Olha eu aqui

Publicado em Contos às Julho 3, 2009 por Júlio César

Começou a notar aquilo quando foi solenemente ignorado pelo caixa do supermercado. Perguntou uma, duas, três vezes se eles aceitavam o pagamento da compra no crédito. Pagou no débito e não ganhou nem um “obrigado”.

Na volta para casa a coisa tornou-se mais visível. Um carro quase o atropelou, três pessoas esbarraram como se ele não pudesse ser visto e um cachorro mijou no seu pé. O porteiro não lhe deu boa noite e o gato do vizinho fez que não o conhecia. Na secretária eletrônica, nenhuma mensagem. A caixa de email nem spam tinha. Zero followers no tuiter.

Quando finalmente chegou a conclusão de que era invisível, pensou em quantas oportunidades tinha perdido ao longo da vida. Os banhos da Alice, os banhos da Melissa e os banhos da Adriana. Claro que perdera também o dinheiro alheio em bancos que ele não dava a mínima, entradas furtivas no melhores bares da cidade e uma ou outra encoxada na Alice, na Melissa e na Adriana. Não há ética que resista a esses banhos.

Sem contar que pela ótica de quem não é visto, ética é algo que não faz parte do dia-a-dia. Afinal de contas se ninguém viu não foi feito. A sociedade passou anos se sustentando dessa forma e estamos bem, apesar de tudo. Porque ele, que como bônus não magoaria ninguém ou lesaria o próximo pelo menos aos olhos da sociedade, ia se furtar a detalhes tão mesquinhos? Se o mundo não o enxergava, melhor assim.

O dia amanheceu igual ao de ontem. As pessoas o ignoravam, não viam, passavam por cima. Desceu pela frente do ônibus sem qualquer tipo de protesto. Passou em uma loja de doces e pegou algumas guloseimas sem pagar. A loja de roupas não deu falta por duas jaquetas e três calças. Riu sozinho quando pensou o quão tolo era de roubar coisas que as pessoas não iam ver. Chegou duas horas depois no trabalho e o chefe não teve o trabalho de colocar um post it na mesa. Primeiro ônus da situação: ficar naquele emprego por uma eternidade.

Saiu para almoçar e não voltou. Comeu bem e não pagou a conta. Cobiçou com gula de glutão os seios da garçonete. Cogitou enfiar o nariz entre eles, como se estivesse a degustar um vinho. Desistiu pois não via como aquilo não poderia ser notado. Se tudo continuasse como estava, de amanhã isso não passaria.

Ligou para Andressa e sorriu ao ouvir sua caixa postal. Ela o notava. Quer dizer, quando estavam sozinhos, porque em público ele continuava a ser o invisível de sempre. Lembrou que nunca pagou contas em bares, mesmo na companhia de amigos. Ou melhor, de pessoas que pareciam enxergá-lo.

Chegou em casa e passou direto pela porta. A vizinha traia o marido com o zelador. Espiou um pouco, sem se sentir doentio ou repulsivo. O mundo já era assim com ele, sempre avesso à reciprocidade. Avistou o marido chegando, o bate boca e bate na cara. A vizinha saiu correndo, semi-nua,  atropelando quem via pela frente e quem não via. Pensou em ligar para a polícia mas vocês já sabem no ia dar. Resolveu dormir, porque amanhã seria o mesmo dia.

No café, olhou o decote da garçonete. Lembrou do dia anterior e, nariz empinado, adentrou o seio da moça como se fosse um bandeirante. Ela, indignada, deu-lhe dois tapas que seriam notados até por quem não via. Naquele mundo de “cegos” ela enxergara e não gostou do que viu. Já ele descobriu que o mundo apenas enxergava o que lhe convinha. E ele não tinha nada para ser mostrar.

Cara, cadê minha noção

Publicado em B de Blogagem às Julho 1, 2009 por Júlio César

Eu entendo porque as celebridades brasucas foram atrás de Ashton Kutcher na hora de colocar o #forasarney no Treding Topics. Quem assistiu “Cara, cadê meu carro” sabe que o @aplusk é sim capaz de salvar o mundo. E nunca podemos negar que a ajuda do homem que come a Demi Moore mas não é pai da Rummer Willis é mais do que bem vinda. É quase manás caindo dos céus para você e para seu povo no meio do deserto.

