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O principal projeto de 2010 é fazer com que a Imperatriz ande de carro só no banco de trás e me chame de Jarbas. Você pode achar fetiche de casal, mas nem é. É só para permitir que ela volte para casa desfrutando do melhor que a vodca pode oferecer.

O problema é que coordenação não é muito meu forte. Eu consigo jogar um lápis de você me pedir. Sei jogar bola, pelo menos enquanto a barriga permite, acerto uma ou duas cestas no basquete e consigo fazer as sequências marotas do God of War ou do Dante’s Inferno. Mas nenhuma dessas atividades envolve a embreagem, demônio em forma de pedal.

Pois bem, fui a auto escola. O instrutor deu aula para a Larissa, mas o que denota a idade dele é o fato de ter ensinado Henry Ford a dirigir. O Niemeyer do volante foi me ensinar. Tudo para dar certo.

A coisa começou mal. Instabilidade nas faixas, curvas de corar o Nakagima e seu amor pelo guard rail. Sem contar que o carro morria mais do que celebridade no Twitter. A cada aula eu imaginava que talvez fosse mais fácil especular na Bolsa e ficar rico para ter um Jarbas de verdade, não um cego de uma perna só que seria acusado de acabar com o Império todo.

Aos poucos, porém, fui domando o bicho. Daí surgiu a baliza. O demônio cresceu e ficou viçoso. Roda na guia, carro torto, encostadas no cone. Desde Ruanda não se via tamanho exemplo de maus tratos. O pobre do Polo tentou reclamar em Haia, na ONU, no Sindicato dos Carros que se Fodem, mas não deu. Aguentou até hoje e, juro, suspirou quando eu rodei a chave e abri a porta em direção a auto escola.

Ele mal sabe que vai me ver de novo dia 25, na prova de volante. E que talvez me veja outra vez, praga do demônio da embreagem que, quando começa a perder, apela se transformando na terrível baliza.

Marchinha da Tessália

ALÔ MERITOCRACIA! TODO MUNDO COMIGO!

Tessália tá chupando rola,
E você, no www,
Enquanto Tessália trepa,
Tu taí, com a mão quebrando galho. E TODO MUNDO!

A Tessália pagou um boquetinho,
E você, não come mais ninguém.
Enquanto Tessália bola gato, tu não fica nem gripado. E VAMO NÓIS!

Tessália tá chupando rola,
E você, no www,
Enquanto Tessália trepa,
Tu taí, com a mão quebrando galho. VEM! VEM! VEM!

Lá, no edredon,
A Tessália pôs a boca no trombone.
Você, que mora com a mãe,
só fala quando é no telefone.

Aaaaaaaaaaaa moça Tessália,
Ficou famosa na internet.
Saiu metendo a boca pelo mundo.
E hoje é Trending Topic do #boquete.

Você, Meritocrata, ficou famoso pelo block.
Criou ídolos de esgoto,
saiu de casa só um pouco.
HEY APLUSK MANDA ELE SUCK A COCK!

Tessália tá chupando rola,
E você, no www,
Enquanto Tessália trepa,
Tu taí, com a mão quebrando galho. ZIRIGUIDUM!

- VOCÊ!
- Oi?
- Você! Você é o cara que escreveu o maldito livro. O Lennon me contou!
- Te conheço, jovem?
- Eu sou o Mark Chapman, meu chapa!
- Que construção bacana…
- Que?
- Nada. Olha, desculpa mesmo. Eu não tive a intenção…
- Não teve a intenção? Seu velho filho da puta! Aquele merda daquele Holden ficava falando na minha cabeça! Todo dia ele me dizia que o mundo era uma droga, que tudo era uma droga e eu nunca notei que o seu livro, isso sim, é que era uma droga!
- Vem cá, você e o Lennon são amigos?
- Ele era amigo do Paul. Por que não haveria de ser meu amigo?
- Isso é fato. Mas olha, passei anos recluso quando estava vivo. As pessoas achavam que eu tinha morrido há tempos, mas a verdade é que eu sempre tive vergonha de ter escrito O Apanhador. Sério. Eu tinha medo que alguém viesse me dizer que a obra influenciou a vida da pessoa…
- Jura?
- Claro, pô! O que eu ia dizer pro cara? “Olha, que bom, mas meu livro é uma bosta e nem eu sei o que eu quis dizer com ele, me explica por favor?”.
- Mas isso não te exime de ser um grande filho da puta, né? Porque eu matei o Lennon graças ao Holden, que é obra sua.
- Espera lá, amigo. Você matou o Lennon porque ele era um mala. Não vem culpar meu livro não!
- Algum problema aqui?
- Nada, oficial Dante. Estou acertando contas antigas com esse aí.
- O senhor é?
- J.D. Salinger. Você é o Dante? Eu digo, O DANTE ALIGHIERI? Aquele que virou escola de rico em São Paulo?
- Sim. E você é aquele autor do livro chato que o Chapman tanto fala?
- Sou.

