A regra é clara

A minha experiência com o Suplicy se resume a uma fila furada. Estava na entrada do Prêmio Vladimir Herzog, naquela época da faculdade em que vamos às punhetações porque a coxinha e a cerveja são na faixa. Vislumbrei o futuro da imprensa quando um senhor, provavelmente jornalista, pedia encarecidamente à moça que cuidava da bandeja de carolinas que sua sacola do supermercado Extra fosse abastecida com todo o doce possível para o Holocausto Nuclear. Devia ter prestado atenção à mensagem.

Pois bem, Eduardo Suplicy estava duas milhas de onde eu estava. Com a velocidade de uma tartaruga reumática chamada Stephen Hawking , parou a minha frente quase que instantaneamente e, sem cerimônia, assinou o livro de presença e se foi. Como eu ia reclamar com ele que estava na fila há tempos e era minha vez? Vocês já cogitaram a hipótese de discutir qualquer coisa com o Senador Suplicy?

– Senador, desculpe, mas eu estava na fila.
– Conhece o Renda Mínima, rapaz? Tenho esse livro.
– Senador, eu só queria que o senhor fosse um pouco mais educado e…
– How many roads must a man walk down,  before you call him a man?
How many seas must a white dove sail,  before she sleeps in the sand?
Yes and how many times must cannonballs fly,  before they’re forever banned?  The answer, my friend, is blowin’ in the wind. The answer is blowin’ in the wind… rapaz?
– ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ.

Devo dizer então que senti uma ponta de inveja do Sarney e do Heráclito Fortes. Porque no dia do Herzog, tudo que eu queria era lutar até a morte com o Suplicy. Eu sei, você vai pensar que é exagero da minha parte, mas pense no quão fracassado você se sente quando o homem que comeu a Marta e, por conseguinte, é pai do Supla, consegue te bater em algo tão simples como uma fila. Visualizem que Suplicy é a resposta brasileira ao Billy Idol e vocês compreenderão.Acho que o Suplicy não ganha nem no palitinho e eu fui lá e, defeated, me fodi, flawless victory para o senador romano que perseverou no ofício.

Tudo que eu queria era um cartão vermelho, um surto psicótico bipolaridade plus cocaína. Ao invés disso ganhei um sorriso amarelo e a certeza de que todos os jornalistas do recinto me chamaram de fracassados. E isso é o mesmo que apostar corrida com o Suplicy e o Rubinho e chegar em segundo.

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