Mas é sabido que as divindades são jogadoras por natureza. Desde que o mundo é mundo o homem sempre busca ajuda no divino, em diversas cores e formatos. Uns usam galinha com farofa, outros a guerra e tem ainda aqueles que confiam sua sorte ao o cara que inventou o retuíte (agradeço ao tuiter e a Chico Xavier pela piada alcançada). Nada mais óbvio que, nos dias de hoje, nosso deus fosse o Kelso. E que brincasse com as celebridades brasucas tal e qual Jeová fazia com os judeus em remotas épocas de diáspora. Porque se você tem o poder, desce para o play.

Não é que não vivemos em uma época onde a fé e pouca. Pelo contrário, cada vez mais tem gente idiota acreditando em coisas idiotas. É um retrocesso à Idade Média, onde as pessoas acariciavam ratos e enxotavam gatos. E grande parte disso se dá por conta da crença de que ferramentas ou pessoas façam a diferença. Com a possível saída do Sarney no Senado, essa massa de avatares verdes vai entrar em polvorosa e dizer que eles são a voz do povo. A voz do povo era o Notícias Populares e ele acabou justamente por isso.

Poucos vão levar em consideração que o Sarney saiu por pressão da base aliada e de aliados históricos como o Democratas. Ninguém vai notar que daqui há três anos ele volta, porque o Maranhão tem Speedy e o tuiter lá não é arretado. Mas vão lançar um Xô Sarney! – O Retorno de Jedi, porque esse povo é tão criativo quanto o George Lucas.

De qualquer forma, não perca a oportunidade de mandar um #chupa para o @aplusk. Afinal de contas, o #forasarney deu certo.

Cartaz de cartolina é coisa do passado, a moda agora é protestar pelo teclado

Publicado em B de Blogagem às Junho 30, 2009 por Júlio César

Fico aqui imaginando o Lênin, entre um job e outro na agência Vladivostok, soltando no tuiter que o czar vai cair. Imagino o rei Nicolau soltando rimas infames de repúdio à tuitada do líder comuna e dando BLOCK nele. Porém, com followers como o @machadinho e o @bigode, Lênin levaria a melhor sobre o monarca russo e a #revolução aconteceria. Quer dizer, se não tivesse #NOB da Stolichnaya à noite. Mas teríamos a tag #bolchevique em primeiro lugar no Trending Topics.

Claro que anos depois, Lênin perderia em número de folowers para o Mao, do blog O Grande Timoneiro. Torcedor fanático do Corinthians, daí o apelido herdado nas arquibancadas do Pacaembu, Mao conseguiria, graças ao script populacional chinês, reunir nada menos do que meio bilhão de followers à sua causa. Juntos, esse mundo de arrobas e blogueiros fariam uma grande festa do copo vermelho para celebrar a vitória. Sem ajuda do Ashton Kutcher, aquele porco capitalista que não divide a Demi Moore.

Até o dia em que o regime de Mao seria trollado por um jovem, o @desconhecido. Voltando do El Malak, @desconhecido estava bêbado e viu um grande carro verde, onde enxergou a possibilidade de mijar escondido. O mundo inteiro viu o jovem mijando pelo Youtube e congratulou aquele símbolo de liberdade com um grande #NOB, onde as duas musas da internet compareceram para delírio do mundo livre e contestador.

Teríamos ainda a queda do Speedy de Berlim, que deixou em extâse internautas do mundo todo. Ou então as eleições diretas para presidente do #Brazil onde, graças aos pedidos de milhões de tuiteiros, Collor levou a melhor para, anos depois, encarar o movimento dos arrobas pintadas. Todo e qualquer avatar da internet tinha duas faixas pretas, em sinal de luto pelo país. Anos depois, Collor sairia da presidência para entrar no Trending Topics, sempre ele.

E tudo isso feito sem sair do sofá, sem empunhar uma arma ou uma rosa, um cartaz sequer. Tudo feito em html. Excelsior!

