O apanhador no chato com gluten

– VOCÊ!
– Oi?
– Você! Você é o cara que escreveu o maldito livro. O Lennon me contou!
– Te conheço, jovem?
– Eu sou o Mark Chapman, meu chapa!
– Que construção bacana…
– Que?
– Nada. Olha, desculpa mesmo. Eu não tive a intenção…
– Não teve a intenção? Seu velho filho da puta! Aquele merda daquele Holden ficava falando na minha cabeça! Todo dia ele me dizia que o mundo era uma droga, que tudo era uma droga e eu nunca notei que o seu livro, isso sim, é que era uma droga!
– Vem cá, você e o Lennon são amigos?
– Ele era amigo do Paul. Por que não haveria de ser meu amigo?
– Isso é fato. Mas olha, passei anos recluso quando estava vivo. As pessoas achavam que eu tinha morrido há tempos, mas a verdade é que eu sempre tive vergonha de ter escrito O Apanhador. Sério. Eu tinha medo que alguém viesse me dizer que a obra influenciou a vida da pessoa…
– Jura?
– Claro, pô! O que eu ia dizer pro cara? “Olha, que bom, mas meu livro é uma bosta e nem eu sei o que eu quis dizer com ele, me explica por favor?”.
– Mas isso não te exime de ser um grande filho da puta, né? Porque eu matei o Lennon graças ao Holden, que é obra sua.
– Espera lá, amigo. Você matou o Lennon porque ele era um mala. Não vem culpar meu livro não!
– Algum problema aqui?
– Nada, oficial Dante. Estou acertando contas antigas com esse aí.
– O senhor é?
– J.D. Salinger. Você é o Dante? Eu digo, O DANTE ALIGHIERI? Aquele que virou escola de rico em São Paulo?
– Sim. E você é aquele autor do livro chato que o Chapman tanto fala?
– Sou.

Dito isso, Dante, na condição de policial do Inferno, entregou a seu “amigo” Virgilio o escritor J.D. Salinger. Porque finalmente ele pode pagar o pau no cuzismo extremo do poeta em guiá-lo naquela busca sem fim por Beatriz. Poesia por poesia, letra por letra.

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4 pensamentos sobre “O apanhador no chato com gluten

  1. Um livro que leva uma pessoa a matar outra é um tanto perigoso. Um autor destes deve mesmo ser conduzido pelo “policial do inferno” ao lugar que bem merece.

  2. Sol disse:

    Não acho que o livro tenha influenciado o cara a cometer um crime. De que forma ele influenciaria? O livro não tem nada demais!!!! É vazio, sem conteúdo, sem estória. Se eu fosse me deixar levar por tudo que eu leio (acho que vc também, Júlio), nem sei onde e como eu estaria hoje. O Alighiere sim, influencia, principalmente a forma como ele escreveu o “Inferno”. Muito mais “emocionante”…rsrs

  3. Marcelo disse:

    Deixa só eu te informar que o Mark Chapman não morreu, amigão.

  4. Ana disse:

    Deixa só eu te informar que o Mark Chapman não morreu, amigão. [2]
    e tá saindo da cadeia até…

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