Dito isso, Dante, na condição de policial do Inferno, entregou a seu “amigo” Virgilio o escritor J.D. Salinger. Porque finalmente ele pode pagar o pau no cuzismo extremo do poeta em guiá-lo naquela busca sem fim por Beatriz. Poesia por poesia, letra por letra.

Talk to me

Daí que esse mundo da alta costura, da moda ou de qualquer outro clichê babaca que separe Herchcovitch dos bolivianos do Bom Retiro, sempre arruma um jeito de fazer o consumidor de otário, todo mundo sabe.

Afinal de contas a geral térrea do São Paulo Fashion Week baba ovo naqueles vestidos que nunca serão usados e naqueles paletós tão ridículos que Didi Mocó ganha um Nobel de mais bem vestido com seu clássico xadrez preto e branco com ombreiras.

Olha lá, tem 27 Rafales em cada ombreira do Didi

Terminado o espetáculo, os “artistas” juntam suas agulhas, seus pedaços de pano e despejam suas coleções em bazares e afins. Você vai lá com a sua namorada todo pimpão, achando que talvez encontrará uma camiseta engraçada que dure um pouco mais do que os três dias que as da Galeria costumam durar. Só que você lembra que é o mundo da “alta costura”, do qual os Sócrates do ponto e cruz jogam suas peças do Olimpo aqui para o Bom Retiro. E pô, Sedex da morada de Zeus é mais caro. Já pensou no tamanho do cachorro que o pobre do carteiro tem de enfrentar?

Aquelas camisetas engraçadas que resistem a hecatombes custam 120 reais. Um relógio sem marca com uma caveira desenhada custa 800 reais. Coerente, ao menos, afinal a Suíça não é uma Burkina Fasso. E um lindo paletó de corar o Didi custa risíveis 600 reais. Mas risíveis mesmo, visto que é uma espécie de Capela Sistina costurada a mão.

HAHAHAHAHAHAHAHA!

Se existe um mundo com mais gente enganada do que a internet, é o mundo onde vivem os monstros do pessoal indie. Porque não há nada mais indie do que esse paletó. E nada mais feio, também.

Prefácio

É impossível deixar de analisar esse texto para as gerações futuras. Porque ele é muito a frente de nosso tempo. Ele é a frente de todos os tempos. Não há como dar-lhe o adjetivo de Bíblia. Em um trecho, alcunhei como “tratado”, mas isso também é impossível. Não daria um livro, mas uma obra de importância maior do que uma cesta com a penicilina, a luz elétrica, a imprensa e a Monica Belucci. Com certa razão, daqui alguns anos esse texto será classificado como uma grande pilha de merda. Mas isso não é verdade. Porque a merda incomoda Felipe Neto. E ele não falará sobre isso, como forma de boicotar que a merda que ele escreve se propague a ponto de ser convidada para a premiere da novela Caminho das Índias, evento que reuniu intelectuais como Vitor Fasano, Juliana Paes e… FELIPE NETO.

Criticar ou ficar calado?

Critico muitas coisas, não tenho como evitar, sempre fui assim. Aquilo que me incomoda, exponho, o que me atinge, exponho, o que me satisfaz, igualmente o faço. Logo, em pouco tempo esse blog já havia se tornado uma verdadeira extensão dos meus pensamentos, onde basicamente se resumia a críticas, elogios e sugestões para, quem sabe, resultar numa possível maior harmonia na convivência dos que lêem. Contudo, comecei a perceber (e agora já se torna bastante claro) que quanto mais criticamos, maior é o sucesso de determinada bobagem.

Felipe, de forma filosófica (atentem ao trecho “esse blog já havia se tornado uma verdadeira extensão dos meus pensamentos, onde basicamente se resumia a críticas, elogios e sugestões para, quem sabe, resultar numa possível maior harmonia na convivência dos que lêem“) inicia o tratado deixando claro seu ponto: o sucesso de algo depende única e exclusivamente do que ele diz na internet (pega essa, New York Times). É uma espécie de Pequeno Princípe para intelectuais, onde Felipe Neto indica: tu te tornas responsável pelo link que compartilhas.