Bad hair death ou RIP Farrah Fawcett

Publicado em Cinema, Daily Planet às Junho 26, 2009 por Júlio César

- Nome por favor?
- Er, oi, eu sou a Farrah Fawcett!
- Pode soletrar?
- Como assim, soletrar? Farrah Fawcett, a pantera!
- Cor de rosa?
- Não, das Panteras! Escuta, eu quero que você chame seu supervisor agora! Onde já se viu, tratar uma instituição americana desse jeito!

Minutos depois.

- Pois não?
- Eu queria prestar queixa contra o seu funcionário.
- Claro! O que você fez dessa vez? É a terceira reclamação em uma semana!
- Senhor, eu…
- Calado! Bem, desculpe, senhora…
- Senhorita, por favor.
- Sim, claro. Senhorita…
- Você também?
- Eu também o quê? Sou senhorita?
- Você também não faz a menor ideia de quem eu sou?
- Desculpe senhora…
- Senhorita!
- Sim, senhorita. É que é tanta gente na Terra e…
- Mas eu era uma das Panteras, caramba!
- Jura? Qual delas!?
- Ah, a… a… enfim, isso não vem ao caso!
- Ah, lembrei da senhorita! Mas eu não sabia que as coisas estavam tão ruins para a Cameron Diaz. Sabe como é, eu nunca acredito nos tablóides…
- Mas eu sou a Farrah Fawcett!
- Desculpe senhorita Fawcett. Lhe daremos tratamento especial e…. OH MEU DEUS EU NÃO ACREDITO!
- É bom mesmo que eu seja vip senão… não acredita no…. PUTAQUEMEPARIUCOMRODASDELIGALEVE!
- É o… É ELE!
- É… que filho da puta!

Não basta ser amigo, é preciso perder a noção

Publicado em Daily Planet às Junho 22, 2009 por Júlio César

Daí que o Eric e a Gabi casaram. Foram no cartório, assinaram papéis e tal. Nós, os amigos, ficamos sabendo. Eu e a Imperatriz chamamos a Gabi no MSN para dizermos algo de suma importãncia:

- CARALEO, SE FODEU! Vamos comer coxinha e tomar espumante?

Estavam abertas as portas do inferno. Com a ajuda ímpar da Alê, do Junior e da Lelê, a coisa foi tomando corpo e virando uma festa de verdade. A Márcia, mãe da noiva, e a Marília, tia da noiva, também foram peças fundamentais naquela que prometia ser a festa mais micada do ano. Pelo menos para o Eric.

Pessoas convidadas, presentes comprados, decoração, salgados, espumante, cerveja, gelo, jardineiro, lixeiras (!). A cada etapa que completávamos, tínhamos certeza de que uma coisa que nunca faríamos na vida é organizar casamentos. Sério, deve ser mais fácil colocar em fila indiana, por ordem de tipo sanguineo, 367 crianças que estão no Parque da Mônica.

Mas faltava salvar o Eric. Todo mundo sabe que ele ama a Gabi, mas também sabemos que festa de casamento e Eric não dão nem rima. Ele deixaria de ser personagem principal para ser alvo. Não que ele seja um ermitão, um misantropo. Ele é apenas mala mesmo. Mala, porém meu amigo. E num sábado a tarde, prestes a ir para o casório, tive a ideia que ia salvar o Eric de ser aloprado pelos próximos vinte e dois séculos.

Lembram de Um grande garoto, quando o Marcus resolve cantar Roberta Flack na frente de toda a escola e o Will dá uma ajuda para que ele não sofra de problemas psicológicos pelos próximos anos? Pois bem, me chamem de Will Freeman. Ou melhor, de Elvis Presley.

We caught in a trap!

We caught in a trap!

Se valeu a pena? Claro que sim. Apesar de todo o cansaç0, de todo o trabalho, das reuniões regadas a pizza, vinho aberto com saca rolha emprestado e ideias insanas, fizemos felizes dois amigos. E o Eric se salvou de ser o mico da sua própria festa. Quer dizer, isso até o tio da Gabi fazer com que ele se ajoelhasse e pedisse a mão dela em casamento. Eu apoiei, porque foi mais forte do que eu.

PS: Ok, eu confesso. Vesti a roupa do Elvis porque é foda e, se pudesse, trabalharia com ela, iria ao estádio com ela e ao boteco santo de cada sexta. Taí um cara que, mais do que ser o Rei, sabia se vestir.

