Gordice safada, por Érico Veríssimo

Ficaram de novo em silêncio. Rodrigo via em pensamentos a imagem de Bibiana: a boca carnuda, os olhos oblíquos. Parecia uma fruta; dava na gente vontade de mordiscar aquela boca, aquelas faces, aqueles peitos. Naquele momento seu desejo por Bibiana se confundia com uma sensação de fome e Rodrigo começou a pensar alternadamente na rapariga e num churrasco. O padre recomeçou o sermão, mas Rodrigo não lhe prestava muita atenção. Não podia perder uma noite daquelas na companhia dum padre. Para ele padre era preto e agoureiro como urubu. Onde havia padre havia desastre ou morte: enterro, extrema-unção ou casamento.

Tem como não dizer que Rodrigo Cambará é o melhor personagem que a literatura já teve em suas milhares de páginas?

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