Existem pessoas dispostas a qualquer coisa para fazer sucesso. Algumas escolhem, por exemplo, o caminho dos “haters”, que, pelas minhas observações, parece ser facilmente tangível para quem tem verdadeira determinação. A fórmula é simples: faça alguma coisa extremamente idiota que cause raiva naqueles que têm relevância. Dessa forma, muita gente ficou famosa na internet, seja fazendo um vídeo completamente babaca, criando um blog fake cristão ou utilizando um script para aumentar a quantidade de seguidores no Twitter. O objetivo? Ora, por favor, até uma criança de oito anos pode perceber: causar!

Manual para o sucesso na internet, volume único e inestimável. Se você caiu em desgraça com “aqueles que têm relevância“, terá sua “coisa extremamente idiota” nas páginas da Esquire, da Veja, no Jornal Nacional e, quem sabe, no Hora do Povo. Imaginem Newton no Youtube, fazendo malabarismo com maçãs e dizendo que o Felipe Neto não conhece as vertentes da física. Reconhecimento internacional.

O problema então reside exatamente aí. Criticar seria a solução? Mostrar ao povo o quão insignificante é determinada atitude não pode acabar por torná-la significante, contrariando os objetivos dos que gostariam que tal presença desaparecesse?

A fórmula é simples: todo mundo mostrou quão insignificante era a busca por uma raça ariana pura. O resultado: milhões de judeus mortos na Segunda Guerra. Eu duvido que você encontre lógica tão sensata nos livros do Elias Canetti.

Temos uma situação complexa. Gosto de enxergar determinados blogs, sites e twitters como “a resistência”, dá um ar de Liga da Justiça pra coisa, que na verdade é muito mais boba do que parece. Esse grupo é composto pelos que vão de encontro à manipulação midiática da massa brasileira, aquela que elege Geisy como heroína e estampa o tempo inteiro ídolos de esgoto em suas manchetes principais. Essas pessoas comprometem-se com um objetivo duro: combater o que a maioria acha interessante, mas que nós, da resistência, classificamos como descartável e nocivo para a mente de quem já não tem lá tanta elucidação e liberdade de pensamento sem os controles sociais impostos há tantos anos no país. Tentamos apontar os defeitos e incentivar o raciocínio. O resultado disso é uma onda inacabável de xingamentos e revoltas injustificadas, sempre levantando a bandeira do: “Não critique o que eu gosto, seu babaca!” – Triste, mas real.

John Connor não seria tão messiânico. A “Resistência” (só aceito o termo em letra maiúscula, me desculpem), gente que gera conteúdo e que forma a opinião de pessoas em todo o mundo, é capaz de te levar ao Céu, jogando sua criação nas lavas quentes de Porto de Galinhas. Ou do Inferno, que seja. Porém, falta clareza neste trecho: quem é quem na Liga da Justiça. Não posso deixar de ver o Cardoso como Flash e o Felipe como Aquaman, por exemplo. E os ídolos de esgoto? As Tartarugas Ninja foram celebridades nos anos 90. Mas hoje em dia elas e o Mestre Splinter curtem merecidas férias nos esgotos de Paris. E hoje, quem têm acesso privilegiado, direto das entranhas de São Paulo, Rio e outros sistemas de saneamento de todo o mundo a frases como “classificamos como descartável e nocivo para a mente de quem já não tem lá tanta elucidação e liberdade de pensamento sem os controles sociais impostos há tantos anos no país”? Quem pode recolher das subterrâneas fontes de saber os ensinamentos dessa Escola de Frankfurt que parou no Pré 2? É algo que precisamos saber, para elucidar e nos libertar.

Curvem-se ou sigam a Twittess!

Curvem-se ou sigam a Twittess!

Contudo, nossas ações têm tanto resultado positivo quanto negativo. Ao mesmo tempo que muita gente concorda e se junta ao coro de pessoas contra determinadas superficialidades, damos também espaço para que outras, não preparadas, conheçam essas bobagens e passem a gostar, ou até mesmo se identificar com o que talvez merecesse permanecer para sempre na câmara do ostracismo. Exemplos como Fani e seu livro, Geisy Arruda, Bruna Surfistinha, Mulher Melancia, as “boy bands” brasileiras, entre tantos outros, ajudam a mostrar como a quantidade de ferramentas a favor da “cultura do gozo e do imediatismo” é alarmante. E pergunto: até que ponto nós, que criticamos, somos também auxiliadores de seu sucesso?