PS2: obrigado a todos que foram a festa e que ajudaram nos preparativos e que tais. Sem vocês, Elvis was left the building para se acabar em anfetaminas.

Somos todos jornalistas perante deus

Publicado em Imprensa Marrom às Junho 18, 2009 por Júlio César

A característica mais absurda do brasileiro é, sem dúvida, o gosto pela calamidade. Nós, os nascidos em terras antes portuguesas, adoramos fazer drama, chamar violinistas e a coisa toda de quando o barco está afundando. Se, por exemplo, alguém espalhar que nunca mais será fabricado um balde no Brasil, as pessoas entrarão em pânico como se fosse o fim, sei lá, da cerveja. Grupos de discussão, comunidades, blogs, jornais, todos vão exclamar “MEU DEUS, E AGORA QUE NÃO TEMOS BALDES!?!?!?!?!”. Uns culparão o Lula, outros a Secretaria da Fazenda por segurar o Imposto de Renda (afinal de contas é preciso ESTOCAR baldes!), outros o pai que não o fez nascer na Europa e por aí vai.

Agora o balde da vez é o diploma de jornalismo. Se você vive em um mundo legal, supimpa, daqueles onde vale a pena viver, deve não ter a menor ideia de que o Supremo Tribunal Federal derrubou ontem a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Pomposo, não é? Mas essa história do diploma é mais ou menos como a Lei Seca. Chegou, gelou o obrigatoriedade do oríficio alheio e depois acabou em papo de mesa de bar. Grande parte dos veículos de imprensa não exige que seus profissionais tenham diploma. E você maniqueísta que vier com aquela história de “ah, então é por isso que ninguém em jornal sabe escrever!”, vai ter como resposta o seguinte: essas pessoas estudaram jornalismo. Por um bom tempo até. Mas fazer um jornal diário não é fácil. Se fazer uma revista, com menos páginas e um mês de prazo já é doentio, imagina as sessenta páginas de um jornal? O cara não tem tempo de estudar e acaba por aprender o ofício na redação. Como um aprendiz, que nada mais é do que aquilo que você vai fazer na faculdade. Só que ganhando para isso.

Outra história boa é a minha: eu fiz quatro anos de jornalismo e não tenho diploma, mas trabalho na área. Afinal de contas, não é todo dia que você acorda empolgado e pensa “puta merda, que lindo pagar R$ 800 de faculdade!”. E olha, meu caso não é isolado – existem milhares de incompetentes como eu que não conseguiram passar na USP e acabaram no banco do SPC, extensão dos bancos das faculdades privadas. Então,eu não sou capaz de exercer a profissão? Eu estudei quatro anos, fiz provas que iam desde o separe as sílabas até a influência da Escola de Frankfurt no caso da Escola Base ou uma merda dessas. Não preciso dizer em qual me dei bem, preciso?

O que o país diz com o fim da exigência do diploma não é “school’s out for ever”, tal e qual o Alice Cooper. O que dizemos é que não é necessário passarmos quatro anos no banco dos reús para aprender jornalismo. Você pode ser especialista em economia e dominar a escrita e maneirismos jornalísticos. Você pode ser cozinheiro, como bem lembrou o Gilmar Mendes, e escrever em um caderno de gastronomia. Você pode até ser deputado e escrever na parte de classificados de putaria sem problema algum! O jornal não vai te escolher pelo pedaço de papel que você tem na parede do quarto. Ele vai te escolher pelo que você escreve, pelo quanto você vai corresponder – em diversos sentidos – para com o perfil do jornal. Se você cativa o público, se domina a escrita, se tem boa apuração, se bebe cerveja com a turma. E para isso não é necessário passar quatro anos ouvindo três frases do Marx, duas do Keynes e uma do Weber e sair dizendo “eu sei sociologia”. O mundo não é uma matrix, filhão. O conhecimento não chega com três frases. Aliás, tem momentos em que ele não chega com duas mil páginas.

O curso deve ser repensado? Claro. Acabará aquela história de “vou fazer jornalismo para ter um diploma e dar carteirada”? Óbvio. Mas acima de tudo, a qualidade dos nossos jornais – que por mais que reclamemos está muito bem em relação a outros lugares do mundo – não vai cair com o fim da exigência do diploma. O que não podemos é ficar cozinhando o assunto para sempre. Por mais que Gilmar Mendes diga que somos tal e qual cozinheiros.

