Jornada maneira a noite dos baixos

Deve existir algo na astrologia, na filosofia, na religião ou na Wikipédia que explique como uma torcida de pé pode resultar na ida a um show do Journey. Pois bem, Junior andava pela rua quando subitamente teve seu tornozelo tragado pela terra. Não era o demônio a lhe puxar o pé, mas um buraco de proporções serra canastrais a tentar lhe roubar a alma pela raiz. O resultado: uma semana de molho e um ingresso do Journey sobrando.

Sabemos que a vida anda dura e que jogar R$ 250 de um ingresso VIP para o ar é coisa que nem o Silvio Santos faz. Deixar esse ingresso voando seria uma afronta a todo o sofrimento do mundo pós terremoto no Japão, pós terremoto no Haiti, pós compra do mês lá em casa. São tragédias como essas que nos ensinam a valorizar as chances que a vida dá e que não podem ser desperdiçadas, sob pena de ter com o homem lá de cima, caso ele exista, uma DR (discussão de religião) daquelas sem fim. E o cara deve ser bom no assunto.

Então fui ao show do Journey. Da carreira dos caras conheço duas músicas: Separate ways e Don’t stop believing. O restante é tão oculto quanto a existência divina, a matemática e por que diabos existem aquelas portas no meio do ônibus, logo depois da catraca. Para saber um pouco mais do grupo, fui acompanhado pelo Adriano Lima, o cara que mais conhece Journey neste lado dos trópicos.

Na chegada, estava rolando o Sweet. Nas palavras do Junior, aquele tipo de banda que conhecemos oito músicas e creditamos a outros caras. Verdade, porque Fox on the run para mim era uma música de um quadro do Moacir Franco na Praça é nossa. E cheguei bem na hora da dita cuja, já de punho para o ar no refrão. Roquenrou.

IS THIS A BALLROOM BLITZ? YEAH!

A música seguinte foi Ballroom blitz. Quando o vocal começou com “ARE YOU READY STEVE” eu pulei feito zé povinho ao ver um rio de merda com glória, fama embrulhada em pacote boiando, conforme os escritos de Mano Brown. Ballroom blitz é do Sweet e eu pensava até hoje que era, sei lá, do The Kinks. Foi genial, em especial pelo organista da banda, um cara que parou nos anos 70 e está se lixando para você ou para mim. O vocalista estava com calça de onça, estilo “roquenrou farofa me lixo para vocês”. E o baixista! O baixista era um gênio. Ele era um gordiça safado com uma capa roxa! Pensa, sei lá, no Gandalf que só come no McDonalds e curte uma cor doente. Está lá o homem, fazendo mágica.

Acabou do Sweet e ficou aquele momento elevador dos shows, quando alguém acha uma boa ideia tocar Red Hot Chilli Peppers. Tempo para bate papo sobre outros shows, sobre os shows que rolarão na casa (VAI TER MOTORHEAD AMIGO COMO FAÇO PARA IR?) e blá blá. De repente as luzes se apagam. Galera começa a surgir. A WILD TECLADO APPEARS e lá está o Journey.

TÃ DÃ TÃ DÃ TÃDÃTÃDÃDÃDÃ PAM PAM
TÃ DÃ TÃ DÃ TÃDÃTÃDÃDÃDÃ PAM PAM

HERE WE STAY
WORLDS APART, HEARTS BROKEN IN TWOOOOOO, TWOOOOOO, TWOOOOOOOOOOOO!

Um, dois, três indiozinhos no vocal do Journey

Aqui cabe um aparte sobre a formação atual do Journey. Imagina a ONU. Temos um índio cherokee no vocal. Na guitarra o Wando roquenrou. Na batera alguém egresso de uma banda cover do Motley Crue. No teclado, um figura com camisa de cantor de churrascaria. E o baixista do Journey. Um mito. A versão bem humorada do Michael Douglas. Ele era o mais pimpão da banda. Rachava o bico diversas vezes com os solos do guitarra, mandava recado para o batera, ficava de olho no cherokee que estava rezando a todos os espíritos para fazer merda, vinha confraternizar com a galera de camiseta, paletó, calça jeans e All-star. Figuraça.

O CARA!

Malandro, que começo de show! Depois disso vieram umas pauleras, baladas e outras bagaças. Mas os caras hipnotizam a geral e tem uma presença de palco animal. O vocal índio cherokee se empolgou tanto no Red Label que achou por bem dar um mosh. Só que ele errou e deu com o joelho na grade que nos separava do palco. Ao invés de socorre-lo, como tentou inutilmente o segurança, mandamos um “TOCA AE MANO SEU ÍNDIO LOUCO” e ele nos cumprimentou.

Bruce Springsteen do forró

A apresentação terminou, claro, com Don’t stop believing. Corri antes da galera porque o ônibus não espera. Mas com cautela, porque sábado tem show do Ozzy e imagina se eu quebro o pé numa dessas.

"Toco as quintas no Funchal e aos sábados no Boizão Manero, a casa de todas as carnes

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4 pensamentos sobre “Jornada maneira a noite dos baixos

  1. Junior Costa disse:

    Nhé. Pelo menos vc curtiu e vai me levar no Ozzy \o/ :P

  2. Ahahahha, melhor resenha e uma vontade imensa de ver os caras na próxima vez que vierem.

    Inveja monster de não ir no Ozzy, aproveite e não quebre a perna.

  3. Adriano Lima disse:

    Faço do Bonilha, as minhas palavras! :D

  4. Raphael disse:

    Puta que pariu, ein truta? Ir num show do caralho e escrever essas asneiras todas é algo, no mínimo, impressionante! Pior são os que gostam disso que você chama de “resenha”, já que mal conhece a banda, seu trabalho e história.
    Provavelmente você ouve lixos musicais na metropolitana e se acha o máximo, só porque entende um pouco de gramática.

    Fico bem feliz que você não ficou perto de mim no show, caso contrário, iria embora com 20 minutos de espetáculo.

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