Máfia canina ou Au Au Capone

Quando a Imperatriz sai e deixa a Punky aos cuidados deste que vos escreve, altas confusões acontecem no Upper East Side. A última, na quinta do feriado, foi quando eu e Punky – cachorra dotada de inteligência que supera, e muito, este animal que por cá digita – saímos para o passeio matinal. Punky não é muito chegada em sair de casa de amanhã, ainda mais nos feriados, dia de bifinho e cama. Mas súbito empolgou-se com a ideia de cagar fora de casa, de preferência numa ladeira onde a bosta rola e a cena é engraçada para ela. Pois bem, fomos eu e Punky passear pela Franca.

Na volta, depois do xixi com jeito de “tomei cerveja a noite inteira, pegaeu”, seguíamos conversando sobre o mercado financeiro e a crise no Irã, além da morte do Michael. Papo vai, papo vem e avistamos a frente uma bichinha, que passeava serelepe com o seu cachorro (aposto que chama Santoro) e seu Ipod, certamente escutando Two Princess. Ao nos avistar, a bichinha tira o fone do ouvido para puxar aquele assunto.

– Oieammmmmmmm. Seu cachorrinho tem…
– AUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAU!!

Nem escutei o que o cara tinha perguntado. Punky avançou no “Santoro” como se fosse um são paulino ao ver uma mulher. Agradeci ela por me salvar da cantada bicha. Mal sabia que teria de pagar mais tarde.

Hora do almoço. Com a Jamie Oliver de saia fora de casa, nada melhor do que tentar cozinhar. Preparei um Hot Pocket de picanha, especialidade minha com o único aparelho que realmente domino em uma cozinha, e uma ração com carne enlatada para Punky. Caprichei, afinal de contas devia isso a ela. Mas acho que o preço era maior.

Quando o microondas apitou fim de jogo para o Hot Pocket, Punky ficou atenta. Afinal de contas, a matemática era óbvia: eu não como ração, pelo menos não ainda. Ela come hamburguer e ração. Em vantagem, poderia deixar sua comida dando sopa enquanto cobiçava a minha. Por causa dos serviços prestados horas antes, tive de dar um ou outro pedaço de hamburguer, enquanto ela olhava e desejava com todas as forças que aquilo caísse das minha mão.

Terminada a sessão olho gordo Punky, como se nada tivesse acontecido, volta e termina sua pratada de ração. Com aquela cara que os mafiosos fazem quando você aceita uma oferta a qual não pode recusar.

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Um pensamento sobre “Máfia canina ou Au Au Capone

  1. falaaverdade disse:

    Os animais jamais decepcionam! O mais incrível é que criamos poucas expectativas e, por isso eles sempre nos surpreendem com suas atitudes fofas, lotadas de carinho, lealdade e, principalmente coerência!!!!!
    Beijo

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