Cinco protestos/reuniões idiotas que dão em nada

Publicado em Imprensa Marrom às Junho 16, 2009 por Júlio César

Manipulação das eleições no Irã!

Libertário de botique, mal da minha parte decepcioná-lo mas em mil anos não haverá uma eleição democrática, justa, limpa ou qualquer outro eufemismo romântico para “sem roubo” no Irã. Quando o Aiatolá (Tá onde? Tô lá!) declarou a revolução islâmica, todo e qualquer resquício de democracia – incluindo aí o roubo, a cachaça e a compra de votos – virou vapor de Xá. Pega esse trocadilho e seja feliz.

Sério, você pode pintar seu avatar no tuiter de roxo, pode comprar uma passagem para Teerã e protestar na porta do prédio onde o Ahmadinejad é zelador, pode até chamar o Salman Rushdie para te ajudar que o máximo que você vai conseguir são mais dois followers no tuiter. Olha, que revolução!

SALVEM OS URSOS PANDAS!

Para que salvar esses filhos da puta? Sim, são fofinhos, bonitinhos, a porrinha toda. Mas esses putos só trepam uma vez por ano, caralho de asas! Você se mata para que um china não transforme um urso Panda num Ipod e como o infeliz te retribue? Indo dormir e deixando a dona Panda a ver bambus!

Até o nerd – esse sim, um ser que deve ser extinto – perpetua mais a espécie do que um Panda. E olha que nem levamos em conta chats de putaria, perfis fakes para virar comedor, perfis do World of Warcraft e punhetas para “musas cibernéticas”.

Protesto do passe livre!

Vamos pensar em coisas que seriam melhores se fossem de graça do que o transporte público? Monica Belucci. Cerveja. Torresmo. Doces da Benjamin Abrahão. Ferraris. Então por que diabos o estudante da USP – que vai para a facul (uhu!) de Peugeot – para a desgraçada da Paulista para protestar pelo passe livre? Nem na macumba passe livre tem razão de ser porque você tem de comprar Maria mole e dar de comer a entidade!

Fórum Social Mundial

Punheta.

Fórumo Econômico Mundial

Onanismo.

Boicote a qualquer coisa

A cada pessoa que deixa de ler jornal, outras sete aprendem a enrolar peixe/usar como banheiro de cachorro. A cada dez pessoas que deixam de tomar Coca-Cola, outras 27 – a maioria ilegais em países de Primeiro Mundo – ingerem o óleo negro do capitalismo em uma fábrica clandestina da Pespi. Sessenta por cento dos jovens que deixam de usar Nike tem seus Adidas roubados em favelas indianas. Aqui quem fala é o Imperador, me boicotem, minha gente.

Mal ae, Sebastian

Publicado em Daily Planet às Junho 3, 2009 por Júlio César

A C&A deve estar saudosa da minha pessoa. Tempos atrás, quando a Imperatriz ainda não comandava o babatal, eu era costumaz consumidor das camisas cortadas pelo Stevie Wonder enquanto toca “Superstition”. Sem contar as calças manufaturadas pelo Stephen Hawking e as blusas costuradas pelo Lula. Ficou claro que era tudo defeituoso, certo?

Pois bem, a coisa mudou. Hoje mesmo passei batido pela C&A e fui parar na Siberian por iniciativa própria. Vejam bem meus caros, Siberian. Para mim, era uma singela homenagem de uma loja de roupas ao Stálin, com piadinhas neocomunistas de seus funcionários:

- Tá foda aqui na Siberian hoje.
- Skavurska!

E paguei R$ 99 reais em uma camisa. Se o meu eu de hoje pegasse seu DeLorean e voltasse para o passado, o meu eu de dez meses atrás diria que isso era uma grande mentira, imitando o sotaque do Padre Quevedo e a porra toda.

- Caraleo Júlio, você comprou uma camisa de R$ 99!
- Filha da puta, não parei de beber daqui há dez meses?
- Hahahahahahaha, você era engraçado no passado!
- Nem é piada, seu cabeçudo!
- Cabeçudo é você!
- Cabeçudo somos nós!

