Cinco livros que tiveram influência direta na minha vida

Livro deve ser, disparado, a coisa que eu mais compro. Eu não posso passar perto de uma livraria, sebo, ponto de droga onde o traficante é também leitor. Tem sempre algo que eu quero. Se eu não estiver procurando nada, surge um livro que ganha status de procurado. Se eu estiver atrás de um, saio com dois, cinco.

Claro, isso não indica que eu sou um bom leitor, uma pessoa culta. O mesmo amor que eu tenho pela literatura se transforma em desprezo quando eu abandono um título ao léu. Só esse ano já larguei uns três ; devo chegar a faixa dos dez livros carentes que esperam ser adotados pela Angelina Jolie, isso é quase certo. Mas prometo que no ano que vem eu retomo a leitura deles. Prometo. Tá, prometo porra nenhuma, não votem em mim.

Aproveitando que hoje é dia do livro e que eu não tenho nenhum conto salvador – ou mesmo ruim – em mente, nada melhor do que encher linguiça com o top idiota cinco livros que, de alguma forma, tiveram influência na minha vida. Vejam, como eu disse, sou um péssimo leitor. Mas tem pelos menos cinco livros que me fazem contemplar a capa quando concluídos e exclamar: “filho da puta, que foda isso, porra!”. Dercy manda beijo, caralho.

1 – Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

Não acho que Memórias póstumas seja um livro “Caraleo, dorgas mano, que livro foda!”. Mas ele mora em meu coração pelo fato de ter sido meu primeiro livro. Sim, tal qual minha vida sexual – e talvez todo e qualquer tipo de vida – a literatura começou tarde, aos 18 anos. Enquanto você lia Ulisses, eu jogava NBA Jam e essa é a vida. Em contrapartida, faço piadas ótimas com novelas graças ao fato de ser inculto.

2 – Crime e Castigo – Fiodor Dostoiévski

Quinhentas e caralhadas páginas de literatura russa dão sono só de pensar. Mas o Dotô (como o chamamos nos jogos de pôquer da eternidade) é diferente. ele fica brincando com a sua cabeça – o que no meu caso é brincar na Disney World – o tempo todo te mostrando Raskolnikov como um puto sem coração e, ao mesmo tempo, uma vítima das circunstâncias que, conhecedor de todo seu potencial, resolve que matar é legal e, por que não, justo, já que ele faz parte daquelas mentes brilhantes que cagam regra para o que a tal da sociedade vai pensar ou não. Com este personagem dúbio, navegamos pela desgraça de São Petersburgo, flertamos com o socialismo (aquele legal, não a chatice do Marx, pega eu PSTU!), tudo isso dentro de uma narrativa brilhante.

3 – O segredo de Joe Gould – Joseph Mitchell

Um mendigo diz que está a escrever a história oral do mundo. Sustentado por famosos de Nova York, jura de pés juntos que tem muito material reunido, uma obra maior que a Bíblia. Joseph Mitchel apura e descobre, depois de muitos anos, que tudo era uma grande farsa. A narrativa informal de Mitchell faz com que o leitor se sinta em Nova York, conversando com Joe Gould. E caindo na lorota dele pois, como todo vigarista que se preze, ele era muito bom.

4 – Sua resposta vale um bilhão – Vikas Svarup

Esqueça a cagada colossal que Danny Boyle fez em Quem quer ser um milionário. Sua resposta vale um bilhão, livro que “inspirou” o filme (eu nunca mais vou acreditar em cartazes Holly-Bollywoodianos) é desgraçado, doentio, filho da puta mesmo de infeliz. Mas a cada final de capítulo da epopéia de Ram Mohamad Thomas em busca de um bilhão de rúpias, vemos que é no caos que nasce a luz. Longe de ser aqueles romances edificantes sobre o bem vencendo o mal e blábláblá, trata-se de um livro sobre como a sorte pode influir no destino de um ou de muitos. Ram fica bilionário não por pena ou por roubar. Fica pois é sortudo, como aquele cara que estudou até a segunda série leva milhões na Mega Sena, deixando o professor de matemática de qualquer conceituado centro de ensino na vida de assalariado.

5 – A fogueira das vaidades – Tom Wolfe

Ler as matérias jornalísticas de Tom Wolfe o faz agradecer a professora da segunda série por tê-lo ensinado a ler. O tema mais banal vira uma história única, incomparável, com toda a cara de romance. Quando o escritor resolve escrever romances então, fica imperdível. A história de Sherman McCoy poderia muito bem ter saltado das páginas de jornais e virado uma análise psicológica nas mãos de Truman Capote. Com Tom Wolfe, vira uma ópera bufa, onde esse sentimento ótimo de querer saber tudo sobre a desgraça alheia que temos salta de forma estratosférica. E Peter Fallon é, na minha opinião, o melhor retrato de um jornalista que já tivemos na história desse vício que é a literatura. Eu sempre quis ser jornalista. Depois de A fogueira das vaidades, eu queria ser o Peter Fallon.

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3 pensamentos sobre “Cinco livros que tiveram influência direta na minha vida

  1. disse:

    De todos esses, eu só li o do Dotô. Eu ficava impressionado como a vida dele era uma desgraça: alojamento apertado, suas roupas eram sujas (e fedidas provavelmente), o bairro era quase uma favela, os lugares que ele frequentava um lixo. Em resumo, o livro é ótimo.

  2. Beijomeliga disse:

    Olha a coincidência: seu primeiro livro foi Memórias Póstumas e naquele teste do livro EU SOU o Memórias Póstumas. Será que eu sou sua primeira…
    Ai, agora intriguei, heim?

  3. […] feira, nem do último filme que eu nem terminei de assistir. Poderia ser do último livro lido, mas alguém já falou sobre ele muito melhor do que eu seria capaz (e, se interessa saber, é o livro do ítem […]

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