Harry Potter e a Câmara do Ostracismo é um livro que deveria ser queimado em praça pública. É destinado justamente à pessoas como você, que lê os baluartes da internet brasileira e vai fazer um vídeo idiota, um stand-up onde Cardoso e seu Ego (em maiúsculo, pois trata-se de pessoa) encontram Felipe Neto e seu Ego e todos se fundem transformando-se em Meuegotron, o Deus da internet que solta raios pelas tetas enquanto faz caretas. Você, massificado, que perde seu tempo com Crime e castigo enquanto poderia conferir as últimas dicas do Felipe sobre o livro da Fani ou outra vertente literária do subúrbio. Você, massa de manobra, que assiste Gus Van Sant ao “invez” (sic) de ler o twitter do Cardoso e se atualizar em uma das 27 câmeras instaladas na vida da Twittess. Você que goza o imediatismo e que não enxerga o trabalho social que Felipe Neto faz na sua pobre mente cada vez que rabisca três, quatro palavras no Controle Remoto, a Biblioteca de Alexandria pontocom do mundo moderno.

Se o Cardoso te bloqueia, o Google é a cura

O maior exemplo que segue a linha de raciocínio que estou tentando mostrar nesse texto encontra-se agora no Big Brother Brasil. Seu nome é Tessália Serighelli, conhecida na internet como Twittess. Para quem não sabe, o resumo de sua história é tão pequeno quanto sua importância. Há algum tempo, surgiu uma tal de Twittess no Twitter que, da noite para o dia, apareceu magicamente com mais de 40 mil seguidores (followers). Imediatamente aquilo atingiu o ego de muitos blogueiros, principalmente os pertencentes à já citada “resistência”. A referida moça tinha simplesmente utilizado um script que adicionou milhares e milhares de seguidores “robôs” ao seu perfil.

Twittess, o Santan Gos da internet, atingiu o Meuegotron da Resistência. A Skynet tem balanço magro, mas alto potencial nas mãos da massa.

Ponto final, esse foi o motivo pelo qual Tessália ficou conhecida. Simplesmente, uma mulher que usou um script pra aumentar o número de seguidores e, imediatamente, virou motivo de piada entre os blogueiros e twitteiros “relevantes” do país. O problema foi: quanto mais ela era humilhada, mais gente ficava sabendo de sua existência e seguia seu perfil só pra ficar vendo as respostas da mocinha indefesa. Resultado? Tessália ficou famosa na Internet e foi chamada até mesmo para dar palestras (uadafuck?!). Suas pérolas eram impagáveis, como quando afirmou ser mais relevante no Twitter que o Marcelo Tas, cobrando 500 reais por uma twittada patrocinada em seu Media Kit (e ela se diz analista de redes sociais) e a vez em que disse “Fifty-fifty” em entrevista para a Rede Globo. Tentou ainda ter um blog, mas o sucesso foi tão risível que sequer ganhou destaque (afinal, quando a esmagadora maioria de seus seguidores é composta por robôs e gente que segue apenas para dar gargalhada da sua cara, não dá para atingir sucesso com algo sério).

“Simplesmente, uma mulher que usou um script pra aumentar o número de seguidores“. Felipe Neto levanta questão importante: a Rosana Hermann é homem? Porque ela também usou script e não caiu na malha fina do IR (Internet Relevante – órgão da ditadura de Felipe, o Neto, responsável por atestar qualidade e visibilidade para toda e qualquer publicação da Cardosolândia, o país com PIB mais gordo do mundo). Se bem que Rosana gera conteúdo. E eu tenho pena de quem discorda disso.

Portanto, pensemos. Teria Tessália atingido a “fama” se não fosse pelos blogueiros e twitteiros que começaram a fazer piada sobre sua existência? Se o silêncio tivesse imperado, onde estaria a Twittess agora? Provavelmente tentando desesperadamente fazer robôs responderem suas twittadas, ou talvez tivesse simplesmente desistido. Mas a resistência, na tentativa de colocar todos contra alguém que teve uma atitude idiota e superficial, acabou criando uma BBB, que estampará capas de revistas, jornais e sites durante um tempo considerável, até cair no tão desejado esquecimento (não podemos deixar de lembrar: “Quem só tem bunda some”. E nem isso Tessália tem). Nós criamos um ídolo de esgoto e eu, sinceramente, peço desculpas ao povo pela minha pequena participação nisso.

É isso mesmo que você leu: a Twittess só chegou onde está por conta das piadas de Felipe, o Neto, e outros envolvidos (abraço a todos) da Resistência. Sem eles, ela seria apenas uma moça mirrada do Paraná. Porque quem só tem bunda some. É preciso ter também um cu para cagar regra na internet. Ou na vida.