Se um dia eu aprender a comer frango assado de garfo e faca, passarei a acreditar que eu consigo aprender algumas coisas.

Kim Jong Il = Tenho o tamanho de três réguas escolares?

Publicado em Questão de ordem às Maio 29, 2009 por Júlio César

Eu não costumo julgar as pessoas pela aparência porque sou sem moral para isso. Apesar de ter melhorado muito ultimamente, ainda sou capaz de cometer verdadeiros genocídios ao bom gosto, bom senso e outras bondades.

Mas não dá para simplesmente deixar de rir com o fato de que metade do mundo está se borrando de medo Kim Jong Il. Porque se existe uma pessoa que a gente pode julgar pela aparência é o ditador norte-coreano.

I am a antichrist, and I am a comunist!

I am a antichrist, and I am a comunist!

O cara é um ditador punk pós-apocalipto. O moicano estilizado, os óculos de quem acabou de chegar de 2127, a feição caricata digna de um desenho japonês. Nada encaixa na figura do ditadorzão fodedor de povos. Ele não tem, por exemplo, a cara de mestre china sabedor de todas as forma de matar, tipo um Pai Mei, como o Ho Chi Minh.

HO CHI MINH QUE TÔ FACIM!

HO CHI MINH QUE TÔ FACIM!

Ou não tem a bigodeira estilosa do Stálin, que fazia nego se borrar com medo daquilo ganhar vida e sair voando, abatendo todos os caças capitalistas do mundo livre e do mundo não livre também.

Balança bigode, balança bigode, balança bigode...

Balança bigode, balança bigode, balança bigode...

Muito menos a pose bon vivant do Fidel, com sua barba “eu faço meu próprio estilo e cheguei antes da modinha Los Hermanos” e seu Cohiba, fazendo pose de Liam Neeson em qualquer filme que seja.

Um isqueiro, um Cohiba, uma pedra. O Fidel, acendeu...

Um isqueiro, um Cohiba, uma pedra. O Fidel, acendeu...

E o que dizer de Augusto Pinochet senão: MANO, QUE LUPA STÁILE VÉI!

Mano, altas treta nos flipper do centro! Vida de boy é osso!

Mano, altas treta nos flipper do centro! Vida de boy é osso!

Não bastasse tudo isso, Kim Jong Il tem 90 cm de altura. Três réguas escolares. Três. Ele não é um ditador, ele é uma fobia! Os norte-coreanos não são tementes ao comunismo. Eles só tem medo de anões. E daí que ele tem um par de mísseis? A única maneira a qual ele sabe matar as pessoas é a maneira na qual ele matou o Hans Blix.

O único ponto a favor para Kim Jong Il é ter a voz do Eric Cartman. Só isso salva a carreira dele como “ditador”.

“Vendedores de Barsa saem às ruas para vender enciclopédias e comemorar a vitória na Champions League”

Publicado em Imprensa Marrom, Livros, Pimba na gorduchinha às Maio 28, 2009 por Júlio César

Direto da Biblioteca de Roma

“Depois de tantos anos sendo superados pela Britannica, nós conseguimos”, se exalta Jose María Escrivá, torcedor do Barsa. O time catalão acaba de conquistar a Copa dos Campeões da Europa e com isso carimbar o passaporte para o Mundial de Clubes que acontece no final de ano em Yokohama, Japão.

A partida final foi uma aula de futebol do Barsa. Traçando caminho pelas pontas, o time não deixou uma frase solta e foi primoroso na apuração das jogadas. No lado dos Britannica, Cristiano Ronaldo, um dos items mais procurados, foi verbete não encontrado ao fim da partida.

“Sabíamos que nosso time tinha mais conteúdo que o deles”, disse o organizador do Barsa, Pepe Guardiola. A partida final entre as duas enciclopédias contou com a presença de escritores, países, elementos químicos e todo o tipo de informação que você pode imaginar. Mas, apesar da vitória, o time do Barsa não acredita que o Mundial não será fácil. “Temos o Google pela frente, mas acredito que nosso time tem conteúdo diferenciado”, explicou o principal verbete da enciclopédia catalã, Lionel Messi.

Já os derrotados da Britannica preparam-se para a próxima edição da Copa dos Campeões, que será traduzida em mais de 35 línguas.