia por um amassador de latas da Tok & Stok. O cara que quer preencher sua falta de tino comercial adquirindo produtos que não servem para nada e não levam a coisa alguma.

Se o mundo fosse feito só de Júlios, eu seria um homem rico.

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5 pensamentos sobre “Aplicando o fordismo à minha vida. Ou, tô fordido

  1. Beijomeliga disse:

    Mas vá, até que não é tão ruim assim, se considerarmos os quilos de estupidez da massa.
    Esquece a jaqueta e investe no esconde-esconde.

  2. Ray-Sama disse:

    Aloha!

    Essa de alugar um galpão grande com pouca grana foi coisa do Guinness, não foi?
    Mas essa canequinha é muito féxion pra se vender no Rio!
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    *Se fosse do Flamengo, até que ia!*

    Aloha!

  3. Rafael disse:

    Enche o galpão com bolinhas coloridas e pôe um escorregador. Vai ficar muito mais massa.
    Eu sempre me fodia no esconde-esconde, por ser uma criança gorda que não conseguia correr sem fazer careta.

  4. insupor disse:

    ótimos textos!

  5. […] A construção demandaria pouco tempo e dinheiro. Inclusive uma parcial da ideia já está nesse texto que escreve há tempos. Ao vencedor, uma bela taça em forma de batata, para lembrar Machado de […]

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