Prefácio
É impossível deixar de analisar esse texto para as gerações futuras. Porque ele é muito a frente de nosso tempo. Ele é a frente de todos os tempos. Não há como dar-lhe o adjetivo de Bíblia. Em um trecho, alcunhei como “tratado”, mas isso também é impossível. Não daria um livro, mas uma obra de importância maior do que uma cesta com a penicilina, a luz elétrica, a imprensa e a Monica Belucci. Com certa razão, daqui alguns anos esse texto será classificado como uma grande pilha de merda. Mas isso não é verdade. Porque a merda incomoda Felipe Neto. E ele não falará sobre isso, como forma de boicotar que a merda que ele escreve se propague a ponto de ser convidada para a premiere da novela Caminho das Índias, evento que reuniu intelectuais como Vitor Fasano, Juliana Paes e… FELIPE NETO.
Criticar ou ficar calado?
Critico muitas coisas, não tenho como evitar, sempre fui assim. Aquilo que me incomoda, exponho, o que me atinge, exponho, o que me satisfaz, igualmente o faço. Logo, em pouco tempo esse blog já havia se tornado uma verdadeira extensão dos meus pensamentos, onde basicamente se resumia a críticas, elogios e sugestões para, quem sabe, resultar numa possível maior harmonia na convivência dos que lêem. Contudo, comecei a perceber (e agora já se torna bastante claro) que quanto mais criticamos, maior é o sucesso de determinada bobagem.
Felipe, de forma filosófica (atentem ao trecho “esse blog já havia se tornado uma verdadeira extensão dos meus pensamentos, onde basicamente se resumia a críticas, elogios e sugestões para, quem sabe, resultar numa possível maior harmonia na convivência dos que lêem“) inicia o tratado deixando claro seu ponto: o sucesso de algo depende única e exclusivamente do que ele diz na internet (pega essa, New York Times). É uma espécie de Pequeno Princípe para intelectuais, onde Felipe Neto indica: tu te tornas responsável pelo link que compartilhas.
Existem pessoas dispostas a qualquer coisa para fazer sucesso. Algumas escolhem, por exemplo, o caminho dos “haters”, que, pelas minhas observações, parece ser facilmente tangível para quem tem verdadeira determinação. A fórmula é simples: faça alguma coisa extremamente idiota que cause raiva naqueles que têm relevância. Dessa forma, muita gente ficou famosa na internet, seja fazendo um vídeo completamente babaca, criando um blog fake cristão ou utilizando um script para aumentar a quantidade de seguidores no Twitter. O objetivo? Ora, por favor, até uma criança de oito anos pode perceber: causar!
Manual para o sucesso na internet, volume único e inestimável. Se você caiu em desgraça com “aqueles que têm relevância“, terá sua “coisa extremamente idiota” nas páginas da Esquire, da Veja, no Jornal Nacional e, quem sabe, no Hora do Povo. Imaginem Newton no Youtube, fazendo malabarismo com maçãs e dizendo que o Felipe Neto não conhece as vertentes da física. Reconhecimento internacional.
O problema então reside exatamente aí. Criticar seria a solução? Mostrar ao povo o quão insignificante é determinada atitude não pode acabar por torná-la significante, contrariando os objetivos dos que gostariam que tal presença desaparecesse?
A fórmula é simples: todo mundo mostrou quão insignificante era a busca por uma raça ariana pura. O resultado: milhões de judeus mortos na Segunda Guerra. Eu duvido que você encontre lógica tão sensata nos livros do Elias Canetti.
Temos uma situação complexa. Gosto de enxergar determinados blogs, sites e twitters como “a resistência”, dá um ar de Liga da Justiça pra coisa, que na verdade é muito mais boba do que parece. Esse grupo é composto pelos que vão de encontro à manipulação midiática da massa brasileira, aquela que elege Geisy como heroína e estampa o tempo inteiro ídolos de esgoto em suas manchetes principais. Essas pessoas comprometem-se com um objetivo duro: combater o que a maioria acha interessante, mas que nós, da resistência, classificamos como descartável e nocivo para a mente de quem já não tem lá tanta elucidação e liberdade de pensamento sem os controles sociais impostos há tantos anos no país. Tentamos apontar os defeitos e incentivar o raciocínio. O resultado disso é uma onda inacabável de xingamentos e revoltas injustificadas, sempre levantando a bandeira do: “Não critique o que eu gosto, seu babaca!” – Triste, mas real.
