O prefeito de Borá tem um Bora

Borá. Seis longinquas horas de São Paulo. Passando Assis, passando Ronaldinho Gaúcho, passando as piadas ruins. Ostenta o recorde de menor população do Brasil, com 805 habitantes. Deve ter mais gente resolvendo um cubo mágico de ponta cabeça enquanto uma corda enforca o pescoço neste exato instante do que boraenses no mundo.

Na entrada da cidade você é recepcionado pelo Cristo em pessoa. Ou melhor, em gesso. Mas está lá o homem de Nazaré, acompanhando da escultura em pedra com o nome da cidade. E com acento, dando um grande salve para os países de língua portuguesa, se é que a regra é clara nesse caso, Arnaldo?

Os populares, conhecidos como boraenses, são pessoas simples de fino trato. Aparecem no Centro Recreativo, ao lado da rodoviária com duas plataformas de ônibus e da delegacia, um pouco maior que o Tolloco da Augusta. Carlos, por exemplo, poderia se passar por um lorde inglês mas prefere gastar as tardes de sábado enchendo a cara de Cynar/Fogo Paulista/bebida escura derivada do fumo e jogando truco ou bocha. É o sal da terra, diria aquele cronista mala que usa o termo em horas inoportunas.

Borá tem balneário, tem cachoeira, tem cerveja. Tem também dois sóis para cada habitante, espécie de Tatooine do interior. Põe mais essa na conta: 1610 sóis em Borá, um recorde no mundo já que no Saara é um sol para nenhum habitante.

Tem também a dona Maria do Socorro, que vende sorvete e bermudas. Espécie de McGyver do empreendedorismo, diferente da galera que cria conteúdo aqui e alhures. O “Socorro” no nome deve ser jogada de marketing: sorvete em Borá é o São Bernardo nas montanhas ajudando aquele ser ignóbil que resolve desafiar os desígnios da natureza.

E teve uma cambada de paulistanos, gaúchos, candangos e até um alto caldense estragando a paisagem, bebendo a cerveja e curtindo seus dois sóis de direito pois, a partir de agora, Borá é a cidade com maior percentual de habitantes cadastrados no Facebook. Se eu fosse o Zuckerberg, dava um pulo lá para aprender com a Dona Maria como vender sorvete sem ser processada por gêmeos regateiros/regatistas/gente que navega em mares antes navegados.

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5 pensamentos sobre “O prefeito de Borá tem um Bora

  1. Fiquei maravilhado em ler seu post enquanto resgatava aquelas lembranças de viagem ao interior.
    Foi um prazer lhe conhecer. Aliás, não foi. É.

    Um abraço!

  2. mau disse:

    EM QUE PORRA DE LUGAR TÁ O BORA DO PREFEITO?

  3. jlucasfb disse:

    Texto bacana.
    Lembra o estilo dos textos da revista Piauí.

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