Por essas e outras, percebi: devemos saber quando criticar. Apontar dedos e tentar minimizar algo que já é risível por si só pode acabar criando um monstro. Então, certas horas, devemos apenas ficar calados. Espero que os outros também consigam enxergar isso, ou a situação só tende a piorar.

Felipe, não se cale. Sem você, a internet não passa de um amontoado de vídeos idiotas que causa raiva em quem tem relevância. Aliás, aproveito o ensejo para dizer que dois integrantes da Resistência, o Brogui e o Kibeloco, estão neste exato instante postando vídeos idiotas. PRENDA OS DOIS! PRENDA AGORA! SE QUISER, LEVO A CABEÇA DELES EM UMA BANDEJA DE PRATA!

Observação pertinente: A expressão “a resistência” era pra ser uma piada. #FAIL pra mim, já que muitos levaram a sério.

Levamos Marx a sério. Levamos Keynes a sério. Levamos Freud a sério. Levamos Jesus a sério. Como não levar você, Felipe, O Neto, a sério? Você é nosso Stálin (porque o Cardoso parece o Krushev, reparem), o nosso pai, o nosso herói. Nós sempre te levaremos a sério, Grande Irmão!

Ps: a imagem de Cardoso e seu Mini-Me foi cortesia do Pablo Fernandes. Obrigado, meu caro. Muito obrigado.

Vendo as estatísticas aqui do blog (70% dos acessos vêm do Google, mas o BBB é mais importante) reparei que um dos textos mais lidos é o Top dez abajur cor de carne, uma lista de pecados musicais que eu cometo.

Porém, nos comentários, o Rodrigo e a Larissa invalidaram meu top top, dizendo que só é válido quando carrego as músicas no iPobre. Sou um cara de dívidas e, assim, resolvi que essa é uma daquelas que eu posso pagar sem problemas. Assim sendo, vamos ao Top dez músicas que me fariam morrer de vergonha se o fone de ouvido escapasse dentro do elevador.

10 – The Housemartins – Build

Um clássico do Alpha By Night. Você pode não ligar o autor a obra, mas o refrão do “Papapapapel” ecoará por 250 gerações. Sem contar que aquele backing vocal cantando o famoso refrão é genial.

9 – A-Ha – Crying in the rain

I’ll never let you see
The way my broken heart is hurting in me
I’ve got my pride and I know how to hide
All my sorrow and pain
I’ll do my crying in the rain

Existe coisa mais farofa do que ir chorar na chuva? Existem outras oito, pelo menos, senão esta seria o número um. Mas mesmo assim o A-Ha cava um lugar na lista com esse clássico que começa ao som de trovões e bateria. O cara conta que vai chorar na chuva para esconder as lágrimas de um amor perdido. E acredita que, um dia, vai parar de chover. Nesse dia, ele vestirá um sorriso e andará pelo sol, numa boa, como se nada tivesse acontecido.

Tomou uma bota da mulher que ama, mesmo assim não reclama e aguenta a dor de largado? Morten Harket pensou em você, amigo.

8 – Milli Vanilli – Girl I’m gonna miss you

Muito antes do Kibeloco, o Milli Vanilli tinha plagiado Girl I’m gonna miss you. A farsa foi descoberta mas o poder farofa da música é mais forte do que qualquer coisa. Tanto que ela resiste, até hoje, como trilha sonora para quem se foi. Foi uma tragédia ver que o sonho acabou. Para quem está só e para o Milli e o Vanilli, que nunca mais tiveram moral para copiar alguém.

7 – Carly Simon – Nobody does it better

O cabelo da Carly Simon não nega que ela dos anos 80, porque anos 80 é armação ilimitada. Mas se resta alguma dúvida, Nobody does it better encerra o caso. Choradeira sem fim sobre como a outra pessoa é fodona, como faz coisas fodonas, como consegue liberar todos os achievments de Bioshock sem cagar na calcinha/cueca ao menos uma vez. Uma declaração de amor com tanta passividade que, em determinado trecho da música, você tem vontade de comentar para todos a sua volta que o homenageado pela Carly Simon é fodão. Mas não faça isso. Pega mal.

6 – Haddaway – I miss you

O cara que não sabe o que é o amor e pede para que o bebê não o machuque, não o machuque, nunca mais não poderia ficar fora dessa lista. I miss you, na opinião brega deste, é a obra-prima deste mestre. Tem uma batida genial para trilha sonora, discurso de introdução (um clássico em música farofas, aperfeiçoado pelo Manhattans) e letra na pegada “não vivo sem você” no ponto exato.