John Connor não seria tão messiânico. A “Resistência” (só aceito o termo em letra maiúscula, me desculpem), gente que gera conteúdo e que forma a opinião de pessoas em todo o mundo, é capaz de te levar ao Céu, jogando sua criação nas lavas quentes de Porto de Galinhas. Ou do Inferno, que seja. Porém, falta clareza neste trecho: quem é quem na Liga da Justiça. Não posso deixar de ver o Cardoso como Flash e o Felipe como Aquaman, por exemplo. E os ídolos de esgoto? As Tartarugas Ninja foram celebridades nos anos 90. Mas hoje em dia elas e o Mestre Splinter curtem merecidas férias nos esgotos de Paris. E hoje, quem têm acesso privilegiado, direto das entranhas de São Paulo, Rio e outros sistemas de saneamento de todo o mundo a frases como “classificamos como descartável e nocivo para a mente de quem já não tem lá tanta elucidação e liberdade de pensamento sem os controles sociais impostos há tantos anos no país”? Quem pode recolher das subterrâneas fontes de saber os ensinamentos dessa Escola de Frankfurt que parou no Pré 2? É algo que precisamos saber, para elucidar e nos libertar.

Curvem-se ou sigam a Twittess!
Contudo, nossas ações têm tanto resultado positivo quanto negativo. Ao mesmo tempo que muita gente concorda e se junta ao coro de pessoas contra determinadas superficialidades, damos também espaço para que outras, não preparadas, conheçam essas bobagens e passem a gostar, ou até mesmo se identificar com o que talvez merecesse permanecer para sempre na câmara do ostracismo. Exemplos como Fani e seu livro, Geisy Arruda, Bruna Surfistinha, Mulher Melancia, as “boy bands” brasileiras, entre tantos outros, ajudam a mostrar como a quantidade de ferramentas a favor da “cultura do gozo e do imediatismo” é alarmante. E pergunto: até que ponto nós, que criticamos, somos também auxiliadores de seu sucesso?
Harry Potter e a Câmara do Ostracismo é um livro que deveria ser queimado em praça pública. É destinado justamente à pessoas como você, que lê os baluartes da internet brasileira e vai fazer um vídeo idiota, um stand-up onde Cardoso e seu Ego (em maiúsculo, pois trata-se de pessoa) encontram Felipe Neto e seu Ego e todos se fundem transformando-se em Meuegotron, o Deus da internet que solta raios pelas tetas enquanto faz caretas. Você, massificado, que perde seu tempo com Crime e castigo enquanto poderia conferir as últimas dicas do Felipe sobre o livro da Fani ou outra vertente literária do subúrbio. Você, massa de manobra, que assiste Gus Van Sant ao “invez” (sic) de ler o twitter do Cardoso e se atualizar em uma das 27 câmeras instaladas na vida da Twittess. Você que goza o imediatismo e que não enxerga o trabalho social que Felipe Neto faz na sua pobre mente cada vez que rabisca três, quatro palavras no Controle Remoto, a Biblioteca de Alexandria pontocom do mundo moderno.

Se o Cardoso te bloqueia, o Google é a cura
O maior exemplo que segue a linha de raciocínio que estou tentando mostrar nesse texto encontra-se agora no Big Brother Brasil. Seu nome é Tessália Serighelli, conhecida na internet como Twittess. Para quem não sabe, o resumo de sua história é tão pequeno quanto sua importância. Há algum tempo, surgiu uma tal de Twittess no Twitter que, da noite para o dia, apareceu magicamente com mais de 40 mil seguidores (followers). Imediatamente aquilo atingiu o ego de muitos blogueiros, principalmente os pertencentes à já citada “resistência”. A referida moça tinha simplesmente utilizado um script que adicionou milhares e milhares de seguidores “robôs” ao seu perfil.
Twittess, o Santan Gos da internet, atingiu o Meuegotron da Resistência. A Skynet tem balanço magro, mas alto potencial nas mãos da massa.
