Kaya na rede, kaya na gandaia ou o tropicalismo da Meritocracia Informal da Internet

Eu não sei se não sou o target do buzz do viral (taí, Zeca Baleiro, Samba do approach 2 – A missão), mas não entendi direito essa ação Porto cai na rede. Se você ficou em Marte por esses dias, pergunto se Jefferson Peres vai bem e explico: convidaram alguns integrantes da Meritocracia Informal da Internet e outros blogueiros menos famosos para passar um final de semana em Porto de Galinhas. Galera foi, salgou a bunda e tal. Porém, fica a pergunta:

QUEM DIABOS QUER SABER DE INTERNET EM PORTO DE GALINHAS?!?!?!

Porque ok, é sempre bom ter aquele acesso 3G mequetrefe na praia, principalmente quando todos seus amigos, seguidores, leitores, súditos, sádicos ou Britneys chupando trabalham e você curte o bem bom do sol em uma quarta-feira enquanto São Paulo segue maldita e molhada por São Pedro. Mas, além disso, quem diabos vai querer se conectar a grande rede em um paraíso tropical? Se tivesse wi-fi na ilha daquele filme com a Brooke Shields, você conectaria nela ou no seu notebook? Brooke Shields, 15 anos, ilha paradisíaca. Nem Roman Polanski em seus mais doces sonhos infringiu tanto a lei de ser feliz.

E o 3G é mequetrefe justamente por isso, para que você possa mandar no máximo uma mensagem e pronto. É o porta aviões afundando sem tempo para aquele MAYDAY maroto. Então você manda um “chupa japas” e morre bonito no Pacífico.

Daí a galera que curte altas armações nessa sit.com resolveu que, não bastasse transformar Porto de Galinhas no bonde do USB, era necessário ter na ação um evento que representasse bem o que é a Meritocracia Informal da Internet. Em um brainstorm de corar aquele onde ficou decidido que era hora de ficar e proclamar a Independência desta terra, ficou estabelecido – graças a genialidade do Secretário de Turismo da cidade – que a internet brasuca teria sua cara representada por um casamento.

Pode ser ironia, mas eu vejo como deslocamento involuntário: internet não tem nada a ver com praia. Casamento não tem nada a ver com blogueiro. Luis Caldas, oriundo do forró que foi para o metal, se viu sem rumo depois dessa.

Afora a piada ruim acima, se do Democratas eu fosse, diria que a ação é stalinista. O Estado se intromete claramente no destino dos jovens que casaram. Porque a moça casou com o Brogui – aquele rapaz que é uma espécie de Ricoh da internet, sendo o Kibeloco a estabelecida Xerox – e se isso não for a Sibéria dos relacionamentos, eu não sei mais nada da história dos vermelhinhos.

Mas posso estar equivocado quanto a tudo isso. Afinal de contas meu cotovelo é preto de ler jornal, essa mídia velha que, junto com o livro, o rádio e o Niemeyer, não chega até o Natal.

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7 pensamentos sobre “Kaya na rede, kaya na gandaia ou o tropicalismo da Meritocracia Informal da Internet

  1. Gabi disse:

    Se o Niemeyer morrer depois de amanhã, jogamos na megasena no sábado.

  2. Bruno disse:

    Outra coisa que só agora me dei conta: E os familiares deles estavam lá pra prestigiar o casamento deles. Pai, mãe, alguém? Eles puderam escolher os padrinhos e madrinhas ou tiveram que se contentar com alguns dos blogueiros (argh!) que estavam lá?

    E os amigos do casal? Amigos da vida real que bem se diga, tiveram que ir até Porto de Galinhas? A organização do evento bancou a ida deles? Ou eles não puderam prestigiar o casamento dos amigos?

    Cara, isso é muuuuuuuuuuuuuuito errado!

  3. Beijomeliga disse:

    Ai Júlio, deixa de ser salsinha, vá!

  4. Quando eu comecei a ler, pensei em perguntar se toda essa oratória era pelo simples fato de você não ter sido convidado. Mas, em se tratando da Meritocracia Informal da Internet, vejo que não é este o caso.

    Mais que meritocracia, isso é a Síndrome do Pequeno Poder. Você tem um blog, deu uma tirada engraçada e acha que é o oráculo da Internet. Se eu gostaria de estar em Porto de Galinhas em pleno meio de semestre? Óbvio que gostaria! E quem não? Mas eu não faria disso o meu cartão de visitas, muito menos me vangloriaria de participar de tal rega-bofe plenamente abastecido de tapinhas nas costas. Só tiraria sarros dos meus amigos por estar numa praia e eles não.

    Mas aí é piada de firma. Não precisa de blog, TV Nordeste, kibadas e afins.

  5. Trotta disse:

    Peraí, seria o Tabet uma versão kibada do Brogui, ou o Brogui uma versão brogada do Tabet? Ficadúvida! :O

  6. danilo disse:

    Alguém reparou no comentário da bjomeliga? É esse o apoio que esperamos delas nas nossas críticas mais profundas dessa sociedade utilitarista e injusta em que vivemos? Boa, Júlio!

  7. […] cai na rede – de André MarmotaKaya na rede, kaya na gandaia – de O Imperador Atualização (13/10): Não consegui ler todos os comentários no Twitter e […]

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