Ao Serra o que é do Serra

José Serra vaga maltrapilho pelas ruas de São Paulo. Pouco cabelo, dentes podres porém afiados, vive a gritar com tudo e todos na região da Praça da Luz. Poucos lembram do dia da posse quando José Serra subiu a rampa do Planalto aos gritos e, para surpresa da multidão, agarrou a faixa presidencial e ficou a chamá-la de sua. Retirado pela segurança, foi diagnosticado com uma doença completamente nova na medicina, uma espécie de cleptomania política, e aos poucos acabou esquecido pelo país, pela cidade e pelo bairro.

Se engana quem pensa que o ex-candidato é um pobre coitado. Serra finalmente conseguiu um governo para chamar de seu. Com as caixas de papelão que recolhe nas ruas, constrói creches, escolas, instituições financeiras. A pouca comida que recebe distribui para as pombas da região. Perguntado se não é assistencialismo, Serra ressalta que hoje a ideia do Estado Mínimo se perdeu em uma cornucópia de grandes corporações e presidentes que posam para fotos em revistas semanais.

Quando um grupo de ratos novatos chegam ao feudo serrista, são saudados com festa pelo político. “Vejam, que belos novos cidadãos temos aqui”, diz. Apesar disso, o ex-governador entrevista a todos, como forma de saber se são bem vindos ao seu pequeno país. “Tenho que agir em reciprocidade a lei brasileira”, relata. Após uma rápida conversa, os ratos são aceitos pela imigração.

Uma característica dos tempos de governador permanece em José Serra: o cachorro Fleury está sempre a postos para manter a lei e a ordem nos cerca de cinco metros quadrados que o governo serrista ocupa. Vira lata com anos de experiência, Fleury costuma rosnar para todos que se aproximam do país. Segundo Serra, “o Fleury é uma figura enérgica, como todo Estado deve ser para manter sua soberania”. Questionado pela reportagem sobre possíveis crimes cometidos antes do cargo, Fleury abanou o rabo e saiu para ver frangos na padaria.

Os populares que passam pela rua têm sentimentos ambíguos sobre o ex-candidato. “Sempre foi um coitado”, diz Maria Almeida, 27 anos. Já para Jose Carlos, 30, Serra é “uma vítima do sistema cruel que é a política”. Opiniões a parte, Serra acredita que está fazendo uma ótima gestão em seu pequeno país de cinco metros. “Pode ver em qualquer pesquisa que meu índice de satisfação é maior que do presidente atual”, diz. Antes de sairmos, o ex-prefeito nos chama para mostrar sua joia da coroa: a faixa de presidente roubada anos antes. “Não é linda? E é minha. Só minha. MINHA PRECIOSA”.

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Um pensamento sobre “Ao Serra o que é do Serra

  1. qualquergordotemblog disse:

    Puta Merda, Júlio! Voltando em grande estilo, hein! Não deixa de atualizar isso aqui não, por favor!

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