5 – Eduardo Dusek – Que rei sou eu

Se você tem mais de 25, deve lembrar do belo par de peitos que a Giulia Gam tinha nos idos de 1989, quando o Bial ainda comandava o BBB (Bate, Bate Brasil!) por lá. Pois se você lembra disso, vai lembrar de Que Rei sou eu, composta pelo gênio Eduardo Dusek, trilha sonora da novela de mesmo nome.

Que rei sou eu, se tenho generosidade?
Que rei sou eu, com fé e com honestidade?
Se desconheço autoridade sem vaidade, que rei sou eu?
Eu só sou rei porque o rei de lá morreu

Como em todas as músicas do mestre, o arranjo brega no melhor estilo quarto de empregada vitoriana misturado com  as letras nonsense e humoradas dão a Que rei sou eu a sensação de música de séculos. Se Mozart tivesse o bom humor do Dusek, a música clássica seria comercializada no Largo da Batata.

4 – 14 Bis – Todo azul do mar

“Escravo do seu amor, livre para amar”. Se ligou na pegada “fodeu, sou seu, rima com eu”? Agora coloque uma voz fina, espécie de King Diamond crooner, na parada. Pronto, temos Todo azul do mar. Mas a fossa é tanta que precisa de emissário submarino para não virar Praia de Botafogo.

3 – John Secada – Angel

O Lekabel diz que Jon Secada é a antítese do Wando: em todas as músicas ele se fode. Em Angel, porém, Jon Secada chora o porvir. Ele está com a mulher, mas reclama que pode tomar bota lá na frente. É o Warren Buffet da farofice, brincando com o mercado de futuros do coração (Roberto Carlos, anota essa frase!). A terceira posição é do Coringa da breguice, um cara quie chora em público por algo que ainda não aconteceu.

2 – White Karyn – Superwoman

O hino do dramalhão dona de casa. A mulher faz o café da manhã e o cara reclama que o suco costumava ser mais doce. Corre na hora do rush para arrumar a cama e fazer o jantar, mas o cara chega e diz que não tá com fome, que vai ler o jornal e que não quer que aquele pedaço de carcaça imunda o incomode. Ok, forcei a barra, mas a linha é essa. Daí a mulher diz que não é a Super Mulher, pois caso fosse estaria dando um picote, sei lá, com o Lanterna Verde. E segue reclamando em backing vocals sensacionais que você só escuta na Alpha FM. A letra é de uma choradeira tão infeliz que você olha para Oskar Schindler e pensa: PFFFFFFFFFF.

No fim, tudo que ela precisa é amor. Igual aos Beatles, mas sem a pretensão de passar mensagem para o mundo. White Karyn é maior que o White Album.

1 – Roberto Carlos – Todas as manhãs

Chuva fina no meu pára-brisa
Vento de saudade no meu peito
Visibilidade distorcida, pela lágrima caída
Pela dor da solidão

Não dá para competir com Robertão. Quando ele não quer esmirilhar na breguice, compõe bobagens como essa música da novela das oito. Agora quando ele quer ser o dono da porra toda, o homem do Medalhão, o cara da camisa mais aberta entre os camisas abertas do mundo brega, deixa qualquer um no chinelo. E todas as manhãs é o supra-sumo disso. Porque Detalhes é foda demais para ser brega. Amada amante é muito experimental. Todas as manhãs não. Tem arranjo de rádio AM, tem letra de caminhoneiro, tem lamúria de gente apaixonada  demais.

E o melhor mullet de todos os tempos.

Avatar

Avatar seria um filme absurdo se não fosse em 3D. Fica difícil distinguir o que é real e o que é computação gráfica. Tudo parece vivo, como se Pandora realmente existisse e os Na’vis fossem nossos vizinhos. Aliás, fica impossível distinguir. As aeronaves são reais, os robôs gigantes são reais, a fauna e a flora de Pandora são tão reais quanto a Amazônia. A experiência sensorial é doentemente única.

Mas por ser em 3D, Avatar ultrapassa o absurdo. É como se fossemos parte desse mundo, um espectador na linha de fogo, no meio da selva, entre hangares. Os personagens literalmente passam por nós e, em alguns momentos, queremos esticar as mãos para toca-los. Em especial Sigourney Weaver.

Ver o filme em terceira dimensão é uma experiência que não pode passar em branco. Temos aqueles filmes de cabeceira que vemos ou gostaríamos de ter visto na tela grande, ora pelo som, ora pela experiência de imersão que a tela grande proporciona em determinada cena. Em Avatar, o conceito de imersão está em todas as cenas, desde um simples diálogo sobre a cultura Na’vi até a embasbacante cena final com 20 minutos com uma das batalhas mais memoráveis do cinema. Em DVD, no conforto de casa, ou mesmo nas cópias em cinemas 2D, será mais um grande filme de James Cameron. Em 3D, uma viagem a um mundo fantástico tão real quanto o balde de pipoca ou o copo de refrigerante.

