Pelo trocadilho infame

Anunciado o vencedor do Nobel da Paz esse ano, confesso que me deu um branco essa história do Obama levar o prêmio Porque vá lá, ele é o queridão do mundo. É cool, usa BlackBerry, tuita e, se bobear, tem uma conta no Soulseek cheia de clássicos do Stevie Wonder. Mas e o Iraque? E o Afeganistão? E aquela fechada de fachada em Guantánamo? Ele pode ser gente boa, mas boa gente ele não é.

Se olharmos outros vencedores porém, até faz sentido. O Gorbatchev, por exemplo, já ganhou um Nobel. Mas ele só acabou com a URSS porque  tava mais no vermelho do que nos tempos de Stálin. Não foi uma medida de paz, foi uma medida para lá de óbvia. O careca capitalizou tanto o feito que hoje é comunista propaganda da Pizza Hutt e da Louis Vuitton.

Shimon Peres, se não me falha a memória, ainda é presidente de Israel e encampa com vigor de profeta a ideia de cercar a Palestina com um muro e jogar água dentro. Se não tivesse tomado uma azeitona no meio da testa, Itzak Rabin, dupla de ataque no vitorioso escrete de paz judaico, provavelmente levaria baldes e mais baldes na empreitada.

Tem também o Arafat, pintado como terrorista por 17 entre dez pessoas no mundo. Terror da paz é o novo marketing de guerrilha.

Por essas e outras razões, eu gostaria mesmo que o vencedor do Nobel da Paz fosse o Fernando Lugo. Dá para ver uma parônima cretina aí. É só forçar um pouco, tal e qual a premiação do Obama.

Anúncios

5 pensamentos sobre “Pelo trocadilho infame

  1. Piadinhas sobre o Lula à parte (porque esse negócio de Nobel em Química nasceu morto), eu não vejo qual é o significado político / histórico / geográfico / pornográfico para o Obama receber um Nobel, especialmente nos 5 minutos do primeiro tempo. Oras, ele só teve a ideia de conversar com os países encrenqueiros. Ainda não obteve nenhum resultado!

    Existem algumas categorias do prêmio Nobel que são mais pela vontade de fazer alguma coisa do que pelo algo feito. De ideias boas o inferno está cheio. E Alfred Nobel deve estar lá entregando medalhas.

  2. danilo disse:

    Nem a Madre Teresa de Calcutá era assim tão… tão… ilibada.

  3. Ô, meu (só pra dialetar em paulistês), tu não me conhece e nem eu a ti. Acordei hoje meio desenxavido por conta de uns pesadelos que me aterrorizaram a noite toda. Nada daquilo de parente morto vir puxar conversa, ou o cara estar cagando no mato e, na verdade, acordar todo naquele estado. Não. Foi mais aquilo da vida passar na frente dos olhos, um inferno do caralho, velhinho – como diria o Pernalonga. Só tive isso uma vez e acordado, quando estive na iminência de me afogar pra lá da rebentação – eu era garoto e trouxa (não melhorei muito, é verdade), mal podia com a prancha que tentei domar. Mas isso é outra conversa.
    Depois, pensando melhor, fui obrigado a considerar que passar o feriadão na companhia de cunhados(as), todos funcionários públicos – civis ou militares -, acaba com o saco de qualquer sujeito. Tem coisas que o cara faz pra comer a irmã dos outros que pesam, como ter que assar churrasco pra beócios juramentados, como diria Sua Excia. o prefeito de Sucupira. Você lá, preocupado com os negócios que teve de interromper pra ‘descansar’, os leões que deixou de matar e que te esperam até mais fortes, na volta, e tendo que ouvir aquele oceano de asneira despreocupada e bêbada, da boca de gente que vive na ilha da fantasia…
    Que é isso? Um cara da minha idade desancando o funcionalismo público nacional… Na verdade, não. Na verdade só os meus cunhados, gente gorda e bem remunerada cuja mais valia entregue diariamente em troca dos vencimentos não dá pra fritar um ovo bem frito. E daí, pode dizer alguém, quem mandou não fazer concurso? Bom, os parentes são meus e eu, elegantemente, estou a espinafrá-los, como frisei, levando livre todo o resto. Que também não gasta cotovelo em cima de produtividade, vamos ser francos.
    Mas o objetivo de te escrever não era nada disso. Pra espairecer, fui procurar alguma coisa no Orkut e acabei chegando ao décimo nono, ao imperador (o outro) e a este. E acabei dando um monte de risada, junto com os convites à reflexão que você faz. No caminho, encontrei também outras pessoas fazendo trabalho igualmente interessante, de modo que foi muito proveitoso o pesadelo.
    Parabéns pelos blogs, parabéns pelo approach com ou sem samba que você tem visivelmente depurado ao longo dos últimos meses com invulgar apetite e talento. Valeu. Minha pegada é menos bem humorada, fico mais pra Mencken e Paulo Francis, meus “ídalos”, claro que sem um décimo do talento de nenhum deles. Sou blogueiro incipiente e bissexto, oriundo da mídia tradicional, mas suficientemente interessado em presente, passado e, principalmente, futuro, pra não dar nada por terminado, nunca. Nem mesmo a vida, que, na minha opinião, nunca termina.
    Um abraço e parabéns. Você tá condenado a fazer sucesso. Anote o que eu digo, quer dizer, escrevo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: