Maldita Yourcenar

Postado em Megalomania em Dezembro 7, 2009 por Júlio César

Não sei se vocês sabem, mas eu atravessei o Rubicão. Os médicos podem dizer que não, mas eu estava lá, vi, fui e venci. Depois tomei umas facadas porque a trairagem – conforme diz Mano Brown – está na gênese do homem e daquele bando de senadores bichas. Aqueles malditos que sempre cantavam “vamô Roma, vamô Roma, vamô virar República!”.

Pois bem, em 2009, arrumaram um novo Imperador. O cara veio de Milão, tem nome de sucessor meu e tal. Mas ele só é lembrado por causa da Yourcenar. Nem o Justiano é lembrado como Imperador, mas sim como o cara que liberou geral para os católicos em Roma. O Marco Antônio, truta forte, também só é lembrado como o cara que comeu-morreu a Cleópatra. O Tavinho – meu parente – é César Augusto, cantor brega. Eu sou o fodão da bagaça, mal ae. Imperador só tem um e o resto é no máximo emir.

Daí o populacho rubro negro, essa plebe que há tempos não vibrava no Coliseu, resolve nomear um novo Imperador. Distorcem todo o conceito de Roma, Império e afins votando que o cara é ele e que eu tô em quinto, fora da Libertadores. Calé Framengo? Tá de caô comigo? Eu sou do Méier de Roma, e quem é do Méier não vacileia e não pega mocréia, valeu?

No mais, parabéns aos urubus. Ganhar com gol do Ronaldo Angelim demonstra que o Elísio inteiro está ao lado de vocês. In vino veritas, in vino gol.

Lajus est pipus empinus

Lajus est pipus empinus

Imagem gentilmente roubada dos caras do Urbe.

E se…

Postado em Pimba na gorduchinha em Dezembro 6, 2009 por Júlio César

Driblou o goleiro e só tinha o gol limpo à frente. Nas arquibancadas, todos estavam na ponta daquela chuteira, em cada gomo daquela bola que calaria no fundo da rede. O goleiro olhou para trás, indefeso, abatido, torcendo por um ou dois milagres. O zagueiro que tinha “espirrado o taco” se uniu à prece do arqueiro. O juiz preparava o apito e as mãos, que dariam a direção do centro do campo. O atacante olhou a bola, o gol vazio e súbito pensou:

- E se eu errar?

Bateu para fora e perdeu o gol, o título, a posição de titular. Além do casamento, vez que a esposa torcia para o clube, não para o atacante que perdera o gol mais feito na final mais vencida de toda a história.

Se meu DeLorean funcionasse…

Postado em Megalomania em Dezembro 2, 2009 por Júlio César

- Cara, que bobagem!
- Por que?
- O homem teve um sonho, e daí? Começaremos a discutir direitos civis conforme o horóscopo do dia?
- Pô, não fala assim! Essa é a luta de todo um povo, independente de cor, raça credo e… você tá bocejando?
- Mal ae, dormi pouco ontem. Você dizia?
- Se foder, um puta momento histórico e o que você faz? Boceja!
- Cara, é uma merda de um sonho! Se eu sonhar com os merovíngios governando a França novamente será apenas um sonho! Se eu sonhar com boquete da Ilsa Lund, será apenas um sonho. Meu e do Humphrey Bogart, por sinal… E outra, a Paula Toller também teve um sonho e ninguém se mobilizou…
- Filho da puta, dá vontade de gritar para todo mundo aqui que você é da Klan.
- Com uma cabeça desse tamanho? Só se eu andasse com uma lona de circo na cabeça!
- Cala a boca e vamos prestar atenção…
- Claro. Qualquer hora ele saca a borra de café e nos dita o futuro…

Se eu estivesse em Washington no dia 28 de agosto de 1963, seria mais ou menos assim.

Sessão das dez emendas

Postado em Cinema em Novembro 24, 2009 por Júlio César

A Imperador Pictures, Filmes e Plenonasmo tem o orgulho de apresentar:

“O maior sucesso do cinema brasileiro desde O bem dotado homem de Itu”.
New York Times

“Uma obra ímpar, um dedo na história do Brasil”.
Cahiers du Cinema

“Dedo do presidente é visto sendo chupado pelo bebê diabo”.
Notícias Populares

Lula, o filho do Barril. A história emocionante de um homem que venceu todas as adversidades  e três jogos do módulo amarelo do quadrangular final da terceira fase do Roberto Gomes Pedrosa para chegar a presidência do país. A companhia de Barril, o Sancho Pança dos bares brasileiros, a busca pelo dedo que nunca viu e não o registrou, a saga pelo poder de ficar coçando o saco o dia inteiro. Toda a trajetória, passando por Garanhuns e Pretória, até essa apoteose de rima histórica. Lula, o filho do Barril, a epópeia de Dona Lindu, cujo filho chegado em uma Pitú, chegou aonde nos botam no cu. O cara, o mala, o nada. Com a aclamada atuação de Gerson Brenner, no papel de Lula, Cuca no papel de Dona Marisa, Warren Buffet no papel de Tarso Genro, Bill Clinto  no papel de Antonio Palloci e Roberto  Begnini no papel de Cesare Battisti, um criminoso trapalhão.

Lula, o filho do Barril. Breve em um bar perto de você.

Classificação: cego e surdo.

Os pombos

Postado em Contos em Novembro 16, 2009 por Júlio César

- A coisa tá feia…
- Feia? Ontem eu quase tomei um tiro assim, do nada.
- Meu primo morreu anteontem, coitado…
- Morreu como?
- Como um passarinho, pode isso!?
- Não é!? Pedrada, pode isso? Morrer de pedradas em tempos como os nossos chega a ser idiotice.
- Olha lá, vem dois deles.
- E eles têm uma bandeira.
- Vermelhona essa, né? E aquele desenho, qual é?
- Meu tio lá do Leste diz que são os tais comunistas.
- Isso é bom ou ruim?
- Ah, deve ser melhor do que esses malucos que ficam gritando o dia todo. Vamos voar para lá.
- Ih, estão pendurando a bandeira.
- Ouvi dizer que esses caras de vermelho gostam de construir uns poleiros bacanas para a gente.
- Será? Imagina um, com quilômetros de distância!
- Seria ótimo! Reinaríamos no Poleiro de Berlim POR MIL ANOS!
- Ôu, para aí, tá parecendo os malucos que só gritam.
- Mal ae. Vamos lá caçar umas migalhas.
- Vamos.
- Odeio migalhas. Quero estraçalhar elas. TODAS ELAS!
- Pô, sério, tô te estranhando.

Funk das Perigóticas

Postado em Too old to rock em Novembro 13, 2009 por Júlio César

Augusto dos Anjos era um cara boladão,
Curtia um cemitério e The Mission de montão,
Pegava as cocotas com malicia e respeito,
Nunca esquecendo o lápis de olho preto.

PERIGO-IGO-IGO PERIGÓTICAS!

Sobretudo preto e todo maquiado,
Com o funk dos góticos ninguém fica parado,
Dança pra parede, dança sem parar,
No baile dos góticos não vale se alegrar.

PERIGO-IGO-IGO PEPEPEPEPERIGÓTICAS!

Daaaaaaaaaaaaaaança na parede, tchutchuca!

Eu tenho The Cure,
Para todos seus problemas,
Só pintar a cara de branco,
Que o Satã é o esquema.

Nosso bonde é pra baixo,
Nosso bonde é suicida,
No baile das perigóticas,
Ninguém dança na pista.

As minas ficam lôca,
O bagulho é sem caô,
Se tem Sisters of Mercy,
A gente toca terror!

PERIGO-IGO-IGO PERIGÓTICAS!

CRTL S no erotismo

Postado em Mulherada em Novembro 10, 2009 por Júlio César

Fernanda Young veio com a proposta. “Vou salvar o erotismo”, disse a Jack Bauer da bronha no banheiro. Sabemos que é balela, coisa para vender revista. Mas ainda assim ficamos com aquela pulga atrás da orelha. “E aí, e se eu ficar de pau duro para a Fernanda Young? Será que devo procurar um analista?”.

Eu não tinha esperanças de que o erotismo precisava ser salvo. Porque nos dias de hoje precisamos salvar a África, salvar os bancos nos EUA, salvar judeus e palestinos, salvar o Corinthians. O erotismo talvez seja a commodity (sempre quis escrever isso) mais garantida de todos os tempos. Você passa fome mas não passa sem sexo. Exceção feita ao Bernard Shaw, que não trepava e tinha asco à putaria. Mas o Bernard Shaw devia ser assim porque nunca andou de ônibus no verão de Sampa, só pode.

quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor

Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor

Pois bem, Fernanda Young na Playboy é a moça do dia a dia. É aquela mulher estranhona que passa na Paulista e você escarneia, mas que pega na Funhouse sem pensar duas vezes. Vai culpar a cachaça, mas na verdade é o erotismo que está ali, precisando ser salvo da punheta de bêbado. E você pega, discute Guerra e Paz (parabéns Tolstói pelo livro mais chato de todo o sempre) enquanto se embrenha na Macondo vaginal da Fernanda Jovem. Renegar o ensaio dela é renegar quase todas as mulheres que você pegou. Exceto, claro, se você for o Vicent Cassel. Porque daí você pega a Mônica Belluci e, nesse caso, tem erotismo salvo no cache do Google, tá lá para todo o sempre.

Fato é que você comeria amarradão. Poderia até contar só para o melhor amigo, mas ia sem dó desbravar a ilha de Crusoé. Porque de punheta, literalmente falando, já bastam os livros do Sartre.

Bacardi, Bacardi é o suco

Postado em B de Blogagem, Daily Planet em Novembro 6, 2009 por Júlio César

Não sei se vocês sabem mas eu ando fodão na manufatura (manufatura me lembra aulas de história da sétima série, sempre) de comidas. Dia desses fiz um beirute sem queimar nada e a Imperatriz comeu e pediu mais. Segunda-feira de finados fritei manjubas sozinho e não mandei meus amigos para o cemitério, apesar da data comemorativa.

Daí a galera da Dudinka, ciente dos meus dotes culinários, resolveu me chamar para aprender a manufatura (oi professora Brasilina) de mojitos. Ok, mentira, fui chamado porque o João Pedro é camarada e queria que mais alguém fosse com uma camiseta do Vader no Sonique.

O João é o da direita

O João é o da direita

Após uma apresentação sobre a história do Bacardi, lá dos idos de 1829 com Dom Facundo  mostrando para a patota que além de bebida de pirata, o rum pode ter seu espiríto selvagem domado*, chegou a hora de jogar garrafas e coqueteleiras para o alto no intuito de mostrar para a galera que, mais do que um barman, você pode a qualquer momento se virar nos faróis de Sampa. A crise taí e, se tá ruim para classe média, imagina para nós, não é? Enfim, vamos a esquizofrenia de se fazer um rum bom (olha a piada ruim):

Meio limão
Uma colher de sopa de açúcar
Sete folhas de hortelã
Gelo a gosto do freguês
Rum a rodo para animar a festa, salve simpatia!
Água com gás (pouca, porque água faz mal)

Primeiro você espreme o limão e xuxa (ISSO MESMO, XUXA) junto com a hortelã na coqueteleira. Depois, coloca açúcar, gelo e rum. Mas rum à beça, amigão. Naquela quantidade que a galera fica de olho aberto pensando “amanhã me fodo no teste da farinha”. Mexa a coqueteleira como se fosse o Tom Cruise em Coquetel e sirva. Complete o copo com a água com gás e VOAR LA, tá pronto o drink para acompanhar aquele beirute delícia ou aquela manjuba marota.

Vou rever Coquetel agora para descobrir qual é a manha de jogar os copos pro alto, porque já me acho craque no mojito. E não se surpreenda se um dia você me ver fazendo malabares na esquina da Brasil com a Nove de Julho.