A propósito, o enredo não se perde nos efeitos. Também não é complemento. A mensagem é um tanto conhecida de outros filmes do diretor, como lembrou o Forastieri, por exemplo. Também vi pitadas de histórias das civilzações pré-colombianas. Mas o tema central, a natureza, se sobrepõe a dominação de uma raça por outra que visa o extrativismo. Se Al Gore tivesse ido além do PowerPoint, talvez tivesse ganhado mais de um Oscar.

Alan Moore

Piada Mortal é lindo, apesar de ser óbvia e antiga a ideia de que o herói sempre precisará da existência de um vilão. Isso existe desde, sei lá, Deus e Satã? Agora o que não dá é o criador escorraçar sem motivo algum qualquer pessoa que tente transpor sua obra de uma mídia para outra. Watchmen, o Velho Testamento desse Deus dos nerds, é apenas um quadrinho legal. Tem uma base histórica boa (Alan Moore, você sabe que quem criou Richard Nixon foi a mãe dele e não você, certo?) e imaginou um mundo apocalíptico bacana. HG Weels fez isso, Orwell fez isso, Philip Dick fez isso. O filme é quase uma cópia do quadrinho e Alan Moore, sempre com uma merda engatilhada e pronta para ser dita, declarou para todos que o filme era uma bosta. ANTES DE VÊ-LO! Dumbledore da nerdice, recolha-se a sua macumba britânica e vá fazer bruxarias, que é o que lhe convém.

Barack Obama

O primeiro, o único, o inigualável. Amigo do Homem-Aranha, cabe certinho na roupa do Superman. Joga basquete, tem BlackBerry (olha a piada pronta) e twitter. Ganhou o Nobel da Paz convocando mais gente para ir ao Afeganistão. Foi a Copenhagen manter o que está desde sei lá quantas administrações americanas: vamos poluir sim, mas dessa vez com peso na consciência. Na real, depois do Bush até Stalin seria um bom moço.

David Lynch

ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ…

Lars Von Trier

O queridão de sete em cada dois alternativos. O gênio, o homem que faz do cinema uma experiência transcendental e única. Pau no cu sem fim. Histórias rasteiras encobertas por métodos “estilosos” de filmagem. Como, por exemplo, a câmera lenta nos ovos do Willem Dafoe batendo na bunda da Charlotte Grainsbourg. UAU HEIN? Se você viu O Anticristo e não entendeu porra nenhuma, parabéns, você é uma pessoa normal. Se viu e entendeu algo, parabéns, você é um mentiroso de marca maior.

Bob Dylan

A Malu Magalhães da Primeira Cruzada. Com um violão na mão, é capaz de impedir guerras. Afinal, quem tem força para combater tanta chatice MR. TAMBORINE MR. TAMBORINE MR. TAMBORINE ad eternum?

Copenhagen, Dinamarca. Líderes do mundo se reunem para discutir como combater o maior vilão já visto desde Darth Vader em O Império contra-ataca. Arnold Schwarzenegger (Arnold Schwarzenegger), governador da Califórnia, vem do futuro para avisar que as coisas não se resolveram em 2098. Ele conversa com o Presidente do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva (Jack Black) quando…

- GET TOWN!

O presidente brasileiro é empuraddo por Arnold. O governador do futuro saca uma Glock e distribui tiros pelo salão. Uma Geisy atômica de baixo alcance fora atirada por comparsas do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad (Cristian Bale), visando sabotar o evento e matar um dos líderes mais carismáticos da história do cinema. Era o início de uma trama internacional.

Na sala ao lado, Ahmadinejad e José Serra (Cristopher Lee), prefeito de São Paulo, discutem como destruir o mundo e sugar o sangue de todos os seres do planeta. A pose de estadistas na Conferência de Copenhagen contrasta com os planos de dominação mundial dos dois líderes. Schwarzenegger sabe dos planos maléficos e, como herói de ação que sempre foi, resolve salvar o clima de Natal tal e qual feito no filme Um herói de brinquedo.

- Lula, precisamos invadir a  base de Ahmadinejad e Serra. O meu plano é roubarmos um veículo do inimigo e adentrarmos na sala infiltrados. Destruimos todas as Geisys atômicas de Ahmadinejad e enfiamos uma estaca no coração do prefeito Serra.
- Você não tem medo de Geisys?
- Eu como Geisys no café da manhã…
- Tamo junto nessa, eu como a Marisa mesmo!

