O craque da camisa número 10

Eu já falei sobre meus 20 anos de Corinthians lá no Visitantes. Mas não falei do grande ídolo, do cara que, para mim, se confundia com o Corinthians.

Quando vi o Neto, não entendia como ele conseguira jogar bola profissionalmente. Porque para o Pelé era fácil, ele tinha o biotipo do Ivan Drago, era uma máquina de fazer gols, passes, a coisa toda. Mas o Neto não. Era baixo, meio fora de forma, fumava e gostava de uma cervejinha, como qualquer pessoa em posse de sua faculdades mentais.

Mesmo assim ele jogava demais. Dava passes brilhantes, driblava, tinha um chute de esquerda que era meio gol. E tinha atitude marrenta, cuspia no juiz, fazia o diabo. Era o galeroso mais querido da Fiel, com seus terçados de fora da área. Aquilo me fascinava a tal ponto que comecei a jogar bola e até hoje sou meio frustrado por ser destro.

Eis que um dia, no final do quarto ano de faculdade, eu e a Lelê fomos entrevistar o Neto para o TCC. O nervosismo era tanto que cogitei roer as unhas dos pés, porque nas mãos não tinha mais nada. Neto, mau humorado como se torcesse para o Palmeiras em noite de jogo com o Atlético GO, pediu desculpas por ser rude e nos atendeu com aquele tipo de carinho que as mulheres dos contos do Nelson Rodrigues tanto gostavam. Notou nosso nervosismo, contamos que ele era nosso ídolo. Ele agradeceu e, se a memória não falha, disse para deixarmos de bobagem.

Dias atrás, a Lelê encontrou de novo com o Neto e contou que ele perguntou “do amigo dela do TCC”. Eu, Julio Cesar, o moleque que fazia gols e só não comemorava como o ídolo porque o chão do asfalto das ruas da Casa Verde ia deixar meus joelhos tão belos quanto o Tevez, sou o tal do amigo. Era como se o Papa me ligasse para perguntar qual era a boa. Com a diferença de que esse Papa vestia a camisa do Timão.

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3 pensamentos sobre “O craque da camisa número 10

  1. Marcão disse:

    Eu me arrependi amargamente de comemorar como o Neto um gol que fiz na aula de Educação Física, na 4ª série.
    É que foi muita emoção…

  2. L. disse:

    Essa é uma das melhores fotos do futebol. E esse momento aí foi um dos mais legais da minha vida. Obrigada por fazer parte disso tudo! Beijos

  3. Antoniel Andrade disse:

    Porra,o Neto ao nado lado do Ronaldo Giovanelli foi o meu maior ídolo no Timão e no futebol,qdo era moleque era de lei dar 3 chutinhos na trave quando ia pegar no gol e escorregar de joelhos ao fazer um,quando o chão permitia.Minha única ressalva com relação ao Neto é ele como péssimo comentarista,mas isso não apaga o que ele fez pro Timão e o que ele foi pra mim

    Inveja de você….

    Abs

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