* Lembrei de tudo isso sem consultar o Google. O momento memória de hoje é um oferecimento de Bacardi, o rum do Bátima.

Antropologia, eu quero uma pra morrer

Postado em Daily Planet, Livros em Novembro 4, 2009 por Júlio César

Enquanto os intelectuais lamentam e os jornais procuram o Caetano para opinar sobre quiromancia eu, em nome de todos os universiotários desse mundo, venho dizer que graças a Deus, Alá, Buda, Zeus e Janco Tianno, o maldito do Levi-Strauss foi dessa para uma melhor. Quer dizer, melhor até a hora em que ele chegar lá.

Porque se você acha que coceira nas bolas durante visita aos sogros, priminho empata-foda ou mulher que combina cor de calcinha com cor de cortina é algo chato, pode ter certeza que nunca abriu um livro do antropólogo francês em toda sua vida. Caso raro de sono logo na capa, Levi-Strauss deveria ficar mais famoso pelo jeans, mesmo não tendo qualquer participação nessa marca de calça com preços que coram a Livaria Cultura.

Mas o foda é que quando essa galera da intelectualidade morre, eles são gênios. Eu tenho quase certeza que rola o seguinte diálogo nos obituaristas de plantão:

- Levi-Strauss morreu?!
- Antes ele do que eu!
- Pô, sério, alguém tem de fazer o obituário.
- Chama o Aguiar. Ele anda numa insônia fodida. Ou então passa para aquele esquisitão ali no fundo, aquele que diz que o Sartre é bom.
- Bom é caipirinha e feijoada!

Eu queria ver era um surto de sincericídio. Pessoal escrevendo com todas as letras o sofrimento que foi procurar no Google uma resenha sobre o Tristes Trópicos, o livro mais chato já escrito e pouco lido. O cara que resenhou pela primeira vez -  com certeza o único a fazê-lo – deveria preencher o lugar da estátua do Duque de Caxias lá na Princesa Isabel. Porque se até o Borba Gato brinca de duro ou mole americano nas ruas de Sampa, uma figura como essa merece preencher os anais da sua história.

Mas fica-se na babação de ovo com o homem que conseguiu complicar os índios. Vê se o Seu Valdemar Iódice fica nessa de ser antropólogo?

Viver a Vila

Postado em Novela em Outubro 28, 2009 por Júlio César

Música tema:

Tem dias que eu fico,
empinando pipa,
e sinceramente, não vejo saída.

Depois do mandado,
um tubão de linha,
vou na rabiola?
ou aparo na mão?

Sei lá, seeeeeeeeeeei lá,
na vila só tem os função,
Sei lá, seeeeeeeeeeei lá,
acho que vou roubar um busão.

Viver a Vila é a nova novela de Mano Carlos. Nela voltaremos à Itaquera, o Leblon da Zona Leste de Sampa, para acompanhar a história de Greice, uma moça simples que vai conquistar o mundo como modelo fotográfica da C&A, Marisa e Lojão do Brás. É a primeira vez que Mano Carlos usa uma atriz branca para o papel de Greice, tapa na cara da sociedade pós Jornal Nacional.

O par romântico de Greice será Seu Alcino, um homem simples que se tornou um mega empresário do ramo de lotações. Alcino era casado com Dona Marta, uma dondoca neo-rica que curte a fossa da separação em bingos da Radial Leste. Marta é mãe de três filhas, Lucineide, Lucimara e Luciluci, esta última adotada.

Um pouco mais nova que Grecie, Lucineide é contra o casamento do pai com a modelo. A tentativa de impedir impedir esse amor chega até a uma ida ao programa de Márcia Goldschimidt, sem sucesso. Mal sabe ela que a chegada de Aretuza na vida do casal Alcino-Greice lhe poupará trabalho.

Além de Aretuza, Wesley, filho bastardo de Alcino, se apaixonará por Greice. Aguarde muitos barracos e, se bobear, um ou outro tiro de raspão na mais nova novela de Mano Carlos, Viver a Vila.

*este texto não é um publieditorial.