Na sala do mau tempo, Ahmadinejad e Serra traçam os últimos planos…

- Já coloquei Geisys em pontos estratégicos da conferência!
- SANGUE, SANGUE!
- Há apenas um problema: Conan está entre nós.
- SANGUE, SANGUE!
- E não é só isso, ele trouxe o John Connor de Garanhuns. Caralho!
- ALHO NÃO! SANGUE, SANGUE!

Os vilões escutam um estrondo na porta. Uma bota militar tamanho 42 irrompe pela sala, seguida por uma saraivada de balas. Ahmadinejad se esconde atrás de um escudo Geisy e prepara o canhão Geisy, enquanto Serra toma forma de milhares de morcegos que sobrevoam o recinto.

- Lula, fica por aqui segurando eles. I’ll be back!
- Quê? Beque agora? Por que não?

Enquanto Lula segura o Eixo do Mau Tempo e prepara a seda, Arnold vai atrás de seu velho parceiro de aventuras em selvas da América do Sul, o presidente dos EUA, Barack Obama (Carl Weathers)

- Você parece fraco.
- Tenho comido poucos bolivianos no café da manhã.
- Recebi a missão de aniquilar com os planos do Eixo do Mau Tempo. Você está nessa comigo?
- Por que não. Trouxe um amigo para nos ajudar. Evo!

Evo Morales (Steven Seagal) se junta ao clima de salvação do mundo armado por Arnold.

- Companheiros, a coisa tá ficando preta!
- Pô Lula, toda vez que eu chego é sempre a mesma piada?
- Não há tempo para galhofas, amigos. GET TOWN!

Outra Geisy é atirada em direção aos nossos heróis. Arnold se agarra ao helicóptero que sobrevoa a sala e, em um lance rápido, aponta um míssil na direção de Ahmadinejad.

- Você sabe, eu prefiro a carreira solo do Phil Collins. Acho que no Genêsis ele ficava muito preso à piração sem fim do Peter Gabriel. E ele sempre teve uma pegada muito pop, fazendo um som honesto. De fato, Collins como artista solo tem mais sucessos do que toda a história do Gênesis…
- Hasta la vista, sheik!
- Eu não sou sheik, eu sou…

Uma enorme explosão toma a sala. Lula protege Obama e Evo morre porque, entre a Bolívia e os EUA, é notório com qual país vale ter relações bilaterais. José Serra, acuado, diz:

- O Mestre não pode fazer isso com Serra. Serra promete pelo precioso que não vai chupar o sangue de ninguém. Serra promete ser bom. Pelo Precioso. O PRECIOSO!

Nisso Gilberto Kassab (Elijah Wood) irrompe pela sala e atira perdigotos para cima de Lula, Arnold e Obama.

- VAGAVUNDOS, VAGAVUNDOS!

Acuados, aos três heróis resta esperar a sequencia deste blockbuster de verão. Em seu castelo na Latvéria de São Paulo, José Serra promete vingança:

- SANGUE, SANGUE!

Fim.

THE HEAT IS ON
Direção: Julio Cesar

Elenco – em ordem de PIB
Barack Obama – Carl Weathers
Arnold Schwarzenegger – Arnold Schwarzenegger
José Serra – Cristopher Lee
Lula – Jack Black
Ahmadinejad – Cristian Bale
Mesa de operações – Mesa de operações
Caneca do presidente da Eslovênia – Caneca do presidente da Eslovênia
Caneta Bic do presidente do Sudão – Caneta Bic do presidente do Sudão
Poeira no paletó de Ban Ki Moon – Poeira no paletó de Ban Ki Moon
Ban Ki Moon – Jackie Chan
Evo Morales – Steven Seagal

A novela seria mais ou menos assim: Sandra conhece Alberto na linha Azul do metrô. Eles se esbarram as seis da tarde, naquela hora em que todos se esbarram porém, em novelas, eles se esbarram e notam. Telefones e olhares são trocados rapidamente porque a integração é logo ali e o tempo é curto. A cena muda para o núcleo rico.

No núcleo rico, Letícia conhece Alberto em uma festa na Daslu. Eles se esbarram as duas da manhã, naquela hora em que todos se esbarram porém, em novelas, eles se esbarram sóbrios. Telefones e olhares são trocados na cama, onde lençóis se confudem com roupas que se confudem com a mesa espelhada da sala.

Porque nem na ficção pobre vive a fantasia dos comerciais do Metrô.

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