Internet serious business

Nós costumamos contemplar as coisas quando algo está perto do fim. Eu por exemplo, vendo os carros em alta velocidade lá embaixo, comecei a pensar na vida, no que tinha feito até então, nas pessoas que decepcionei e naquelas que deixei orgulhosas. Estas em menor quantidade, claro.

Logo eu, um cara que nunca tinha pensado em suicídio antes, morrer dessa forma. Tecnicamente não é suicídio, porque alguém vai me empurrar. Mas mesmo assim é um tanto quanto humilhante morrer de uma maneira que você nunca acha que vai morrer, que você se previne para não acontecer. O único plano que você faz e que, teoricamente, não depende de outros fatores, vai por água abaixo. Eu não tenho quem culpar senão a mim mesmo.

E esta pessoa que eu desconheço vai dar cabo da minha vida. Por desconhecê-la, a coisa toda piora mais ainda. Onde eu o vi? De que forma o ofendi? Por que diabos ele quer me matar se eu não faço a menor idéia de quem ele é? Nunca andei de cuecas na casa dele, oras!

Pois ele me olha como se fossemos amigos de infância. Claro, aquele tipo de amigo que vai te empurrar de um prédio, mas ainda assim um amigo. Me encara de maneira firme, decidida. Ainda não empurrou para dar aquele tempo que todos os que estão próximos à morte precisam. Para pensar. Para ver o mundo com outros olhos, ainda que pela última vez. Talvez seja isso, tudo fica inédito perante a morte. Se passassem Casablanca agora mesmo eu torceria para que a Ilsa não fosse embora. O dia a dia, a rotina, me fez acreditar que ela nunca vai ficar e que eles sempre terão Paris.

– Mas então, por que?
– Você não sabe?
– Claro que não!
– Você não me conhece?
– Desculpa, deveria?
– Sim! Eu sou seu amigo no orkut! Te sigo no twitter! Assino o feed do teu blog!
– É por causa do que eu escrevo que você vai me empurrar daqui?
– Não, eu acho ótimo o que você escreve!
– Então?
– Você nunca me seguiu de volta, nunca foi meu amigo! Nem ao menos um comentário dos muitos que eu fiz você respondeu!

E ao invés de me denunciar como pedófilo para o orkut, ele resolveu me empurrar 14 andares abaixo.

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2 pensamentos sobre “Internet serious business

  1. Paulo Bono disse:

    porra, são os neo-psicopatas?

  2. Beijomeliga disse:

    Amigo de Orkut é rola!

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