Ponto final, esse foi o motivo pelo qual Tessália ficou conhecida. Simplesmente, uma mulher que usou um script pra aumentar o número de seguidores e, imediatamente, virou motivo de piada entre os blogueiros e twitteiros “relevantes” do país. O problema foi: quanto mais ela era humilhada, mais gente ficava sabendo de sua existência e seguia seu perfil só pra ficar vendo as respostas da mocinha indefesa. Resultado? Tessália ficou famosa na Internet e foi chamada até mesmo para dar palestras (uadafuck?!). Suas pérolas eram impagáveis, como quando afirmou ser mais relevante no Twitter que o Marcelo Tas, cobrando 500 reais por uma twittada patrocinada em seu Media Kit (e ela se diz analista de redes sociais) e a vez em que disse “Fifty-fifty” em entrevista para a Rede Globo. Tentou ainda ter um blog, mas o sucesso foi tão risível que sequer ganhou destaque (afinal, quando a esmagadora maioria de seus seguidores é composta por robôs e gente que segue apenas para dar gargalhada da sua cara, não dá para atingir sucesso com algo sério).
“Simplesmente, uma mulher que usou um script pra aumentar o número de seguidores“. Felipe Neto levanta questão importante: a Rosana Hermann é homem? Porque ela também usou script e não caiu na malha fina do IR (Internet Relevante – órgão da ditadura de Felipe, o Neto, responsável por atestar qualidade e visibilidade para toda e qualquer publicação da Cardosolândia, o país com PIB mais gordo do mundo). Se bem que Rosana gera conteúdo. E eu tenho pena de quem discorda disso.
Portanto, pensemos. Teria Tessália atingido a “fama” se não fosse pelos blogueiros e twitteiros que começaram a fazer piada sobre sua existência? Se o silêncio tivesse imperado, onde estaria a Twittess agora? Provavelmente tentando desesperadamente fazer robôs responderem suas twittadas, ou talvez tivesse simplesmente desistido. Mas a resistência, na tentativa de colocar todos contra alguém que teve uma atitude idiota e superficial, acabou criando uma BBB, que estampará capas de revistas, jornais e sites durante um tempo considerável, até cair no tão desejado esquecimento (não podemos deixar de lembrar: “Quem só tem bunda some”. E nem isso Tessália tem). Nós criamos um ídolo de esgoto e eu, sinceramente, peço desculpas ao povo pela minha pequena participação nisso.
É isso mesmo que você leu: a Twittess só chegou onde está por conta das piadas de Felipe, o Neto, e outros envolvidos (abraço a todos) da Resistência. Sem eles, ela seria apenas uma moça mirrada do Paraná. Porque quem só tem bunda some. É preciso ter também um cu para cagar regra na internet. Ou na vida.
Por essas e outras, percebi: devemos saber quando criticar. Apontar dedos e tentar minimizar algo que já é risível por si só pode acabar criando um monstro. Então, certas horas, devemos apenas ficar calados. Espero que os outros também consigam enxergar isso, ou a situação só tende a piorar.
Felipe, não se cale. Sem você, a internet não passa de um amontoado de vídeos idiotas que causa raiva em quem tem relevância. Aliás, aproveito o ensejo para dizer que dois integrantes da Resistência, o Brogui e o Kibeloco, estão neste exato instante postando vídeos idiotas. PRENDA OS DOIS! PRENDA AGORA! SE QUISER, LEVO A CABEÇA DELES EM UMA BANDEJA DE PRATA!
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Observação pertinente: A expressão “a resistência” era pra ser uma piada. #FAIL pra mim, já que muitos levaram a sério.
Levamos Marx a sério. Levamos Keynes a sério. Levamos Freud a sério. Levamos Jesus a sério. Como não levar você, Felipe, O Neto, a sério? Você é nosso Stálin (porque o Cardoso parece o Krushev, reparem), o nosso pai, o nosso herói. Nós sempre te levaremos a sério, Grande Irmão!

Ps: a imagem de Cardoso e seu Mini-Me foi cortesia do Pablo Fernandes. Obrigado, meu caro. Muito obrigado.